oreinabarriga

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este blogue tem Livro de Exclamações

21.9.11

um mes, quase

foi isto que povoou a minha cabeça todo o dia de hoje, todas as horas, cada minuto: "não aguento mais" "não aguento mais" "não aguent...", estou a quase um mês a viver (?) sem o meu pai, um mês, um mês é tão pouco tempo e eu já não aguento mais...

não liguei para casa só para não ouvir a voz da minha mãe embrulhada na garganta, e o barulho que as lágrimas fazem quando caem na roupa escura, nada é mais importante que aquela solidão, nada é mais importante e eu no trabalho, num monte de papeis "se ligo, largo tudo".

não estou a partilhar isto publicamente por ter vontade de dizer ao mundo! o quanto estou triste (eu sempre fui discreta na alegria e na tristeza, nada dada a exibicionismos), estou a partilhar isto porque não me saiu da cabeça (nem por um minuto, nem enquanto os outros falavam, nem enquanto eu falava (respondia?), não me saiu da cabeça isto "eu não aguento mais" "eu nunca mais vou ver o meu pai" "eu não aguent..." e aguentei.
é só para partilhar que... aguentamos.

20.9.11

viver em estado de memória


conduzo, respiro (vivo), adormeço, faço o verbo mãe (o de mulher ainda não reaprendi), e ponho outros verbos em movimento (trabalhar, estar, responder, comer, ...), tem que ser, mas vivo (respiro) em estado de memória.

16.9.11

obs.:

quero morrer como o meu pai: quando tiver reunido um numero de pessoas suficientes que me chorem.

exemplo

somos aquilo que nos ensinam, mas somos muito mais os exemplos que nos dão.
estou infinitamente mais preocupada "se sou um bom exemplo para o meu filho" que ensinar-lhe seja o que for.

dentinhos de micróbio

o meu filho com os dentes, não dá trabalho nenhum. quando estão a nascer não se queixa, quando estão a abanar arranca-os. sozinho :)

a estrelinha

o miguel pediu à estrelinha para ter um bom dia na escola, ou gostar da escola (1º ano, 1º dia), não sei dizer muito bem, ele pediu tão baixinho...


mas a estrelinha percebe tudo :)

4.9.11

a última vez que falámos


a última vez que ouvi a tua voz (pai).

27.8.11

7 de Julho 1938 - 23 de Agosto 2011



não estou em mim, não ando em mim, feita em mil pedaços, mas é lúcida esta minha gratidão, em meu nome, em nome da minha mãe e do ricardo, agradeço infinitamente à família, amigos, colegas, vizinhos e pessoas que mal reconheci mas que de alguma forma o meu pai cativou, que estiveram presentes e partilharam connosco (e partilham) esta dor in su por tá vel. agradeço aos que não estiveram presencialmente (os que já partiram, os que foram apanhados em viagem, aqueles cujo coração não aguentou tamanha violência e fraquejou), mas o sofrimento e o conforto que me deram foi tanto como aquele que recebi presencialmente.


cada palavra, cada abraço, cada beijo, cada silêncio, salvou-nos minuto a minuto do desespero. sem cada um de vós (sem excepção) não teríamos sobrevivido a esta dor. agradeço infinitamente à equipa do INEM, aos BV, aos agentes da 61ª esquadra da PSP (em particular ao agente que me levou em mão e deixou aproximar-me do corpo do meu pai), à Policia Judiciária, ao Pde. António (Francisco) e aos senhores da agência Bom Jesus, todos sem exceção foram profundamente humanos, competentes e dignos nas suas ações.
não consigo mais que agradecer. todos os dias me lembrarei e tentarei estar à altura da vossa amizade, das vossas ações. que os anjos da guarda vos protejam e protejam aqueles que amam.

o último obrigada é o primeiro, obrigada pai pelas lembranças que nos deixas-te, pela tamanha herança de dignidade, bondade, tolerância e sensibilidade. foste o pai, o homem e o avô mais sábio e afetuoso que poderíamos ter tido.
deram-te um número quando nasceste 133227, deram-te um número quando morreste 1869, entre um e outro fizeste por não ser um número, entre um e outro nunca foste um número, todos te conheciam pela figura e pelo carater.
querias que eu me comportasse 'nesta hora' com dignidade e discrição, e que fizesse por rir, eu não me esqueci da tua vontade pai e tentei, eu tentei.. mas tu mereces cada lágrima sentida. eu não sei se te mereci, se mereço agora estas lembranças boas, mas tentei pai, tentei merecer, tu sabes. e sabes o quanto te amei desde o 1º dia ao último, o quanto te amo e o quanto sou capaz de sofrer por ti. o quanto sou capaz de sofrer por ti pai.

boa viagem pai, agora estás dentro de mim num lugar sem janelas de onde nunca te deixarei cair, olha pelo nosso menino.

obrigada a todos, obrigada, obrig..

filha maria joão

11.8.11

e agora...

... vou de férias. chegou a minha vez (a vez da minha senha que tenho entre dedos há um bom par de meses, o papelinho está um bocado desfeito, a cor... verde? muito desbotada, mas ainda se vê o número da senha, senha número 39771... ), obviamente vou de férias para um destino todo salpicado de praias (medievais), e no regresso está prevista uma breve escala noutro maravilhoso destino de férias também ele geograficamente por baixo de um grande sol (pintado pelo Gaudí).

depois hei-de voltar aqui.. devagarinho.

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facebook parte II

no facebook acontecem 2 verbos que são da > importancia: o verbo comunicar e o verbo partilhar.

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Isto do facebook...

... é como um puzzle meu, não interessa (nem é sequer interessante) que tenha muitas peças (amigos), tem que ter as peças que encaixam. Muitas peças ficam de fora (não encaixam), algumas peças ficam de fora (não encaixam mesmo, nem à força), o puzzle no fim ficará com alguns lugares em branco (daqueles amigos que já tem demasiados pedidos de amizade :) daqueles que eventualmente nunca aceitaram o convite.

o (meu) puzzle não tem que ter muitas peças, tem que ter as peças que encaixam, umas nas outras, sem forçar, é a (grande, grande) vantagem de não ter fãs  :)

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9.8.11

e eu... digo-lhe que sim



gosto de cafe (curto, intenso a escaldar em chávena fria), gosto de ler e de escrever, de voar, de queijo (todos), do teatro! de voar (já tinha dito), de aviões (já tinha dito aviões?), de carros de F1, de assistir as corridas, gosto de groselhas, do cheiro da salva, de opera, do hard Rock café, das casas de fado, de fado, de sapatos, dos animais todos, dos Datsun 1000, de amoras silvestres (os cavalos e os golfinhos são os que gosto mais, mas gosto dos animais todos, ate de aranhas e galinhas), gosto das artes, das danças, mas mais ainda das crianças! gosto de calças de ganga, das cassetes de cartuxo, da view master, do speady gonzalez, gosto de rir, gosto de dormir com uma t shirt muito usada onde mal se le: "grey's anatomy", gosto de azul cor de petróleo, gosto de beijos, de sex_! mas o meu filho diz que tenho que gostar dele mais do que tudo na vida, e eu … digo-lhe que sim.

When someone is flirting with you...



Afixo aqui estes cartazes e depois é só mensagens na caixa do correio (o livro de exclamaçoes do blogue), com propostas de massagens, ou pior! alguém (muito parvo) a querer tirar-me o diabo do corpo :)


Afixo aqui estes cartazes e sou mal interpretada (devia fechar os comentários a este post por causa das tosses), e não devia (ser mal interpretada), eu só gosto do cartaz, acho mesmo, mesmo muita piada.


4.8.11

The heart in the middle, you see?




Michael Hutchence and Bono Vox "Slideaway"



Are you gonna wake again?

Are you gonna take it down?

Oh babe, I don't wanna deal it

Oh, make it alright

Gimme some, my love

Away, away, away



I just wanna slide away and come alive again

I just wanna slide away and come alive again

I will see that love again, and find a life again

I just wanna slide away and come alive again



I wanted to let it go

Just couldn't let it go

I wanted to let it go

Just couldn't let you go



I would catch you

(Just couldn't let you go)

I'd catch you as you fall

(Just couldn't let it go)

I would catch you

(Just couldn't let you go)

I'd catch you if I heard your call



But you tore a hole in space

Like a dark star, falls from grace

You burn across the sky

And I would find you wings to fly

And I would catch you

I would catch your fall



I just wanna slide away and come alive again

I just wanna slide away and come alive again

I will see that love again, and find a life again

I just wanna slide away and come alive again

Silly Season translate




Brincadeiras de Verão (II)


Extraído integralmente de http://pedroroloduarte.blogs.sapo.pt/

Pedro Rolo Duarte Quinta-feira, 4 de Agosto de 2011

"Como esta época do ano é propicia a leituras leves, e eu não quero que falte nada aos leitores deste blog, decidi coligir, para começo de conversa, um conjunto de frases habituais nas páginas da imprensa. E traduzi-las.

Constitui um código que os leitores habituais e os amigos compreendem, mas que aos incautos pode escapar. Agora já não escapa.

Assim, quando lerem...

O casal X está “numa cumplicidade crescente”, isso é = a: já se embrulharam e estão na fase de se deixarem fotografar. Algumas semanas mais tarde, a legenda será “já não escondem o amor que os une”.

A figura X afirma: “Estou disponível para o amor”. Isso é o mesmo que: “Por favor, alguém me pega?”. Ou: “Hello, não querem ser meus amigos no Facebook?”

Casal explica coisas: “Numa relação depois dos 40 anos, a amizade e o companheirismo ganham uma importância crucial”. Forma discreta de dizer: sexo, só uma vez por mês e é em anos bissextos...

Figura conhecida acima dos 30 anos afirma: “Já senti o apelo da maternidade”. Bandeira de alerta máximo levantada e um pensamento: “que se cuide o próximo, não tomo quaisquer medidas preventivas e quero mesmo ser mãe”.

Parte de casal explica longevidade do amor: “A nossa relação baseia-se em pilares muito fortes”. Ou seja, “eu tenho o dinheiro, ela tem a paciência”. Ou vice-versa.

Casal já com uns anitos declara: “O mais importante é o respeito e a amizade”. Isto quer dizer: já não te gramo nem com molho de tomate mas enquanto não me decido, dou entrevistas

Titulo longo - mas não incomum - de revista: “Indiferente às noticias sobre infidelidades do marido, ZZ descansa no Algarve”. Isto é recado para o infiel: “ou te chegas à frente com muito dinheiro ou esquece lá isso do divórcio”

Casal apanhado em noite algarvia: “Estamos bem e gostamos do que estamos a viver. O tempo dirá o resto”. Tradução simples: namoro de Verão

Claro que este é um caso típico de “work in progress”. Amanhã pode aparecer um título bombástico do género “O Amor não escolhe idades” e isso não quer necessariamente dizer José Raposo. Estar atento faz a diferença."

3.8.11

Jazz, ou o Auto-flagelo

Nunca gostei lá muito de Jazz.
E no entanto o Jazz faz-se acompanhar dos instrumentos que mais gosto de ouvir: o clarinete baixo, a bateria, o saxofone, o trompete, o vocal, não, os instrumentos que mais gosto são os timbales, a bateria, as guitarras e o vocal, assim é que é, mas também gosto de ouvir o clarinete baixo, o saxofone, o trompe...
E nunca gostei lá muito de Jazz e tenho pena.

Tudo é uma questão de treino (neste caso de ouvido), tenho ido aos treinos (Hot Clube) ao longo dos anos, mas gostar de Jazz é para mim um exercício muito... cansativo?

De modo que acabei de comprar 2 CD’ s de música Jazz: John Coltrane e Lester Young, só para me auto flagelar.

31.7.11

Merda! Sou lúcido

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"Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa

Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara,

Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele;

E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha

(Exceto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro:

Não sou parvo nem romancista russo, aplicado,

E romantismo, sim, mas devagar...).

Sinto uma simpatia por essa gente toda,

Sobretudo quando não merece simpatia.

Sim, eu sou também vadio e pedinte,

E sou-o também por minha culpa.

Ser vadio e pedinte não é ser vadio e pedinte:

E' estar ao lado da escala social,

E' não ser adaptável às normas da vida,

'As normas reais ou sentimentais da vida -

Não ser Juiz do Supremo, empregado certo, prostituta,

Não ser pobre a valer, operário explorado,

Não ser doente de uma doença incurável,

Não ser sedento da justiça, ou capitão de cavalaria,

Não ser, enfim, aquelas pessoas sociais dos novelistas

Que se fartam de letras porque tem razão para chorar lagrimas,

E se revoltam contra a vida social porque tem razão para isso supor.

Não: tudo menos ter razão!

Tudo menos importar-se com a humanidade!

Tudo menos ceder ao humanitarismo!

De que serve uma sensação se ha uma razão exterior a ela?

Sim, ser vadio e pedinte, como eu sou,

Não é ser vadio e pedinte, o que é corrente:

E' ser isolado na alma, e isso é que é ser vadio,

E' ter que pedir aos dias que passem, e nos deixem, e isso é que é ser pedinte.

Tudo o mais é estúpido como um Dostoiewski ou um Gorki.

Tudo o mais é ter fome ou não ter o que vestir.

E, mesmo que isso aconteça, isso acontece a tanta gente

Que nem vale a pena ter pena da gente a quem isso acontece.

Sou vadio e pedinte a valer, isto é, no sentido translato,

E estou-me rebolando numa grande caridade por mim.

Coitado do Álvaro de Campos!

Tão isolado na vida! Tão deprimido nas sensações!

Coitado dele, enfiado na poltrona da sua melancolia!

Coitado dele, que com lagrimas (autenticas) nos olhos,

Deu hoje, num gesto largo, liberal e moscovita,

Tudo quanto tinha, na algibeira em que tinha olhos tristes por profissão

"Coitado do Álvaro de Campos, com quem ninguém se importa!

Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo!

E, sim, coitado dele!

Mais coitado dele que de muitos que são vadios e vadiam,

Que são pedintes e pedem,

Porque a alma humana é um abismo.

Eu é que sei. Coitado dele!

Que bom poder-me revoltar num comício dentro de minha alma!

Mas até nem parvo sou!

Nem tenho a defesa de poder ter opiniões sociais.

Não tenho, mesmo, defesa nenhuma: sou lúcido.

Não me queiram converter a convicção: sou lúcido!

Já disse: sou lúcido.

Nada de estéticas com coração: sou lúcido.

Merda! Sou lúcido."

Fernando Pessoa in
"Álvaro de Campos cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa"

Dificuldade de governar de Bertolt Brecht

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1

Todos os dias os ministros dizem ao povo

Como é difícil governar. Sem os ministros

O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.

Nem um pedaço de carvão sairia das minas

Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda

Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra

Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol

Sem a autorização do Führer?

Não é nada provável e se o fosse

Ele nasceria por certo fora do lugar.

2

E também difícil, ao que nos é dito,

Dirigir uma fábrica. Sem o patrão

As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.

Se algures fizessem um arado

Ele nunca chegaria ao campo sem

As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,

De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que

Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?

Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.

3

Se governar fosse fácil

Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.

Se o operário soubesse usar a sua máquina

E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas

Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.

E só porque toda a gente é tão estúpida

Que há necessidade de alguns tão inteligentes.

4

Ou será que

Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira

São coisas que custam a aprender?

Voz: Mário Viegas in “O Operário Em Construção / País de Abril”

"Era uma vez um pintor que tinha um aquário"

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Herberto Helder in "Os Passos em Volta"
Voz: Mário Viegas