A Praça da Oliveira ou o Largo da Oliveira faz fronteira com a Praça de Santiago. A Praça da Oliveira era a parte rica da cidade onde viviam os nobres, a Praça de Santiago era a parte pobre, nem os pobres passavam de Santiago para a Oliveira nem os ricos passavam Oliveira e pisavam o chão de Santiago.
oreinabarriga
este blogue tem Livro de Exclamações
16.3.08
Aqui nasceu Portugal
O Castelo de Guimarães foi mandado edificar pela Condessa Mumadona Dias no Século X. Chamou-lhe então Castelo de São Mamede e com a criação desta fortaleza pretendeu proteger-se da sua condição de viúva e aos seis filhos, bem como das invasões dos Normandos (homens do Norte - antigo povo de navegadores e guerreiros, atacavam por terra e por mar usando técnicas upa, upa, vinham da Escandinávia, atendiam pelo nome de Vikings) e Muçulmanos. Passados 100 anos o conde D. Henrique, na posse do Condado Portucalense escolheu este castelo para se instalar e à sua corte. Mandou ampliar os muros e abrir mais duas portas: a principal, a oeste, que vigiava o burgo, e a de leste, chamada a porta da Traição.
Castelo de Guimarães
15.3.08
Depois conto como foi
14.3.08
Adeus mana
De madrugada veio um anjo buscá-la. Um anjo que teve pena de a ver assim tão doce, tão fraca, cansada do pesado fardo e levou-a enquanto dormia. Acho que ela nem deve ter dado pelo anjo, sentido aquela aragem morna (os anjos devem fazer uma leve aragem morna quando descem sobre e nós ou se levantam).
Foi Deus que a condenou à má sorte ou foi Deus que enviou um anjo? Para não ficar de mal com Deus, acredito que Ele não nos condena, tem antes piedade de nós e mandará buscar-nos assim que puder.
Eu tentei dezenas de vezes e não fui capaz de escrever um Post sobre Glioblastoma Grau IV, hoje apaguei definitivamente todos os rascunhos que tinha guardados, Post's com pesquisas sobre o tumor e alguns testemunhos que encontrei na net, escrevi sobre o Tb. Começava a escrever sobre a nossa mana mas quando dava por mim eram Tês atrás de Tês e não sei se tenho esse direito. Apaguei tudo. Escrevi-os aflita, espantei-os aliviada.
Coube-me o lugar ao lado de uma menina tão parecida com a nossa mana. Não sei se foi de propósito, nem sequer foi mau, mas quando olhava para ela de perfil (sentada na cadeira ao meu lado, na mesa do restaurante do Hotel) apanhava um susto breve, como aquela descarga que fazem as tomadas eléctricas dos telefones, aquilo não é um choque nem é nada, é um aviso, retraímos-nos pelo sim pelo não, é uma tomada de atenção, recolhemos logo a mão, defendemos-nos. Pelo sim pelo não quando olhava para ela era por pouco tempo e as minhas mãos, sobretudo a esquerda evitavam ir buscar a travessa ou a jarra do vinho sem precauções. Nem sequer foi mau, mas se eu me queria distrair e não ter nenhuma saudade de quem não conheci, tinha que tomar as devidas providências.
As bochechas e a boca eram iguais. Não sei se eram iguais. O nariz quase não se notava. Para mim eram iguais.
Emocionei-me quando olhei para a foto da nossa mana em cima de uma mesinha improvisada, em cima de um paninho limpo, ao lado uma cesta com rebuçados que sabiam a ervas daninhas. Vi uma mãe como eu naquela foto de epitáfio ainda com as cores apesar da má qualidade da impressão.
Uma vez escrevi que o medo que tenho de morrer é por não ter ainda reunido a quantidade de pessoas suficientes que me chorem. A nossa mana reuniu mais que a conta necessária.
13.3.08
sessão contínua
Boa eu?
Boa eu? A escrever?
Ó minha querida dinapinto@ tal e tal... eu sou é muito má a fazer contas! Nem calcula!
Logo
Mestre Foury
Com os seus resultados, adquiriu uma grande reputação.
Ora eu com os meus resultados apenas adquiri alguma reputação. E não é das melhores. De modo que logo para começar já valia a pena o custo da chamada.
Especialista em volta imediata da pessoa amada.
Bom, para isto não preciso da reputação do mestre, basta-me ligar para a Alves Ribeiro S.A., a telefonista de lá atende eu digo que sou a esposa e ela manda chamar o meu marido: - Querido vem já para casa que o assunto é pertinente. Já para trazer de volta imediata uma grande paixão isso já precisava do mestre para distrair o meu marido enquanto eu fazia a manobra.
Se o seu marido, esposa, namorado ou namorada vai com outro? Ele consegue os trazer de volta num prazo de 4 dias e voltará para sempre, ora aqui é que o mestre se revela de facto bom, não sei se é por modéstia que se apelida de médium, é de facto muito bom se conseguir fazer o trabalho em 4 dias porque 4 dias dá para ir tratar do passaporte, fazer as malas, a reserva e dar de frosques porque não é todos os dias que o nosso marido vai com outra e normalmente voltam no mesmo dia, ou seja, continua a haver roupa para lavar, jantar para fazer, peúgas para apanhar do chão e debaixo da cama, cabelos para recolher do lavatório e espuma da barba, de modo que se tivermos tempo e com a ajuda do mestre, quando eles voltarem já estamos longe. É bem feita. Também ajudo para exames (exames é contigo me'na Célia), sorte, emprego (isto é comigo, preciso urgentemente que o mestre me conserte a segurança social), amor, melhoria financeira, casamento, comércio, carta de condução (Zé Filipe, apontas-te o número do mestre não apontas-te?) problemas familiares e protecção.
Trabalhos garantidos de sucesso na mesma semana. Consultas todos os dias (não é como na caixa que as consultas são trimestrais). Facilidades de pagamento.
Av. General Humberto Delgado N.º 27 – 2º Esq. BELAS e ainda informa dos autocarros! 112 que é o que vai de Belas, da Avenida General Humberto Delgado à estação de Oeiras o 131 que vai da Estação de Queluz/ Massamá para a circulação (é o que está escrito no site da vimeca) o 179 que vai da Estação Queluz/ Belas para a Venda Seca e o 215 (que de acordo com o mesmo site não vai para lado nenhum e no site da carris também não o vejo)
Ainda bem que eu não aderi aos autocolantes amarelos: Publicidade aqui não! Ainda bem. Por esta altura estava este papelinho da sorte a bater à porta, que é como quem diz, na caixa de correio do vizinho e não é que eu não queira bem ao vizinho, mas francamente, já estava um bocadinho farta da sorte me bater à porta sempre que eu não estou em casa.
O Jogo do Contrário
12.3.08
Eu e a vida falamos (explicação)
E como é que se amua com a vida?
Eu cá deixo de lhe falar. Tem alturas que amuo por três dias. Consecutivos. Ali. Ela que venha falar comigo. Fazer as pazes. É verdade. Chego a estar três dias sem falar à vida. Eu explico melhor no Post seguinte (se me apetecer), agora vou fazer o jantar, mesmo que não tivesse o jantar para fazer não podia explicar melhor porque é uma coisa que leva tempo e acabei de receber uma mensagem do Blogger, vão desligar isto, para fazer manutenção, ora vejam :
Wednesday, March 12, 2008
Blogger will be unavailable Wednesday (3/12) at 7:00PM PDT for about 10 minutes for maintenance.
Posted by John at 11:37 PDT
Não filho!
Não atravesses fora da passadeira
Não andes nunca sozinho ou com os teus amigos por ruas desertas ou descampados, mesmo que seja mais perto.
Nunca entres num automóvel que não conheces filho, seja o que for que te peçam: uma informação,
seja o que for que te digam: que são amigos da mãe,
seja o que for que te ofereçam: aquilo que mais gostavas de ter.
Se te quizerem levar, grita filho, grita o mais alto que puderes e tenta fugir!
Fala, comunica, nunca te cales, nuncas escondas nada, fala com a mãe, o pai, os avós, com a Polícia, com os teus professores, com as senhoras auxiliares da escola, qualquer perigo ou anomalia de que tenhas conhecimento ou de que tenhas sido vítima. Não tenhas vergonha de nada, nem medo. Quem tem que ter vergonha e medo é quem porventura, te fez mal. Se a vítima for um amiguinho ou uma amiguinha, procede da mesma maneira.
Se estiveres só em casa não abras a porta a ninguém. A ninguém filho (bom, a não ser que o pai ou a mãe se tenham esquecido da chave). Se estiveres em casa sozinho e baterem na porta, nunca digas que não está mais ninguém em casa.
Evita a companhia de grupos de jovens (colegas ou não) que possam levar-te a cometer delitos (droga, actos de vandalismo, etc.). Lembra-te disto filho: Nunca faças nada que decepcione a mãe e serás um homem digno.
Tem cuidado e não brinques com objectos estranhos que encontrares abandonados pois podem ser perigosos (bombas, granadas, etc.). Muitos meninos já sofreram ferimentos graves, ficaram sem mãos por ter brincado com objectos aparentemente inofensivos ou aliciados pelos amigos e pelos colegas aos quais é sempre difícil dizer que não, não é filho? Mas dizer Não é preciso. Só tu sabes aquilo que te apetece fazer. "Não sei para onde vou, sei que não vou por aí."
Se te perderes não te afastes do lugar e não vás com ninguém sob nenhum pretexto, será mais fácil a tua localização. Tenta decorar a tua morada e o telefone da mãe e do pai.
Não forneças nunca informações sobre nós, da nossa casa a pessoas desconhecidas.
Evita provar drogas por curiosidade ou porque os teus amigos ou colegas o fazem. Essa primeira vez pode arrastar-te irremediavelmente para um drama que te envolve a ti, a tua família inteira e os teus amigos de verdade. Há tantas coisas para experimentar filho. Não queiras experimentar o que nos fará chorar todos os dias e que muitas vezes não tem remédio.
Diz sempre à mãe ou a quem estiver contigo para onde e com quem vais brincar. Com quem vais sair, com quem vais dormir, não há ninguém que respeite mais a tua liberdade e a tua privacidade que a mãe e o pai, só precisamos de saber onde estás, com quem estás para o caso de acontecer alguma coisa.
Não brinques com armas de fogo, mesmo que penses que estão descarregadas.
O cogumelo mágico
Esta variedade de cogumelos contém uma substância alucinogénica de nome Psilocibina que consta na Tabela II-A do Decreto-lei 15/93 de 22 de Janeiro (Lei da Droga).
Estes cogumelos apresentam-se normalmente sobre a forma seca (inteiros ou fatiados), de cor castanha, e a forma mais frequente de serem consumidos é a via oral (mascados) ou, mais raramente, na forma fumada.
A substância Psilocibina, cujos efeitos perduram entre 6 a 8 horas no corpo humano, actua como perturbadora do sistema nervoso central, provocando graves alterações na percepção da realidade (distorção do espaço, do movimento, das cores e dos cheiros), provocando enjoos, desconforto, insegurança e até pânico."
Mudam-se os tempos mudam-se as alucinações
- Ai Jorge! Se te apanho a fumar um charro ou a fazer uma chinesa outra vez levas uma galheta! E não te livras de eu contar tudo ao teu pai hein?
Depois:
- Ai Jorge! O teu pai que não te veja outra vez com a moca do Magic mushrooms!
Carjacking
Tatuagens de LSD
Curiosidades
Se fechou o carro e deixou a chave lá dentro pegue no telemóvel e ligue para alguém que tenha outro comando do seu carro, depois mantenha o seu telemóvel próximo da porta do carro e a pessoa que tem o seu outro comando deve accioná-lo encostando-o ao telefone. O carro abre assim, à distância, via telemóvel.
Se a bateria do seu carro descarregou, saiba que todos os telemóveis têm uma reserva de carga na sua bateria.
Ao digitar *3370# automaticamente é activada a reserva dando até cerca de 50% de energia adicional. Quando voltar a recarregar o telemóvel automaticamente voltará a carregar esse suplemento de energia podendo ser utilizado outra vez.
Como desactivar um telemóvel roubado?
Primeiro tem de saber o número de série do telemóvel (IMEI), para o encontrar digite: *#06# e
aparecem no mostrador 15 dígitos. Este é o número de série do telefone.
Escreva-o e guarde-o num lugar seguro, contacte a sua operadora para cancelar ou anular o telefone, depois de descativado, mesmo que troquem de cartão não funcionará.
Alerta para Pais e Educadores
-Os "amigos" on-line são, na realidade, completamente estranhos;
-Com o computador ligado à Internet podem-se praticar crimes em qualquer local do globo, bastando que haja do outro lado outro computador;
-Depois do encontro virtual segue-se o encontro físico (a título de exemplo, o recente assassinato das duas jovens em Inglaterra, foi precedido de conversação em Chat);
-Seria desejável que os seus filhos lhe comunicassem qualquer mensagem recebida de cariz insinuante, obscena, agressiva ou que sugira fins menos lícitos;
-Estabeleça limites horários na utilização da Internet; o uso excessivo da Internet no período da noite é indício e potenciador do problema;
-Garanta que os menores não divulguem on-line informação pessoal que as possam por em risco no mundo off-line;
-A Internet mal utilizada é espaço privilegiado para ofertas enganosas e aliciamento encoberto; lembre-os de que o bom e o fácil raramente andam juntos;
-Em caso de suspeita salvaguarde todos os elementos relativos à proveniência e conteúdo dos contactos;
Esclarece-se que a Polícia Judiciária, como legalmente lhe compete, está disponível em qualquer circunstância ou momento, para prevenir, investigar, acompanhar e encontrar o devido encaminhamento para situações deste tipo.
11.3.08
Comentários no Blogue
9.3.08
Teatro Infantil

É um dos mais belos contos da Literatura Portuguesa e um dos mais belos teatros que assisti. Os figurinos são fantásticos, as personagens: a cigana vendedeira, o Governo, o artesão velho, muito velho, ... são todos personagens populares, tradicionais Portuguesas, a peça começa com belos cantares Alentejanos, depois, Pedro a personagem principal, um menino de 7 anos que sonha alcançar uma estrela, vence o sono (personagem diabólico e engraçado ao mesmo tempo que oferece sonhos de todas as cores) e sobe ao alto da Igreja com a ajuda do cata vento para roubar a Estrela. Pedro teve que enfrentar várias sombras das quais não teve medo, o Miguel também não, apesar das silhuetas serem horríveis e pretas e ameaçarem o Pedro durante o seu intento. Pedro conseguiu roubar a Estrela mas foi descoberto, pelo velho muito velho, artesão da Aldeia e apesar de ser mais importante para a população o roubo da mula, das galinhas, (pelo Governo) do que o desaparecimento de uma estrela, ... Vão ver. Os pequeninosinhos e os maiorzinhos. Vergílio Ferreira é para todos assim como os sonhos, o Teatro e Lá Féria que continua a ser o único. Incansável. Inesgotável. Um obrigado muito grande, de braços abertos como faria a Amália por fazer teatro para todos, sem excepção, teatro popular, de qualidade, de prestígio internacional, obrigada pela perseverança e por dedicar toda a vida, toda a veia, todo o génio a Portugal e ao Teatro.
Horário da Bilheteira: De 3ª a Sábado entre as 13h30 e as 21h30 Domingo e 2ª entre as 13h30 e as 17h00 Preços: 1ª plateia: 12.50€ 2ª plateia: 10.00€1ª tribuna: 12.50€ 2ª tribuna: 10.00€ 1º balcão: 07.50€ 2º balcão: 07.50€
8.3.08
O Trabalho do Pai!
Dia da mulher
7.3.08
Devia haver em CD
Ler o Livro do desassossego de Bernardo Soares/ Fernando Pessoa - Editora Assírio & Alvim (de preferência), não é a mesma coisa, ler via net também não http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=24204 mas se quizerem tentar...
Fernando Pessoa está lá, o Carlos Paulo é que não! ... Está na Comuna.
O Palestrante
(As mal-casadas são todas as mulheres casadas e algumas solteiras.)
Livrai-vos sobretudo de cultivar os sentimentos humanitários. O humanitarismo é uma grosseria. Escrevo a frio, raciocinadamente, pensando em vosso bem-estar, pobres mal-casadas.
A arte toda, toda a libertação, está em submeter o espírito o menos possível, deixando ao corpo, que se submeta à vontade.
Ser imoral não vale a pena, porque diminui, aos olhos dos outros, a vossa personalidade, ou a banaliza. Ser imoral dentro de si, cercada do máximo respeito alheio. Ser esposa e mãe corporeamente virginal e dedicada, e ter, porém, contactos carnais inexplicáveis com todos os homens da vizinhança, desde os merceeiros até aos - eis o que maior sabor tem a quem realmente quer gozar e alargar a sua individualidade, sem descer ao método da criada de servir, que, por ser também delas, é baixo, nem cair na honestidade rigorosa da mulher profundamente estúpida, que é decerto filha do interesse.
Segundo a vossa superioridade, almas femininas que me ledes, sabereis compreender o que escrevo. Todo o prazer é do cérebro, todos os crimes, que se dão, é só em sonhos que se cometem! Lembro-me de um crime belo, real. Não o houve nunca. São belos os que nós não conhecemos. Bórgia cometeu belos crimes? Acreditai-me que não cometeu. Quem os cometeu belíssimos, profusos, frutuosos, foi o nosso sonho de Bórgia, foi a ideia de Bórgia que há em nós. Tenho a certeza que o César Bórgia que existiu era um banal e um estúpido, tinha de o ser porque existir é sempre estúpido e banal.
Dou-vos estes conselhos desinteressadamente, aplicando o meu método a um caso que me não interessa. Pessoalmente, os meus sonhos são de império e glória; não são sensuais de modo algum. Mas quero ser-vos útil, ainda que mais não seja, só para me arreliar, porque detesto o útil. Sou altruísta a meu modo.
Conselhos às mal-casadas
Proponho-me ensinar-lhes como trair o seu marido em imaginação.
Acreditem-me: só as criaturas ordinárias traem o marido realmente. O pudor é uma condição sine qua non de prazer sexual. O entregar-se a mais de um homem mata o pudor.
Concedo que a inferioridade feminina precisa de macho. Acho que, aomenos, se deve limitar a um macho só, fazendo dele, se disso precisar, centro de um círculo, de raio crescente, de machos imaginados.
A melhor ocasião para fazer isso é nos dias que antecedem os da menstruação.
Assim:
Imaginam o seu marido mais branco de corpo. Se imaginam bem, senti-lo-ão mais branco sobre si.
Retenham todo o gesto de sensualidade excessiva. Beijem o marido que lhes estiver em cima do corpo, e mudem com a imaginação o homem num olhar - lembrem quem lhes estiver em cima da alma.
A essência do prazer é o desdobramento. Abram a porta da janela ao Felino em vós.
Como tracasse o marido. Importa que o marido às vezes se zangue.
O essencial é começar a sentir a atracção pelas coisas que repugnam, não perdendo a disciplina exterior.
A maior indisciplina interior junta à máxima disciplina exterior compõe a perfeita sensualidade. Cada gesto que realiza um sonho ou um desejo, irrealiza-o realmente.
A substituição não é tão difícil como julgam. Chamo substituição à prática que consiste em imaginar-se a gozar com um homem A quando se está copulando com um homem B.
[Conselhos às mal-casadas]
Minhas queridas discípulas, desejo-lhes, com um fiel cumprimento dos meus conselhos, inúmeras e desdobradas volúpias com o, não nos actos do, animal macho a que a Igreja ou o Estado as tiver atado pelo ventre e pelo apelido.
É fincando os pés no solo que a ave desprende o voo. Que esta imagem, minhas filhas, vos seja a perpétua lembrança do único mandamento espiritual.
Ser uma cocotte, cheia de todos os modos de vícios, sem trair o marido, nem sequer com um olhar - a volúpia disto, se souberdes consegui-lo.
Ser cocotte para dentro, trair o marido para dentro, está-lo traindo nos abraços que lhe dais, não ser para ele o sentido do beijo que lhe dais - oh mulheres superiores, ó minhas misteriosas Cerebrais - a volúpia é isso.
Por que não aconselho eu isto aos homens também? Porque o Homem é outra espécie de ente. Se é inferior, recomendo-lhe que use de quantas mulheres puder: faça isso e sirva-se do meu desprezo quando. E o homem superior não tem necessidade de nenhuma mulher. Não precisa de posse sexual para a sua volúpia. Ora a mulher, mesmo superior, não aceita isto: a mulher é essencialmente sexual."
Homem/ Mulher vendo-se ao espelho
Possuímos a alma? Ouve-me em silêncio: Nós não a possuímos. Nem a nossa alma é nossa sequer. Como, de resto, possuir uma alma? Entre alma e alma há o abismo de serem almas’.
Que possuímos? que possuímos? Que nos leva a amar? A beleza? E nós possuímo-la amando? A mais feroz e dominadora posse de um corpo o que possui dele? Nem o corpo, nem a alma, nem a beleza sequer. A posse de um corpo lindo não abraça a beleza, abraça a carne celulada e gordurosa; o beijo não toca na beleza da boca, mas na carne húmida dos lábios perecíveis e mucosas; a própria cópula é um contacto apenas, um contacto esfregado e próximo, mas não uma penetração real, sequer de um corpo por outro corpo... Que possuímos nós? que possuímos?
As nossas sensações, ao menos? Ao menos o amor é um meio de nos possuirmos, a nós, nas nossas sensações? é, ao menos, um modo de sonharmos nitidamente, e mais gloriosamente portanto, o sonho de existirmos? e, ao menos, desaparecida a sensação, fica a memória dela connosco sempre, e assim, realmente possuímos...
Desenganemos até disto. Nós nem as nossas sensações possuímos. Não fales. A memória, afinal, é a sensação do passado... E toda a sensação é uma ilusão."
A criança orfã
Mas às vezes sou diferente, e tenho lágrimas, lágrimas das quentes dos que não têm nem tiveram mãe; e meus olhos que ardem dessas lágrimas mortas ardem dentro do meu coração.
Não me lembro da minha mãe. Ela morreu tinha eu um ano. Tudo o que há de disperso e duro na minha sensibilidade vem da ausência desse calor e da saudade inútil dos beijos de que me não lembro. Sou postiço. Acordei sempre contra seios outros, acalentado por desvio.
Ah, é a saudade do outro que eu poderia ter sido que me dispersa e sobressalta! Quem outro seria eu se me tivessem dado carinho do que vem desde o ventre até aos beijos na cara pequena?
Talvez que a saudade de não ser filho tenha grande parte na minha indiferença sentimental. Quem, em criança, me apertou contra a cara não me podia apertar contra o coração. Essa estava longe, num jazigo – essa que me pertenceria, se o Destino houvesse querido que me pertencesse.
Disseram-me, mais tarde, que minha mãe era bonita, e dizem que, quando mo disseram, eu não disse nada. Era já apto de corpo e alma, desentendido de emoções, e o falarem ainda não era uma notícia de outras páginas difíceis de imaginar.
Meu pai, que vivia longe, matou-se quando eu tinha três anos e nunca o conheci. Não sei ainda por que é que vivia longe. Nunca me importei de o saber. Lembro-me da notícia da sua morte como de uma grande seriedade às primeiras refeições depois de se saber. Olhavam, lembro-me, de vez em quando para mim. E eu olhava de troco, entendendo estupidamente. Depois comia com mais regra, pois talvez, sem eu ver, continuassem a olhar-me.
Sou todas essas coisas, embora o não queira, no fundo confuso da minha sensibilidade fatal.
O relógio que está lá para trás, na casa deserta, porque todos dormem, deixa cair lentamente o quádruplo som claro das quatro horas de quando é noite. Não dormi ainda, nem espero dormir. Sem que nada me detenha a atenção, e assim não durma, ou me pese no corpo, e por isso não sossegue, jazo na sombra, que o luar vago dos candeeiros da rua torna ainda mais desacompanhada, o silêncio amortecido do meu corpo estranho.
Nem sei pensar, do sono que tenho; nem sei sentir, do sono que não consigo ter.
Tudo em meu torno é o universo nu, abstracto, feito de negações nocturnas. Divido-me em cansado e inquieto, e chego a tocar com a sensação do corpo um conhecimento metafisico do mistério das coisas.
Por vezes amolece-se-me a alma, e então os pormenores sem forma da vida quotidiana bóiam-se-me à superfície da consciência, e estou fazendo lançamentos à tona de não poder dormir. Outras vezes, acordo de dentro do meio-sono em que estagnei, e imagens vagas, de um colorido poético e involuntário, deixam escorrer pela minha desatenção o seu espectáculo sem ruídos. Não tenho os olhos inteiramente cerrados. Orla-me a vista frouxa uma luz que vem de longe; são os candeeiros públicos acesos lá em baixo, nos confins abandonados da rua.
Cessar, dormir, substituir esta consciência intervalada por melhores coisas melancólicas ditas em segredo ao que me desconhecesse!... Cessar, passar fluido e ribeirinho, fluxo e refluxo de um mar vasto, em costas visíveis na noite em que verdadeiramente se dormisse!... Cessar, ser incógnito e externo, movimento de ramos em áleas afastadas, ténue cair de folhas, conhecido no som mais que na queda, mar alto fino dos repuxos ao longe, e todo o indefinido dos parques na noite, perdidos entre emaranhamentos contínuos, labirintos naturais da treva!... Cessar, acabar finalmente, mas com uma sobrevivência translata, ser a página de um livro, a madeixa de um cabelo solto, o oscilar da trepadeira ao pé da janela entreaberta, os passos sem importância no cascalho fino da curva, o último fumo alto da aldeia que adormece, o esquecimento do chicote do carroceiro à beira matutina do caminho... O absurdo, a confusão, o apagamento - tudo que não fosse a vida... E durmo, a meu modo, sem sono nem repouso, esta vida vegetativa da suposição, e sob as minhas pálpebras sem sossego paira, como a espuma quieta de um mar sujo, o reflexo longínquo dos candeeiros mudos da rua.
Durmo e desdurmo.
Do outro lado de mim, lá para trás de onde jazo, o silêncio da casa toca no infinito. Oiço cair o tempo, gota a gota, e nenhuma gota que cai se ouve cair. Oprime-me fisicamente o coração físico a memória, reduzida a nada, de tudo quanto foi ou fui. Sinto a cabeça materialmente colocada na almofada em que a tenho fazendo vale. A pele da fronha tem com a minha pele um contacto de gente na sombra. A própria orelha, sobre a qual me encosto, grava-se-me matematicamente contra o cérebro. Pestanejo de cansaço, e as minhas pestanas fazem um som pequeníssimo, inaudível, na brancura sensível da almofada erguida. Respiro, suspirando, e a minha respiração acontece - não é minha. Sofro sem sentir nem pensar. O relógio da casa, lugar certo lá ao fundo das coisas, soa a meia hora seca e nula. Tudo é tanto, tudo é tão fundo, tudo é tão negro e tão frio!"
O Revoltado
O guarda-livros
Mas de repente, e no próprio imaginar, que fazia num café no feriado modesto do meio-dia, uma impressão de desagrado me assaltou o sonho: senti que teria pena. Sim, digo-o como se o dissesse circunstanciadamente: teria pena. O patrão Vasques, o guarda-livros Moreira, o caixa Borges, os bons rapazes todos, o garoto alegre que leva as cartas ao correio, o moço de todos os fretes, o gato meigo - tudo isso se tornou parte da minha vida; não poderia deixar tudo isso sem chorar, sem compreender que, por mau que me parecesse, era parte de mim que ficava com eles todos, que o separar-me deles era uma metade e semelhança da morte.
Aliás, se amanhã me apartasse deles todos, e despisse este trajo da Rua dos Douradores, a que outra coisa me chegaria - porque a outra me haveria de chegar?, de que outro trajo me vestiria - porque de outro me haveria de vestir?
Todos temos o patrão Vasques, para uns visível, para outros invisível. Para mim chama-se realmente Vasques, e é um homem sadio, agradável, de vez em quando brusco mas sem lado de dentro, interesseiro mas no fundo justo, com uma justiça que falta a muitos grandes génios e a muitas maravilhas humanas da civilização, direita e esquerda. Para outros será a vaidade, a ânsia de maior riqueza, a glória, a imortalidade... Prefiro o Vasques homem meu patrão, que é mais tratável, nas horas difíceis, que todos os patrões abstractos do mundo.
Considerando que eu ganhava pouco, disse-me o outro dia um amigo, sócio de uma firma que é próspera por negócios com todo o Estado: "você é explorado, Soares". Recordou-me isso de que o sou; mas como na vida temos todos que ser explorados, pergunto se valerá menos a pena ser explorado pelo Vasques das fazendas do que pela vaidade, pela glória, pelo despeito, pela inveja ou pelo impossível.
Há os que Deus mesmo explora, e são profetas e santos na vacuidade do mundo.
E recolho-me, como ao lar que os outros têm, à casa alheia, escritório amplo, da Rua dos Douradores. Achego-me à minha secretária como a um baluarte contra a vida. Tenho ternura, ternura até às lágrimas, pelos meus livros de outros em que escrituro, pelo tinteiro velho de que me sirvo, pelas costas dobradas do Sérgio, que faz guias de remessa um pouco para além de mim. Tenho amor a isto, talvez porque não tenha mais nada que amar - ou talvez, também, porque nada valha o amor de uma alma, e, se temos por sentimento que o dar, tanto vale dá-lo ao pequeno aspecto do meu tinteiro como à grande indiferença das estrelas.
O Mendigo
Para quê?
Para quê uma alma tão grande e tudo se tudo e tanta alma não cabem dentro de mim?
(Pronto, venham lá os mais sete anos de desassossego...)
Adoro a rotina...
Sim, a Arte, que mora na mesma rua que a Vida, porém num lugar diferente, a Arte que alivia da vida sem aliviar de viver, que é tão monótona como a mesma vida, mas só em lugar diferente. Sim, esta Rua dos Douradores compreende para mim todo o sentido das coisas, a solução de todos os enigmas, salvo o existirem enigmas, que é o que não pode ter solução”.
5.3.08
Mapa
E o que é a amizade?
4.3.08
Cães Danados
Eu não mordo desde 1977 quando a minha mãe foi chamada à escola porque eu tinha dado uma dentada num colega de carteira. Na testa. Dei-lhe uma dentada na testa. Por que a ter sido numa perna ou numa orelha a Senhora Professora D. Maria do Pilar nem se tinha dado ao trabalho de mandar chamar a minha mãe.
É que eu era da qualidade, quando muito, Caniche, o meu porte não chegaria para assustar um gato maricas e a um caniche que lhe dá para arreganhar o dente ninguém faz caso e se o caniche morder alguém, leva um pontapé e fica logo o assunto arrumado. Ora, para dar um pontapé a um rottweiler é preciso pensar duas vezes, uma pessoa habilita-se a ficar toda esfarrapada, ou até mesmo sem um bocado.
Diz a Lei que o proprietário de um animal potencialmente perigoso tem de ser maior de idade e deve entregar na junta de freguesia da sua área de residência um atestado de capacidade física e psíquica e registo de criminal limpo. Era bem feito se as leis se cumprissem. Estávamos safos e andávamos mais sossegados. Mas até podem colocar um chip em cada cão de fila brasileiro, dogue argentino, pit bull terrier, rottweiler, staffordshire terrier americano, staffordshire bull terrier e tosa inu que eu continuo a andar sobressaltada e o meu coração dispara, qualquer dia rebenta pelas costuras, quando vejo umas destas raças de cães a piscar-me o olho, pior, a piscar o olho ao meu pequeno filho.
-Ele não faz mal.
-E se eu amanhã passar à sua porta (isto sou eu a falar, suponhamos, com o autor da frase estúpida) com o meu crocodilo sem trela e sem açaime?
- Ah, isso já é diferente! (isto era a pessoa a tentar estabelecer uma espécie de diálogo)
- Ai é diferente? Não sei porquê. O meu crocodilo também não faz mal a ninguém e gosta de crianças. Toda a vida gostou de crianças, é um crocodilo muito meigo, já o tenho desde pequenino. Já almoçou, esteja descançado e é muito bem tratado, ah, e não o treinamos para lutar.
O que acontece é que os animais (tal como nós, tal como eu na primária, tão boa pequena, tão sossegada e de repente mordi um colega de carteira), que não somos treinados para lutar, que tomamos a nossa ração diária e não temos fome, que se não nos chatearem a molécula não mostramos o nosso lado irracional, a nossa agressividade, o picantropo que há em nós, a navalha, a caçadeira, mas isto é só até um dia. É só até um dia. Não me venham com conversas. Garantias. De boca. Não vos conheço de lado nenhum. As imagens que vejo, as notícias dos jornais que leio, os relatos de pessoas que sofreram ataques desses cães, ataques violentos, impressionantes, com consequências horríveis, que morreram ou ficaram marcadas para sempre, já para não falar no trauma, chegam para que não compreenda como continua a haver pessoas portadoras destes animais, mesmo que ao abrigo da Lei. Os vizinhos não são sempre os melhores vizinhos até esfaquearem a mulher e os filhos? O rapaz não era um bom rapaz, um filho exemplar até pegar numa caçadeira e começar a disparar no café em todas as direcções? O cão também não era um bom cão, meiguinho e tudo até ao dia em que comeu a cabeça de uma menina e foi abatido?
NÃO compreendo.
"A minha mãe levou a Eva ao colo até à viatura, a pouco mais de 20 metros da casa e colocou-a no chão para ajeitar a cadeirinha. A miúda começou a chorar e foi nessa altura que o cão se aproximou dela, cheirou-a e atacou-a subitamente", relatou o tio da Eva, sublinhando que "foi tudo horrível, um verdadeiro filme de terror, com a minha mãe a tentar desesperadamente afastar o Apolo da menina, deitando-se por cima dela para a proteger". André estava em casa e assim que ouviu os gritos correu imediatamente em direcção ao carro, tendo conseguido afastar o cão, o qual, "repentinamente, ficou dócil como sempre foi. Não sei o que terá acontecido", relatou, argumentando que "o comportamento do animal pode ter a ver com o facto de ele saber que é preso sempre que a minha sobrinha sai à rua". In Diário de Notícias 15 de Fevereiro de 2008
Estas são raças de cães perigosos. E são assim consideradas pela Lei Portuguesa, incluindo os cruzamentos de primeira geração destas, os cruzamentos destas entre si ou cruzamentos destas com outras raças.1. Rotweiller
2. Staffordshire terrier americano
3. Pit bull terrier
4. Dogue argentino
5. Tosa inu Japonês
6. Cão de fila brasileiro
7. Staffordshire bull terrier
Não há problema
- Miguel, tu espalhas-te todos os brinquedos filho!
- Não há publeeeeema. Ó mãe, não há publeeeeeema.
- Anda lavar a dentuça, vá.
- Não é bizizo.








