oreinabarriga
este blogue está protegido pelos direitos de autor © todos os direitos reservados ao autor designado como carmina burana. a cópia não autorizada de conteúdos de propriedade intelectual e criativa protegidos pelos direitos de autor é ilícita e pode fazê-lo incorrer a si em processos civis e criminais ao abrigo da lei 16/2008 de 1 de abril.
este blogue tem Livro de Exclamações
30.12.08
Bom ano!
Bom ano! aos amigos, aos que vão estar comigo na passagem e aos que não vão estar comigo na passagem (estão na minha cabeça, coitados, no meio desta grande confusão e estão no meu coração que é parte boa, ao menos podem mexer-se à vontade, o coração é de tecido muscular e elástico). Aos amigos virtuais, aos comentadores, aos leitores, aos novos leitores (é tão bom ter novos leitores!), aos que estão perto, aos que estão longe, à distância de um oceano ou de uma fronteira (a ausência presencial só tem alimentado este amor intenso que sinto por vocês). Bom ano! à minha família (eu não tenho chatos na família, digo isto, mesmo que ninguém acredite, porque há sempre um chato na família, um que seja, costuma haver, mas eu não tenho chatos na família, nem do lado do pai, nem do lado da mãe), é sempre uma dor enorme quando perdemos um, é sempre uma alegria imensa quando nasce mais um (e há tantas crianças na nossa família! mas não são chatas, digo isto mesmo que ninguém acredite porque as crianças são todas chatas, mesmo as mais anjinhas costumam ser todas chatas mas na minha família não há crianças chatas, nem do lado do pai, nem do lado da mãe) e é sempre um prazer quando nos encontramos (a propósito, quando é que fazemos o tal encontro? anual? de primos? ã?), quando há chatos na família, estes, estão sempre a combinar almoços e jantares e depois há aquela coisa de retribuir (obrigação?), nós, aparecemos e é sempre uma surpresa, é sempre uma surpresa boa (mas arranjarmos para aí uma data para o encontro de primos também era boa). A minha família é unida. Não é peganhenta. É unida. Bom ano! aos meus colegas todos e em particular aos meus ex-colegas todos porque os meus colegas levam comigo todos os dias e podemos chamar a isso "ossos do ofício" os meus ex-colegas levam comigo na mesma e não sei o que hei de chamar a isso e à vezes nem sei o que fiz para o merecer. Bom ano! aos médicos dos hospitais e aos médicos sem fronteiras, aos enfermeiros, aos bombeiros e aos missionários. E desejo a todos que para o ano dêem mais, gostem mais, beijem mais, liguem mais (aos pormenores, a quando estiverem bem, às lembranças, ao céu e ao cimo das coisas, andamos sempre de cabeça baixa na rua, de repente se nos perguntarem, somos capazes de nem saber a cor do prédio do lado, nem saber da beleza que há numa varanda de ferro forjado ou num candeeiro antigo, não damos pelas cegonhas fazerem o ninho nas chaminés das fábricas nem as andorinhas nos beirais, e tudo isto tem tanta importância como reparar nas pedras da calçada e em todas as flores e aves pequeninas. Se a olhar para cima pisarem cocó é sinal de sorte, dizem que é sinal de sorte), riam, chorem mais também, porque viver assim é a única maneira que eu conheço que funciona, para ser mais feliz, receber a dobrar e para terem mais coisas boas.
..
P.S.: voltem para o ano, voltem sempre, venham sempre, aqui, não é por nada, é só porque eu tenho medo, sempre tive, de estar sózinha, só isso.
Publicado por
Carmina Burana
| Livro de Exclamações:
Há 27 comentários no livro de exclamações clique no titulo do Post para exclamar ou ver
29.12.08
Trabalho? Qual trabalho pai?
O meu pai tem dito por estes dias uma frase mais ou menos assim:
- O pai está a dar muito trabalho não é filhica?
Não pai, não estás a dar trabalho nenhum. E se um dia deres, não faz mal, eu estou cá pai. Mas não, não tens dado trabalho nenhum, tu só me dás alegrias pai (fazes-me rir! e andar em frente) e eu estou feliz onde tu estiveres, e sou feliz se tu estiveres bem e estarei sempre contigo porque tu estás à frente, estás à frente do meu trabalho, estás à frente das outras coisas, tu és tu pai, o meu paizito! O meu paizito.
Trabalho? Qual trabalho pai? Ai, ai...
As coisas boas e as coisas assim assim
O meu pai (o avô João) foi operado no dia 17 de Dezembro, salvo pequenas complicações, foi uma coisa boa. Bloco operatório, uma noite nos cuidados intermédios e regressou a casa no dia 18 bem humorado e sem queixinhas (o meu pai está sempre bem humorado e nunca faz queixinhas, eu e a minha mãe - a avozinha Ana, temos que adivinhar se lhe dói alguma coisa, o que vale é que temos um dedo que adivinha).
Dia 22 a enfermeira Joana do posto médico fez uma cara feia ao meu pai quando lhe viu os pontos. Voltámos à cirurgia B do hospital. O cirurgião, a olho, disse ao meu pai que "estava tudo bem", não foi bem a olho, o meu pai diz que também foram umas apalpadelas (mas o meu pai nunca se queixa e deve mas é ter sido um dedo que o médico pensa que tem, daqueles que adivinham). Ontem foi domingo e era domingo de tirar os pontos, para complicar um bocadinho aquilo que parecia simples (porque "estava tudo bem") um dos pontos infetou e como o cirurgião estava de banco fomos parar às urgências do hospital...
"As Urgências dos Hospitais públicos da região de Lisboa
estão entupidos, com grandes períodos de espera e tudo devido a um surto de
gripe (...) O Hospital Amadora-Sintra regista um tempo de espera de 12 horas
para os casos urgentes e muito urgentes (...)"fonte rtp.
"A gripe está a provocar o caos nas urgências dos centros de
saúde e hospitais portugueses (...) As autoridades pedem prudência e bom
senso à população (...) 17 mil episódios de procura nos hospitais e 20 mil
nos centros de saúde, são números que estão a deixar a unidades à beira da
ruptura. A Direcção-Geral de Saúde (DGS) apela para que "se deixem os serviços de
urgência libertos para os doentes prioritários que podem correr risco de vida
(...)".fonte radioclube.clix.pt
E o cirurgião manda o meu pai para as urgências para apanharmos todos gripe?! perdão, digo: para tratar de um ponto infetado??
Assistimos de facto a um surto de gripe, muitas ambulâncias a largar crianças e idosos nas urgências do hospital. Haviam os acidentes graves, de viação, das bulhas, vasculares cerebrais e cardíacos mas também (faz parte) haviam por ali umas dores num pré molar esquerdo que migravam até ao joanete do pé direito, umas insónias... O nosso mal até pode ser menor, mas agrava-se com as horas que ali passamos de pé, ou de um lado para o outro, a enganar o estômago com um chá da máquina, sobretudo os meus pais que têm 70 anos (os meus pais nunca se queixam, nem de fome, nem de espera nem de terem 70 anos, mas eu tenho um dedo que adivinha, que adivinha que a tensão arterial está sempre a subir, a diabetes do meu pai também e o cansaço...), o nosso mal até pode ser menor mas agrava-se a assistirmos ao sofrimento dos outros, às entradas na reanimação, às visitas que choram ao telemóvel... Os vigilantes, auxiliares e pessoal administrativo do hospital são todos simpáticos e prestam todas as informações que precisamos, são os que "levam" com as reclamações, com os gritos e ameaças das pessoas que no meio de algum desespero, se revoltam e mesmo que não tenham razão, têm desculpa porque "aquilo dá cabo dos nervos", "aquilo dá cabo da paciência", "aquilo dá cabo de nós". Quanto aos médicos, os que têm a faca e o queijo, os que têm a ciência e a força necessária para pôr aquilo tudo a andar sobre rodas, a funcionar em condições, sem esperas, melhor organizado (não havia uma sala de tratamentos em todo o hospital onde o médico pudesse tratar de um ponto infetado? tinha que ser no banco de urgências? apesar do alerta da DGS para que se deixem libertos os serviços de urgência para os casos mais graves?), quanto aos médicos, são os que caminham devagar pelos corredores e reagem devagar na sala de consultas, são os capazes de não destapar um penso para ver melhor, são os capazes de nos mandar embora, dizer que está tudo bem e nem sequer é para darem cabo da fila de espera lá fora, são os capazes de ir mudar de bata às 11 horas e só regressarem às 4 da tarde, são os que têm a faca e o queijo na mão e pouca vontade, parece-me, mas como tenho um respeito enorme por médicos e enfermeiros e auxiliares, por bombeiros e porque o meu pai é que quem tem um ponto infetado e lhe quiseram espetar com uma gripe em cima e não se queixa, eu também não me quero aqui queixar (apenas ando um bocado cansada), prefiro acreditar que esta maneira "sossegada", "despreocupada" de serem tem mesmo que ser assim, é um mecanismo de auto-defesa para se manterem bem, porque se eles (médicos, enfermeiros) não estiverem bem, quem cuidará de nós? Prefiro enaltecer-lhes o dom (quase todos têm o dom, a maior parte eu diria) e a faculdade. Por "este" e por "aquele" motivo (não gosto de falar em doenças), temos recorrido quase diariamente (e alternadamente) ao posto médico e ao hospital, este mês de Dezembro tem sido assim e ainda não terminou a romaria, de modo que parece-me mais justo ser-lhes grata, até porque estamos na época do ano em que todos os que têm família desejam estar com a família (e estão com a família), daqui a nada estamos no ano novo que é época do ano em que todos os que têm amigos querem estar com os amigos (e vão estar com os amigos), e vão sobrar os médicos, os auxiliares, os enfermeiros, os bombeiros (...) que estão lá sempre, a trabalhar, por nós, a zelar por todos e se for preciso, a salvar as nossas vidas, a nossa família e os nossos amigos.
A reclamar, prefiro reclamar que fui a três ou quatro casas de banho no hospital e na primeira faltava sabão para lavar as mãos e papel higiénico, na segunda faltava sabão, papel higiénico e as torneiras, e por aí a adiante (caramba! num hospital não há sabão para lavar as mãos??) e também me apetece dizer Bolas! e agora quem é que me ajuda a fazer o meu trabalho (eu trabalho!) no emprego? depois de todas as tardes e dias inteiros passados no posto médico e nas urgências do hospital a testar a minha (nossa) resistência aos vírus da gripe?
A reclamar, prefiro reclamar que fui a três ou quatro casas de banho no hospital e na primeira faltava sabão para lavar as mãos e papel higiénico, na segunda faltava sabão, papel higiénico e as torneiras, e por aí a adiante (caramba! num hospital não há sabão para lavar as mãos??) e também me apetece dizer Bolas! e agora quem é que me ajuda a fazer o meu trabalho (eu trabalho!) no emprego? depois de todas as tardes e dias inteiros passados no posto médico e nas urgências do hospital a testar a minha (nossa) resistência aos vírus da gripe?
Foram as coisas boas e as coisas assim assim do meu Dezembro (que me fizerem andar um bocadinho longe do blogue também e este post não é melhor porque eu não gosto de falar nisto).
Este ano o meu Feliz natal! foi para Eles (médicos e pessoal dos hospitais). Este ano, o meu bom ano novo! vai para Eles (e para a minha familia, lá chegarei. Os amigos estão sempre presentes de uma maneira ou de outra, não preciso fazer um post, pois não? :)).
Publicado por
Carmina Burana
| Livro de Exclamações:
Há 16 comentários no livro de exclamações clique no titulo do Post para exclamar ou ver
26.12.08
Televisão desligada, crise apagada.
A televisão acende sempre na miséria humana. Mudo de canal e está um casal com 4 filhos à mesa a lamentar-se de ter prescindido do carro, do telemóvel e das bolachas de marca. Em rodapé lê-se que a situação de crise levou mais uma fábrica a fechar e a levar centenas de trabalhadores para o desemprego antes do subsidio de natal, trata-se de uma fábrica de cortiça (quando não é de cortiça é têxtil, ou de calçado, ou de peixe, é daquilo que sabemos fazer melhor, não, aquilo que sabemos fazer melhor, antes da cortiça, dos sapatos, ... é dar cabo daquilo que temos de melhor). Tive mesmo que desligar o aparelho. Ainda esperei que a notícia do rodapé volta-se a dar em rodapé porque achei que tinha lido mal, quem deve ter levado a fábrica à falência foi o patrão da fábrica mas não li mal não, foi mesmo uma tal de "situação de crise". Tive mesmo que desligar o aparelho. Estas coisas pegam-se. Esta espécie de gripe dos jornalistas pega-se de uma maneira que se não desligamos imediatamente o aparelho o vírus contamina-nos e ficamos como o aproveitador do governo, que vê aquelas coisas na televisão (e chamem-no lá parvo) e ameaça logo que 2009 é ano de "apertar o cinto", "vêm aí tempos difíceis" como quem diz: o governo é bom, toda a desgraça a partir de agora é culpa da crise europeia e mundial. Pior! Podemos ficar como os empresários e donos de bancos, que aproveitam a espécie de gripe dos jornalistas, os primeiros para despedir os trabalhadores, não aumentar os salários nem dar formação ou melhores condições de trabalho, os segundos para pedir injecções de capital (chamem-nos lá parvos).
Experimentem desligar a televisão. Protegerem-se da espécie de gripe. Protegerem-se dos aproveitadores. Experimentem. E não sentirão crise nenhuma de especial. A gasolina está mais barata que nunca, as taxas de juro estão em queda livre (somos um país atrasado, quando a crise europeia e mundial cá chegar já o resto do mundo está em pé, curado e esquecido, com a vantagem que a crise é como um furação, arrasa tudo e vai perdendo força, se não ligarmos a televisão neste entremeio, quando a crise chegar já vem fraquinha, podemos pegar nela e mete-la num frasco e por uma rolha bem metida no frasco e despachá-la) e há subsídios de todas as qualidades e não é preciso ir à junta, nem à escola, nem à rodoviária, nem à segurança social fazer o pino, é só levantar a mão (e fazer um ar desolado, não se perde nada em fazer um ar desolado quando se trata de pedir um subsidio, se quiserem também podem lamentar que já só comem bolachas sem ser de marca, mas garanto que não é necessário chegar a tanto).
Publicado por
Carmina Burana
| Livro de Exclamações:
Há 4 comentários no livro de exclamações clique no titulo do Post para exclamar ou ver
15.12.08
Carros mal estacionados
É carros mal estacionados por todo o lado! É impossível circular!
Há espaço, há lugar, há garagens, há garagens com andares e é carros por todo o lado!
É na sala, é na casa de banho, é na cozinha é no escritório, no quarto do Miguel então nem se fala (para além de carros há aviões e comboios, tratores, todos mal estacionados). É impossível circular cá em casa (sim, o Miguel já está bom da infeção urinária e a constipação também já está a passar). Eu cá não apanho os carros porque as mulheres são atadinhas a estacionar. O pai diz que as mulheres não sabem arrumar carros, o Miguel também não sabe, se soubesse estacionar, quando acabasse de brincar, estacionava os carros todos como deve de ser, como não sabe é o pai que logo quando vier do trabalho, vai estacioná-los todos (já que as mulheres são umas aselhas e ele é o melhor a arrumar um carro em condições).
Publicado por
Carmina Burana
| Livro de Exclamações:
Há 4 comentários no livro de exclamações clique no titulo do Post para exclamar ou ver
12.12.08
A infeção
O Miguel tem uma infeção urinária. Passámos um dia no hospital a fazer exames e desde ontem que está medicado, vai passar, hoje acordou constipado (muito constipado), depois do que passámos por causa da infeção urinária: o xixi que ardia, as dores insuportáveis, uma constipação...
- Isso filho, faz sofrer a mãe.
Publicado por
Carmina Burana
| Livro de Exclamações:
Há 5 comentários no livro de exclamações clique no titulo do Post para exclamar ou ver
9.12.08
Parabéns mãezinha
A minha mãe faz anos hoje. 73. A minha mãe é a avozinha Ana do Miguel. A minha mãe é tão importante na minha vida, nas nossas vidas... representa a força e também o nosso colo, é a nossa fortaleza. Nós somos uma árvore e ela é o tronco dessa árvore. Nunca se cansa. A minha mãe nunca se cansa. Ontem foi feriado e eu podia ter dormido até ao meio-dia, o Ricardo e o nosso menino tinham ido para a Sertã e a minha mãe fez o favor de cá vir a casa ainda não eram 10 da manhã para me entregar uns pratos e umas travessas que tinha lá em casa e eu que não durmo até ao meio-dia desde que o meu filho nasceu e também ainda não foi desta porque a minha mãe tinha lá uns pratos e umas travessas... coisas de enxoval, coisas de mãe! e quando me tocou à campainha ainda não eram 10 da manhã só me apeteceu... bom, adiante, este post é para dizer que amo a minha mãe e podes acordar-me de dia, de noite, podes trazer os pratos que tenhas lá em casa à hora que te der na veneta, tudo o que faço por ti, até acordar miseravelmente a um feriado de manhã por causa dos pratos que ainda por cima são uma coleção medonha de pratos, não representa nenhum sacrifício, é por amor mãe.
A propósito...
... do que os olhos não vêem o coração não sente, acho condenável vestir ou usar peles de animais que são propositadamente mortos para aquele fim (muitos em vias de extinção), os olhos não vêem mas toda a gente sabe disso, acho condenável usar produtos que são testados em animais que não seres humanos voluntários para esse fim. Até a industria farmacêutica e o campo das ciências e da medicina já evoluíram nesse aspecto apesar de serem áreas que lutam pela sobrevivência e salvação da nossa espécie, mesmo assim estão a tomar consciência que nem isso constitui legitima defesa para cometer tamanho crime.
Circo


(Circo Vitor Hugo Cardinalli, Lisboa 6-12-2008 fotos captadas por carmina burana)
Eu gosto do circo. Dos animais, dos trapezistas, do domador de leões e dos palhaços. Da arena, do vermelho, das gargalhadas das crianças, da magia do circo. Mas é um dilema. Gostar do circo é um permanente conflito interior.
Só vejo circo em Portugal (tenho uma certa simpatia pelo circo Cardinalli), e assistiria ao de Monte Carlo, claro, em outros lugares do mundo temo que os animais ainda sejam explorados pelo homem, vitimas de maus tratos. Quando era pequena o circo eram apenas os leões, os elefantes e os póneis, os trapezistas, o domador de leões, os palhaços, a arena, o vermelho, as gargalhadas das outras crianças e a magia! O resto era uma memória indefinida (incerta, desfocada), de animais magriços e com um ar doente. Mas o que constituía já um conflito interior. Passava o ano inteiro sem saber dizer se gostava realmente do circo e chegava o natal deixava-me ir na magia do circo. A minha primeira desilusão com contornos definidos foi a primeira vez que vi um palhaço desmaquilhar-se (desfazer-se em homem) fiquei inconsolável. Apagou-se a gargalhada com um algodão macio, apagou-se do espelho sem se despedir de ninguém, a porta do camarim fechou-se e trancou-se. Não havia palhaços de verdade, eu é que achava que sim, eram todos homens por dentro afinal, e isso, nada tinha de engraçado. Além do mais, apagou-se a gargalhada com um pano macio e o homem tinha uma cara tremendamente séria. Decidi que já não gostava de palhaços. E durante o ano não gostei de palhaços mas quando veio o natal seguinte e fui ao circo, como todas as crianças, como todas as meninas, fiquei à espera dos palhaços.
Eu gosto do circo. Dos animais, dos trapezistas, do domador de leões e dos palhaços, da aren... Mas não gosto que se treinem animais para fazerem habilidades. Odeio ver cachorrinhos e focas amestrados por domadores do circo a dançar, com bolas e baquetas penduradas no nariz ou até mesmo vestidos ou com plumas (as focas treinadas por tratadores nos zoo's por exemplo já não me chocam, estão num habitat natural e adoram brincar), só me fascinam os leões a saltar por dentro de uma roda de fogo, porque todos os animais temem o fogo, um domador conseguir que um leão domine esse medo maior, é admirável e o leão não está a fazer nenhuma figura miserável, muito pelo contrário. Depois há no circo não só a magia, os artistas (gosto de artistas) como aquele espírito, nómada e de sacrifício. Os artistas do circo vivem com os animais, com as máscaras e os adereços e a tenta do circo às costas, são uma família e na arena, os palhaços é que montam a rede aos trapezistas e os trapezistas depois do trapézio são os senhores e as senhoras que vendem as pipocas.
Gosto do circo. Era mais fácil se não gostasse do circo. Os animais já não são magriços nem têm um ar doente, como tinham na minha infância, agora são fortes, sãos e parecem gostar de estar ali, com aquela família. O circo já não é o que era. O Jardim Zoológico já não é o que era. Hoje há quem queira saber se os animais são explorados pelos humanos, escravizados e vitimas de maus tratos. Hoje é mais fácil gostar do circo. Mas esta coisa do homem ser uma plateia e o animal um espetáculo... um espetáculo por vezes ridículo, nada dignificante (nem para o homem), humilhante e sádico (humilhante e sádico foi a pensar nas touradas, como é possível o ser humano jubilar com o sofrimento de um animal? Aplaudir um outro ser humano que pendurado na altivez de um cavalo - que também sofre, crava bandarilhas que são uma farpas que vistas de perto, ou tendo uma na mão, são aterradoras, aquilo tem aqueles enfeites coloridos mas a ponta de ferro, um ferro grosso que no fim dá uma volta, fica um V, é assustadora, é arrepiante! no dorso de um touro? O touro, tal como nós e os outros mamíferos, tem sistema nervoso central, sente medo, tem ansiedade, sofre. As touradas rebentam com os nervos e os músculos daqueles animais, é sangue por todo o lado e ainda há quem afirme que o touro não sofre, que lhe é quase indiferente e até há gente que defende que o touro gosta e eu já abri parêntesis lá atrás, não posso abrir mais um parêntesis dentro de parêntesis para espetar aqui com todos os nomes que classificam as pessoas que dizem barbaridades como estas, caramba! o que os olhos não vêem o coração não sente, serão cegas todas as pessoas que assistem a touradas? Ou têm sangue frio? Este post não é sobre touradas, temo um dia fazer um post sob touradas. Não temo a coação dos comentadores, não, já disse que não na polémica na zona dos comentários num post mais abaixo, temo ter um avc, só isso. Vou respirar fundo, fechar parêntesis a ver se acabo o post do circo).
Este post era mais fácil se eu não gostasse do circo, ou se o circo não tivesse animais, porque o homem não devia rir, nem aplaudir, nem amestrar, quem sabe se nem mesmo ficar ali, a observar, a estudar, a maior parte das vezes sem nenhum interesse científico, por curiosidade, um ser que não é da sua espécie.
P.S.: A 22 de Dezembro do ano passado, a associação ANIMAL protestava à frente do circo Cardinalli contra as condições dos animais nos circos. O circo Cardinalli rejeitou as críticas, negou a existência de maus tratos e pareceu-me a propósito deixar aqui esta notícia da agência Lusa:
"Onze membros da associação ANIMAL começaram a protestar hoje pelas 20:00 horas, junto do Circo Cardinali. A acção, que se prolongará durante a transmissão em directo do espectáculo de
circo Victor Hugo Cardinali por um canal privado, consiste na distribuição de
panfletos e na exposição de cartazes e alertas sobre o "que os animais passam
diariamente nos circos".
Os manifestantes querem ainda que o Parlamento, como
aconteceu em alguns Estados e municípios brasileiros ou em autarquias
espanholas, proíba a manutenção e uso de animais em circos no Código de
Protecção dos Animais.
No centro das críticas está a "exploração e
ridicularização dos animais num espectáculo, que lhes diminui a dignidade, assim
como os treinos violentos a que são sujeitos". "Estão fechados em jaulas e
sujeitos a problemas emocionais e psicológicos", acusou o presidente do
organismo, Miguel Moutinho.
Pela parte da família Cardinalli foi garantido
que os animais naquele circo são "tratados melhor que algumas pessoas" e lembrou
que há muitos cães e gatos "fechados" em casa.
"Os nossos animais são melhor
tratados que muitos seres humanos ou pessoas que estão na rua e que até têm
família. E estes animais iriam morrer se fossem libertados na selva porque
nasceram e sempre foram tratados em cativeiro", disse Filomena Cardinali à
Agência Lusa.
Em resposta, a associação ANIMAL garante que animais como
leões-marinhos adaptam-se rapidamente ao meio natural e para outras espécies há
santuários.
"Sem querer adoptar um tom arrogante", Filomena Cardinali
afirmou que "nada tem a falar com a ANIMAL", mas que os críticos "são bem-vindos
dentro do perímetro de lei para manifestar as suas opiniões, como qualquer
pessoa".
"Eu não tenho nada para falar com a ANIMAL, que já mostrou imagens
de circos que não são do Victor Hugo, mas que as identifica como tal. Eu poderia
conversar se houvesse algo para nos ensinar ou para trazer algo de melhor e
inovador nos cuidados a ter com os nossos animais", acrescentou.
A estas acusações Miguel Moutinho assegurou que o próprio Victor Hugo Cardinali admitiu
publicamente bater nos animais, tornando-se assim num "confesso abusador dessas
condições".
A porta-voz da família Cardinali recordou, por seu lado, que em
acções passadas as pessoas que assistiram ao espectáculo de circo manifestaram o
seu "apoio e gosto" por verem animais. "Os dois pontos de vista são igualmente
válidos e respeitáveis", argumentou.
No circo Cardinalli os "animais são muito bem tratados, como provam as inspecções feitas", disse a mesma fonte,
exemplificando como cuidados habituais o uso do mesmo fornecedor de feno ou de
máquinas de jacto de água quente para lavagem e a recusa de acções publicitárias
que afectem os animais.
Para a ANIMAL, as inspecções recentemente feitas pela
GNR cingiram-se à consulta de documentos que provem o respeito pela Convenção
Internacional sobre Espécies Ameaçadas.
"Os guardas não têm condições técnicas para avaliar problemas emocionais", defendeu.
Filomena Cardinali aproveitou ainda para referir que a ANIMAL tem repetido nos últimos anos a sua manifestação "exactamente no dia em que o espectáculo de circo está a ser
transmitido por um canal de televisão".
Para a ANIMAL, a escolha do dia de
hoje é "simbólico para fazer críticas a todos os circos e porque um canal de
televisão tomou partido numa discussão actual.
Como antecipadamente combinado, o movimento de defesa dos direitos dos animais aguardou pela chegada
de alguns elementos policiais para começar a sua acção de protesto, "por
quererem ver assegurada a sua segurança".
"Já fomos agredidos frente ao
circo Atlas, ao mesmo tempo que dois agentes policiais. E em 2006 um domador
libertou um urso pardo, que apesar de ser uma vítima destas situações, não deixa
de ser perigoso. E por isso não queremos correr riscos desnecessários numa
situação de conflito potencial", lembrou o presidente da associação.
No próximo fim-de-semana, os manifestantes têm agendadas mais acções de
protesto.PL. © 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A."
Publicado por
Carmina Burana
| Livro de Exclamações:
Há 16 comentários no livro de exclamações clique no titulo do Post para exclamar ou ver
7.12.08
O Super-herói
Ontem quando o circo acabou estava para ali tudo embrulhado para sair, eu e o meu filho Miguel pela mão lá íamos pedindo com licença e desbravando caminho num corredor com cuidado para não pisar ninguém, às tantas o Miguel pôs a mãozita no colo de um senhor que tinha umas próteses no lugar das pernas e eu num repente pensei assim: o Miguel vai achar muito estranho. Ele olhou para mim e antes que me perguntasse porque é que as pernas do senhor eram tão rijas eu sorri (o senhor também sorriu e devo dizer era um rapaz da minha idade e tinha um sorriso de cair para o lado) disse-lhe assim: - É um super-herói, filho, pede com licença.
E o Miguel pediu com licença ao super-herói (não é todos os dias que pedimos com licença a um super herói!) e lá avançamos mais duas ou três cadeiras até à saída.
- Ó mãe, o sinhôi éa mesmo um supé-heói?
- Era filho, era mesmo um super-herói, de verdade.
Mar salgado
Todos os dias ou noites os pescadores enfrentam o mar, nem todos os dias ou noites enfrentam o Adamastor, mas ele vive no mar, está lá eminente e às vezes levanta-se. Todos os dias e noites a partida é uma coisa certa, se voltam ou não ninguém sabe. Uma mulher estava à pouco a dizer na televisão: "O meu sogro é pescador, os meus irmãos, o meu marido... filhos só tenho mulheres, graças a Deus só nasceram raparigas."
Eu não sei como se faz (todas as lágrimas sabem a sal), gostava de prestar homenagem a todas as pessoas cujas lágrimas sabem deveras a sal, só não sei como se faz.
Do naufrágio de uma embarcação com bandeira portuguesa no mar
Cantábrico, ao largo da Galiza no norte de Espanha, morreram três pescadores
(estão ainda desaparecidos quadro pescadores Indonésios e um pescador
Português).
5.12.08
Devia era ser Carnaval
Devia era ser quase carnaval. Isso é que era! Comprava uma dúzia d' ovos (duas, duas dúzias d'ovos porque uma pessoa em começando...) e atirava um ovo ao ministro Manuel Pinho se ele não resolvesse o problema aos mineiros de Aljustrel, atirava outro ovo ao Eng.º Sócrates para ele aprender que não se devem dar subsídios a malandros nem ajuda financeira às empresas com offshores, atirava um ovo ao ministro das pescas (dois, ou mais! que eu com este ministro, caneco, não poupava ovos), atirava um à ministra da educação (que já não posso ouvir falar na avaliação dos professores), atirava-lhe com outro ovo pelos professores e por aí a fora até haverem ministros e eu coisas contra eles. E quando se me acabassem os ovos ia comprar mais. São 3 dias. O carnaval são 3 dias não é?
Publicado por
Carmina Burana
| Livro de Exclamações:
Há 20 comentários no livro de exclamações clique no titulo do Post para exclamar ou ver
Feliz natal ou, o post herege
Vêm aí:
1. os ésseémeésses de boas-festas
2. as músicas ambiente de natal,
3. os pinheirinhos verdadeiros,
(os pinheirinhos verdadeiros no lixo, que há dem vir depois),
4. as fotos com o senhor vestido de pai natal
5. os pais natal de plástico que trepam pelas paredes dos prédios
6. os peditórios para a unicef, para a caritas, para os bombeiros, para a liga portuguesa contra o cancro, para a ceia de natal dos sem-abrigo, para a associação dos pintores com a boca e os pés, para as associações que pedem dinheiro, livros, brinquedos e roupas para as crianças, para as cremesses, para a AMI, para a missão sorriso do hipermercado continente e a popota do modelo, ...
7. a maior árvore de natal da europa
8. as rabanadas e o bacalhau com couves
9. o natal dos hospitais com todos aqueles maravilhosos artistas,
dez, onze, doze, ... vêm aí todas estas coisas detestáveis de rajada e eu sem ter onde me esconder porque é natal por todo o lado, todos os anos em Dezembro é natal por todo o lado. Este post (herege) é para dizer que sou sensível todo o ano e uma pedra no natal, para mais, iberno. Não vale a pena, não insistam, tenho o oreinabarriga@gmail.com cheio de caixas de esmola e não vou dar para nenhuma, não se dêem ao trabalho de comentar o quanto sou egoísta e venho para aqui dizer despautérios (até porque eu vou fechar o post aos comentários) e se apanho alguma exclamação no livro de exclamações deste blogue do género: É no natal que as pessoas se sentem mais sós, é no natal que têm mais frio, é no natal que precisam mais de ajuda ficam já a saber a resposta:
É o tanas.
Disse-me uma vez um sem-abrigo: "É o tanas. É solidão todo o ano e estarmos sós é um frio de cortar à faca." Disse-me ele, isto para aí em Junho.
Há quem nunca tenha contribuído para a sopa dos pobres nem em Janeiro, nem em Fevereiro, nem em Abril nem em Agosto, nem no subsidio de férias, nem quando fazem anos, nem nunca tenha deixado um cobertor novo numa esquina ou na escada dum prédio e depois eram capazes de vir para aqui comentar que é no natal que as pessoas se sentem mais sós, é no natal que têm mais frio, é no natal que precisam mais de aju... Não é que eu tenha alguma coisa contra essas pessoas, não, se fossem todos como eu... eu já me pus a imaginar: e se fossem todos como eu? não bastava haverem crianças no mundo com fome o ano inteiro, pessoas a necessitarem de ajuda médica e vacinas o ano inteiro, pessoas com necessidades especiais o ano inteiro, sem-abrigo o ano inteiro como ainda haverem no natal.
Reservo-me apenas ao direito de ignorar durante 2 dias por ano as crianças que não têm brinquedos (quero lá saber que não tenham, dia 25 já têm e vão aparecer na televisão), que têm frio (quero lá saber), os sem abrigo que passam fome (passam fome todo o ano, quero lá saber, ao menos no natal sei que ceiam que se fartam e tiram a barriga de misérias). 2 dias (eu depois do natal volto a ser uma rapariga sensível). 2 dias para encher de presentes os meus amigos, para me encher de presentes, para encher de presentes a minha família toda (toda, toda não, quase toda, ficam de fora os que passam dificuldades) e para as pessoas boazinhas24e25dodoze e para as pessoas solidárias24e25dodoze e já agora, para todas as pessoas que se vestem de pai natal no natal e puseram pais natal de plástico a trepar pelas paredes do meu prédio, os meus votos de Feliz natal está bem?
3.12.08
Um foguetão
- Que queres que a mamã te dê de prenda de Natal - Xim! Óia mãe, o foguetão maió que houvé lá na loja, está bãi?
filhinho?
- Um foguetão!
- Um foguetão?
Publicado por
Carmina Burana
| Livro de Exclamações:
Há 3 comentários no livro de exclamações clique no titulo do Post para exclamar ou ver
2.12.08
O medo
O medo de passar por isso. Ter fome. Numa altura de crise aguda, os Portugueses deram num fim de semana quase 2 mil toneladas de alimentos ao banco alimentar contra a fome. É talvez o primeiro dos medos: a fome, o instinto da sobrevivência. Podemos viver sem carros sem sapatos, sem alimentos não.
O meu filho deu um pacotinho de leite com chocolate e ontem vimos a montanha na televisão e não vimos o pacotinho de leite mas sabemos que estava lá. É preciso dar. É preciso dar mais, beijar mais, gostar mais. A união faz a força, pouco a pouco faz-se muito se formos muitos, faz-se uma montanha.
Já da campanha, não gostei lá muito,

Tem por bom não apelar à lágrima, não mostrar a miséria que provoca uma comiseração por vezes desnecessária, que depois se apega a uma ausência de dignidade que não é justa, mas que seja considerado herói, nem que por um dia, alguém que contribui para o BA não me parece merecido, heróis são os que se sacrificam, dar comida só custa quando por ventura damos o único bocado de pão que nos sobrava. Mas não há nada de mal (até me fez sorrir), percebo a mensagem e o que interessa é que... passou.
Publicado por
Carmina Burana
| Livro de Exclamações:
Há 4 comentários no livro de exclamações clique no titulo do Post para exclamar ou ver
29.11.08
Divas (e dúvidas) da moda
Esta moda das botas brancas é horrível e todas as botas brancas que andam por aí, são horríveis, de estilo e de gosto duvidoso.
Eu sei que foi atribuída a Picasso esta frase:
" O bom gosto é uma coisa terrível. O bom gosto é o inimigo da criatividade!
Mas eu não vejo criatividade, vejo vulgaridade. Nos anos 60 usaram-se muito, mas ao estilo Paco Rabanne,
simbolizavam o espaço, o futurismo, este ano, e por cá, simbolizam a vulgaridade, eu diria que todas as botas brancas são vulgares (e vejam também sinónimos para a palavra vulgares, porque aplicam-se todos).
Publicado por
Carmina Burana
| Livro de Exclamações:
Há 13 comentários no livro de exclamações clique no titulo do Post para exclamar ou ver
28.11.08
Desculpem...
... os post's fúteis, materialistas, este espírito consumista, mas estamos perto do Natal (o Natal é isso tudo e mais um par de botas) e eu (juro) sou solidária o ano inteiro, de preferência nas alturas que não lembra a ninguém.
Para além do mais eu detes, não, odei... não aprecio o Natal, de modo que post's fúteis até servem para exorcizar.
Bvlgari
Também estou a precisar de um frasquinho da minha 'baunilha mágica...
Publicado por
Carmina Burana
| Livro de Exclamações:
Há 5 comentários no livro de exclamações clique no titulo do Post para exclamar ou ver
Ainda ontem...
... fui à Quebramar , comprei o meu blusão de pele tamanho xs que me assenta como uma luva e pelos vistos ficou lá a mala. Ó que maçada, agora ter que lá voltar.
Quebramar
Ora aqui está a mala que eu procurava: é da Quebramar, é linda, é azul petroleo como eu queria, é o meu azul preferido...

27.11.08
Sinoblocos ou Silent-bloc
( Sinoblocos ou Silent-bloc. Foto retirada do forumautohoje.com)
(Sinoblocos ou Silent-bloc. Foto retirada não sei de onde, já não me lembro onde fui buscar estes sinoblocos, espero que o site ainda consiga andar sem eles) .
Quando viro a direcção quase toda do meu carro sinto uma trepidação e ele range, faz Terrac, Terrac (linguagem de automóvel).
Levei-o a um tradutor, digo mecânico de automóveis e o meu carro precisa de sinoblocos novos, que são borrachas que fazem parte do triângulo da suspensão, reduzem o desgaste dos elementos da direcção, e da suspensão, e absorvem os impactos da estrada (buracos e lombas por exemplo). Ora vamos lá a isto:
Levei-o a um tradutor, digo mecânico de automóveis e o meu carro precisa de sinoblocos novos, que são borrachas que fazem parte do triângulo da suspensão, reduzem o desgaste dos elementos da direcção, e da suspensão, e absorvem os impactos da estrada (buracos e lombas por exemplo). Ora vamos lá a isto:
Tiram-se as rodas para fora, desaperta-se a barra estabilizadora, depois há para ali uns parafusos nas rotulas de direcção, nos sinoblocos e nas ponteiras das transmissões, desaperta-se aquilo tudo, substituem-se os sinoblocos e depois é levar o carro a alinhar a direção. Eu até fazia isto tudo, o pior era levar o carro a alinhar a direcção, tinha que ir buscar uma vassoura, varrer o carro (que entretanto estava todo desfeito em peças), enfiar aquilo tudo dentro de um saco e levar o saco ao centro:
- Era para alinhar a direção se faz favor. Onde é que tenho o carro? Está aqui, dentro deste saco.
É melhor levar o carro ao Sr. Simões (mecânico e tradutor de linguagem automóvel) e ele põe-me os sinocoisos e amanhã volto a sentir aquela condução macia e silenciosa que são duas das qualidades que mais aprecio num carro, se não tinha um UMM.
- Era para alinhar a direção se faz favor. Onde é que tenho o carro? Está aqui, dentro deste saco.
É melhor levar o carro ao Sr. Simões (mecânico e tradutor de linguagem automóvel) e ele põe-me os sinocoisos e amanhã volto a sentir aquela condução macia e silenciosa que são duas das qualidades que mais aprecio num carro, se não tinha um UMM.
P.S.: Sr. Simões: - O carro está bom, estive
a andar com ele e a ver tudo e está bom, nunca pensei (como quem diz: para
carro conduzido por uma mulher, nunca pensei), não precisa de nada
(para além dos sinocoisos), não faz mais barulhos, para o carro que é
(não propriamente um carro robusto) e para os anos que tem está
muito bom, nunca pensei (como quem diz, para carro de mulher, nunca
pensei)...
Publicado por
Carmina Burana
| Livro de Exclamações:
Há 6 comentários no livro de exclamações clique no titulo do Post para exclamar ou ver
Cinquenta ou a Quinhentos
Eu e a Rita a caminho do Odivelas Parque, hora de almoço, estrada da paiã, limite de velocidade 50 controlado por radar e vejo um agente da psp a abrir os braços, como quem diz: Atão?
- Porque raio está o polícia a levantar as asas?
E nisto ele, visivelmente chateado, desata a mandar avançar os carros que passavam vagarosamente, enervado eu diria, ia tudo ali a pisar ovos por causa do radar e nós:
- Olhameste, numa estrada com limite 50 está um agente da autoridade a mandar acelerar? Andem lá com isso seus pisa ovos!? Andem lá com isso? Mas que ...
Desatamos a rir. E depois concluímos que deve ser daqueles polícias que está ali a mandar acelerar contra o radar e mal a gente passa o radar a 100 para lhe fazer a vontade ele desata a correr pela estrada da paiã a fora e 200 metros mais à frente:
- Pshé! Alto! Bamos a encoxtar, atão a menina não biu que paxou o rádare em xéxo de beloxidade não? Hum?
- Mas o Senhor agente ainda agora estava lá atrás a...
- Agora bou-lhe a paxar a multajinha, estava a pedilas a menina.
- Mas...
- Nem maje, nem meio maje.
Ou então logo à noite vai meter mais um zero no 50. Fica 500 que é para ver se passamos todos na pirisga e não tem que estar para ali a agitar as braçadeiras como um doido.
Ai, ai... um agente da autoridade a mandar ultrapassar o limite. Xim Xenhore.
Publicado por
Carmina Burana
| Livro de Exclamações:
Há 9 comentários no livro de exclamações clique no titulo do Post para exclamar ou ver
26.11.08
UMM
Um comentador deixou um esclarecimento no post UMM isto é que é um Jipe! publicado em 16 de Março. Obrigado "de Abreu" por o ter feito, eu sou mesmo uma estarola! que ainda acredita que os UMM's continuam a ser fabricados algures numa fábrica mágica ali para os lados de Queluz...
Obrigado caro comentador, mais uma vez.
Boas, so um reparo, os UMM deixaram de se produzir pela
primeira vez por volta do ano de 1994, retomando a produção em 2000 (penso
que o
da foto seja dessa epoca), apenas fabricando por encomenda, vindo a
declarar
falencia pouco tempo depois, cerda de um ou dois anos(tendo vendido
cerca de 100
unidades longas a empresas de turismo no algarve).
25/11/08 19:16
Já agora e porque ainda bem que o comentador me fez voltar ao tema (é sempre bom voltar às coisas boas), aqui fica a página do clube:
Expressão musical
O meu filho vai para a escolinha de músi-ca! lá, lá, lá...
Publicado por
Carmina Burana
| Livro de Exclamações:
Há 27 comentários no livro de exclamações clique no titulo do Post para exclamar ou ver
Ainda os Soldadinhos de Zinco
“Os mineiros de Aljustrel saíram hoje da residência oficial do
primeiro-ministro, em Lisboa, com duas mãos cheias de nada, disse no final da
reunião o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira Jacinto
Anacleto.”
25 de Nov. Fonte: agência Lusa
Pediram uma audiência ao primeiro ministro mas não foram recebidos nem pelo primeiro ministro nem pelo ministro da economia, foram recebidos por um assessor para as questões sociais. Há assessores para tudo, o pm tem que dar trabalho aos assessores, mas os mineiros deviam ser recebidos como gente ilustre que são e isto até me pareceu uma manobra para impedir que os mineiros sujassem o gabinete de fuligem que é uma coisa que não tinha mal nenhum, depois quem pagava a fatura da lavagem do tapete éramos nós e os contribuintes pagam para tanta coisa que até seria uma honra pagarmos a lavagem de um tapete que havia sido pisado por mineiros de Aljustrel.
Saíram da residência oficial com “duas mãos cheias de nada”.
O governo fala em “investidores credíveis” que é uma coisa vaga, nem nome têm, ou nacionalidade, é uma coisa vaga até para uma otimista como eu.
Uma coisa é certa: podem tirar-lhes o posto de trabalho, podem não lhes dar direito de antena (que ontem não se falou ou escreveu outra coisa que não fosse professores, sindicato dos professores e as manifestações contra o regime de avaliação), podem ser "duas mãos cheias de nada", mas a dignidade com que lutam e a força com que ainda se manifestam ninguém lhes tira.
clique aqui: http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=1049795 para ouvir as memórias de um mineiro de Aljustrel.
Publicado por
Carmina Burana
| Livro de Exclamações:
Para ver atualizações a este Post clique no titulo
24.11.08
Soldadinhos de Zinco
Os mineiros das Minas de Aljustrel esperavam (esperam) do governo uma intervenção semelhante à que aconteceu com o BPN. Toda a gente sabe que não tenho nada contra o plano de medidas concretas que o governo apresentou para a crise financeira, nem contra a injeção de dinheiro nas instituições financeiras, já falei disso, toda a gente sabe que tenho um… fascínio por mineiros. Têm olhos piscando na carne cheia de fuligem, parecem-se com soldadinhos de chumbo, são soldadinhos de Cobre e de Zinco, não são de brincar, são soldadinhos sem medo ou então o medo está coberto da mesma fuligem e só lhes encontro a bravura.
O governo fala em negociações com investidores que querem comprar as minas de Aljustrel e assegurar assim os postos de trabalho nas célebres jazidas, mas os mineiros não pedem por mais promessas, pedem medidas concretas ao governo que tratou de salvaguardar os postos de trabalho do Banco Português de negócios, que tranquilizou os bancários, que nacionalizou o banco e os mineiros? Todos aqueles homens que têm olhos piscando na carne cheia de fuligem? Que até lutando por um buraco tenebroso e sombrio na finisterra onde mais ninguém quer ter um posto de trabalho, só lhes encontro a bravura?
O governo fala em negociações com investidores que querem comprar as minas de Aljustrel e assegurar assim os postos de trabalho nas célebres jazidas, mas os mineiros não pedem por mais promessas, pedem medidas concretas ao governo que tratou de salvaguardar os postos de trabalho do Banco Português de negócios, que tranquilizou os bancários, que nacionalizou o banco e os mineiros? Todos aqueles homens que têm olhos piscando na carne cheia de fuligem? Que até lutando por um buraco tenebroso e sombrio na finisterra onde mais ninguém quer ter um posto de trabalho, só lhes encontro a bravura?
Publicado por
Carmina Burana
| Livro de Exclamações:
Há 26 comentários no livro de exclamações clique no titulo do Post para exclamar ou ver
17.11.08
Ir às compras
Ir às compras era fácil no tempo em que a minha mãe me mandava fazer recados.
- Vai à padaria e trás 1 pão e 3 carcaças. Vai à D. Amélia e trás um pacote de manteiga e 1 litro de vigor.
A padaria vendia pão, pão de mistura, pão integral e as carcaças (pão branco), a D. Amélia vendia manteiga primor e o leite era vigor ou do dia. Ir comprar pão ao supermercado (já não falo em ir comprar pão ao hiper) não é como ir ali fazer um recado, quase que é preciso tirar um dia de férias. É preciso atravessar o corredor das esfregonas e dos detergentes, o das loiças, o dos enchidos e chegar à padaria (padaria não, fábrica do pão), é coisa para demorar logo uns 10 minutos e isto é se não precisarmos de uma esfregona nova lá para casa e tivermos que decidir se é villeda ou Scotch Brit ou marca branca, se é para chão se madeira ou mosaico, se chega aos cantos, se vem com balde ou sem balde, finalmente na padaria (padaria não, fábrica do pão), andamos ali trás-para-a-frente, meia hora à procura dum pão porque há pães de todas as qualidades: da avó, de Mafra, da Alenquer, Alentejano, especial, com sementes de sésamo, com passas, com pepitas de chocolate, com farinha 75, de centeio, de trigo, sem sal, de forma, de forma com côdea, de forma sem côdea, doce tipo folar, eu sei lá! Encontrar umas simples carcaças é um quebra cabeças. O leite também não é tarefa fácil, de soja, para crianças divididos por etapas de crescimento: dos 0 aos 12 meses, dos 12 meses aos 3 anos, a partir dos 3 anos; para séniores, para grávidas, com ómegas, com bifidus, com cálcios, sabores, cereais e 30 por uma linha... Se uma pessoa tem o azar de precisar de uma lâmina de barbear ou pensos higiénicos lá se vai o dia de férias, porque há lâminas de cabeça fixa ou oscilante, advence ou confort, formato económico, familiar, extra, sensor ou sensitive, extreme, com lubrificação, com aloe vera e acabamos sempre por ter que ligar:
- Ó querido que lâmina costumas usar?
- Que lâminas há?
E pensos? Eu vou direitinha aos evax's amarelos, normal, sem alas, ou aos tampões Ob sem aplicador mas há mulheres e homens, os homens então (uma mulher que manda um homem comprar pensos higiénicos só pode estar a castigá-lo), que ficam ali numa aflição, o tempo a passar e aquele stress de ter que decidir: adapt, slip, com abas, abas finas, alas, sem alas, fina e segura, diários, tanga, air dry, noite, cottonlike, com toalhitas, odor fresh, tamanho 14, 16 eu às vezes olho de soslaio quando um homem está a pegar num 14 (uma mulher que manda um homem comprar pensos higiénicos só pode estar a castigá-lo) e depois devolve à prateleira e pega num 16 e depois olha em volta e depois repõe o 16 e pega no Maxi e pela cara deve pensar mas eu sei lá agora o tamanho! Ela veste o 36 mas o tamanho de... do... eles estão habituados a comprar preservativos e depois levam o 16 que é médio e mais tarde descobrem que o 14, 16 ou Maxi é o tamanho do penso, mas entretanto já fizeram figura de parvos.
- Querida, de que marca disseste que eram os pensos que usas que já não me lembro? Ausónia? ora ausónia, ausónia, temos aqui evax, reglex, renova, marca continente, carefree, sou, estás mesmo a precisar querida é que está a dar-me uma caímbra...
Neste campo do consumo, o simplex não se aplica. Muitas vezes saio do supermercado (já para não falar no hiper) e tenho que parar na cafetaria para beber um café antes de ir para casa.
- diga se faz favor.
- tire-me um café e queria também uma garrafa d' água.
- Muito bem, o café é cheio ou é curto? Quer que escalde a chávena? É clássico, arábico, gold?
- ?
- Eu ajudo. Gosta do café delicado, encorporado, amargo, torrado, macio, aveludado, ...
- Intenso. Gosto do café intenso.
- Muito bem e a águazinha, vai ser com gás, sem gás, natural, natural fresca, de manga, limão, groselha com chá verde..?
Publicado por
Carmina Burana
| Livro de Exclamações:
Há 21 comentários no livro de exclamações clique no titulo do Post para exclamar ou ver
13.11.08
Raio X
O meu filho já levou pontos na cabeça sem chorar, já fez um Raio X no hospital e gostou da experiência (também fez ao meu colo, isso conta muito) desta vez fez um grande chinfrim!
- Não quéu! Não! Não! Tiame daquí!
E a técnica que estava lá para tirar o Raio X em vez de ajudar a acalmar ou já ter pensado num esquema para tirar Raios xis a crianças tão pequenas, não, molestava-me o juízo:
- Ai, assim não sou capaz de lhe fazer o exame, assim não sou capaz, é melhor desistir.
Eu que já estava a ver a minha vida a andar para trás, apontei-lhe o dedo ao nariz:
- O meu filho vai fazer o raio do raio xis sim!
Eu já transpirava, o Miguel agarrava-se à minha mãe e arrancava-lhe punhados de cabelo.
- Não quéu vó! Não! Não ! Não!
- Mas é só uma fotografia filhinho, não dói, não custa nada, a mãe está aqui e a avozinha, olha aquela luz filhinho, não parece uma nave espacial?
- Tiame daquí!
Só conseguimos fazer o exame porque a técnica, depois de eu ter consentido: (- Sim, podemos tentar, como é uma pessoa estranha pode ser que ele a si tenha respeito e acalme...) o abanou e lhe deu dois pares de berros e ele lá ficou uns segundinhos a soluçar e lá saiu a chapa em condições, finalmente!
A primeira vez que o Miguel fez um Raio X foi no Hospital e lá vestiram-nos umas capas protetoras e sentaram-no ao meu colo e ele não se assustou, até gostou, na clínica, era preciso que se deitasse em cima de uma enorme placa, ficasse quieto com a cabeça para trás a levar com um quadrado de luz florescente em cima. Não é mesmo nada tranquilizador. Tirar o Raio X de pé foi também o que acabou por acontecer porque deitado... não havia maneira.
O meu filhinho, que já levou pontos na cabeça sem chorar...
As crianças são mesmo imprevisíveis!
Publicado por
Carmina Burana
| Livro de Exclamações:
Há 4 comentários no livro de exclamações clique no titulo do Post para exclamar ou ver
A última queda
Durante uma brincadeira com o pai o Miguel caiu, à três meses atrás e bateu com a cabeça no chão, com a zona do frontal. É frequente que neste tipo de traumatismos o médico solicite uma radiografia ao crânio, e em caso de fractura, uma tomografia. Na altura, apenas tratamos do "galo" e ficamos vigilantes, atentos aos sintomas relacionados: vómitos, sonolência, confusão mental, que felizmente, nunca aconteceram. Quando um traumatismo se localiza no parietal, que é parte lateral da cabeça e ocasiona uma fratura, o risco pode ser grave, pode acontecer uma lesão na artéria meníngea, "a zona do frontal é forte", repeti isto a mim mesma uma quantidade vezes: "o frontal é forte" como quem precisa acreditar nisso. Que "não foi nada". As crianças que nesta idade têm a cabecinha proporcionalmente maior que o resto do corpo, quando caem e porque ainda não aprenderam a levar as mãos ao chão para se protegerem, é a cabeça que sofre o primeiro embate. Depois vem o inchaço, o céfalo-hematoma, o "galo", que é um sinal externo que na maior parte das vezes não tem gravidade e sinaliza o sítio do traumatismo. Deve colocar-se gelo imediatamente para parar o inchaço e aliviar a dor.
A consequência das quedas tem muito a ver com a altura, a deslocação, a velocidade, por exemplo a andar de triciclo ou a correr, a consequência da queda pode ser mais séria. Mesmo que a criança não sangre, não tenha vómitos, não desfaleça, é bom consultar um médico, fazer um Raio X. Durante estes meses o Miguel teve sempre aquele altinho na testa, nunca se queixou, mas eu carreguei e carrego uma certa mea culpa, porque uma fratura do crânio é uma via aberta a infeções do exterior (nariz, garganta) para o cérebro e vice versa, fluídos do cérebro para o exterior. Isto sou eu a espoletar e depois de ter armazenado durante este tempo todo informação como esta: "Fractura do crânio em crescimento: forma de fractura do crânio, sobretudo na primeira infância. A laceração da dura-máter por fractura do crânio leva a interposição de substância cerebral, LCR e tecido de granulação. A fractura não fecha e a fenda alarga-se sob a pressão intracraniana" retirada do site medicosdeportugal.saude.sapo.pt ou "As fracturas de crânio podem lesionar artérias e veias que podem sangrar nos espaços à volta do cérebro. As fracturas, especialmente as que se produzem na base do crânio, podem romper as meninges (as membranas que revestem o cérebro). O líquido cefalorraquidiano, que circula entre o cérebro e as meninges, pode então sair pelo nariz ou pelo ouvido. Há casos em que através dessas fracturas entram bactérias para o cérebro, que causam infecções e o danificam gravemente" retirado integralmente do manual da Merck http://www.manualmerck.net.
Fomos ontem fazer o Raio X. Aparentemente, disse a técnica que (a custo, mas isso é para outro post) fez o exame ao Miguel, ele "não tem nada".
Dia 19 espero (ansiosamente) que a Dr.ª Manuela me diga a mesma coisa "O Miguel não tem nada", e, quando é que devemos começar a preocupar-nos quando os nossos filhos caem? Logo quando caem.
Publicado por
Carmina Burana
| Livro de Exclamações:
Há 9 comentários no livro de exclamações clique no titulo do Post para exclamar ou ver
12.11.08
A consulta dos 3 anos
No desenvolvimento cognitivo o meu filho está aprovado com distinção: memória, raciocínio, perceção, linguagem, imaginação, aprendizagem, ... Só não diz os érres! Os érres que ficam no meio das palavras mas sobretudo os que ficam no fim das palavras. Diz páa! em vez de pára! conduzie em vez de conduzir, acelaadoe em vez de acelerador, carrinho é carrinho, rua e ruca não há problema mas nem todos os érres saem cá para fora, na opinião da Dr.ª Manuela se aos 4 anos o Miguel continuar a esconder os érres vai ter aulinhas de terapia da fala. Eu achei bem. Os érres fazem falta (ainda hoje tentei que ele dissesse branco em vez de banco porque uma coisa é uma cor outra é um objecto, e, como não consegui, a cor da lã da ovelha é uma coisa que serve para a gente se sentar).
O meu filho tem aprendido novas palavras e faz isso rapidamente e aprende a dizê-las correctamente também em pouco tempo, os érres é que...
E eu tenho reparado que os desenhos animados recorrem muito aos érres, não se trata de uma coincidência, os criadores têm curiosamente em consideração que o "R" é uma letra difícil de soletrar para uma criança e vai daí chamaram Trú Trú a um burro, Ruca a um menino de 4 anos, o Paulo é um carteiro, etc., há muitos érres para as crianças aprenderem a dizer a brincar, o Miguel é que vê muitos desenhos animados mas ainda assim não é capaz.
O meu filho também está muito alto! (3 anos= 99cm= percentil 90).
O que não faz é cocó (só com bebé-gel). Podemos estar ali com ele duas horas, esgotar todas as cantigas e histórias encadernadas, prometer chupa-chupas, carrinhos, passeios e coisas do arco da velha, explicar que o cocó tem que sair, que faz mal à barriga, que tem que ir para os peixinhos, blá, blá, blá, que ele não faz, não faz e pronto. É mais preguiça que preso de intestinos, chega a encolher só porque quer brincar e não quer interromper a brincadeira, é psicológico, é isso tudo, que dá nos nervos, dá. A Dr.ª Manuela receitou um laxante suave indicado para crianças: "Xarope de maçãs rainetas". Compra-se na farmácia e é baratuxo (nem que fosse carissimo! é preciso é que as maçãs façam efeito). Vamos lá ver se o xarope é laxante (e por consequência, bom para os nervos).
O "galo" que o meu filho tem na testa resultado dele ter batido com a cabeça no chão da churrasqueira da avó Dília é que não é nenhum "galo", se fosse um galo já devia ter "baixado a crista" (pusemos tanto gelo) e eu devia ter feito um raio X à mais tempo e ando com esta mea culpa a arrastar... pode ser que amanhã consiga falar disso. Mas posso já adiantar a moral da história: Quando as crianças batem com a cabeça devem fazer um raio x (ou qualquer outro exame adequado), mesmo que fiquem bem depois de ter batido (sem vómitos, conscientes, prontos para a brincadeira, etc.), nem que seja só por "descargo de consciência", repito: nem que seja só por "descargo de consciência.
Gostava de saber...
... quem é o gajo que me assalta o carro todas as semanas. É um sujeito que não toma banhinho nem limpa a sola dos sapatos, desarruma tudo, quando chego está tudo espalhado, mas também não parte nenhum vidro, não parte nada, utiliza a fechadura previamente arrombada por um colega à uns tempos (aquele que me assaltou o carro da 1ª vez), de modo que era para lhe agradecer. Já pensei deixar um papel no assento: "Senhor assaltante, obrigado por nunca me ter partido um vidro, furado um pneu, por apagar o cigarro (dos meus) no cinzeiro, e deixar-me ficar o carro que me faz imensa falta como já deve ter deduzido pela cadeirinha do menino lá atrás", mas depois tenho receio que ele pense que não é a sério, sei lá, que eu esteja a reinar com o trabalho dele e ainda me parte mesmo um vidro ou me escangalha alguma coisa, pode ser que um dia o apanhe a espalhar-me a lanterna, os cd's piratas, o colete protetor, o maço de cigarros e todas aquelas inutilidades que se guardam no porta-bagagens e no porta-luvas e tenha a oportunidade então de lhe agradecer pessoalmente: - "Não estou a ver nenhum vidro partido nem nada partido e também não me falta nada, estão cá todas as minhas inutilidades, triângulo e tudo, obrigado, espero que a mala de ferramentas, a dos 1ºs socorros e o rádio que me gamou na altura que eu guardava inutilidades úteis dentro do carro lhe tenha rendido alguma coisa, acabe lá de fumar o cigarrinho que é para eu arrumar esta tralha toda outra vez no sítio, passar as toalhitas húmidas nos assentos e na cadeirinha do menino até poder ir à oficina deixar o carro para lavar por dentro e... até para a semana."
Publicado por
Carmina Burana
| Livro de Exclamações:
Se quiserem assaltar estejam à vontade já sabem é só clicar no titulo do post não é preciso forçar o titulo já está arrombado
11.11.08
Café americano
-
Abriu no C. C. Alegro (em Alfragide) uma cafetaria da Starbucks, para quem gosta ou quer experimentar pela primeira vez o “café americano”, aquele quase meio litro de café (a chamada banheira) servido em copo de plástico (ou papel), fechado para que se conserve quente por muito tempo e com um protetor para as mãos devido à temperatura do café. O conceito que tenho do "café americano" é que é uma espécie de café "take away", pede-se numa loja (ou numa gasolineira por exemplo) e pode levar-se para ser bebido no carro durante a viagem, noutro lugar, ou para oferecer a alguém que não está propriamente por perto e por isso não me parece que um Centro Comercial seja o lugar 'ideal' para este 'ideal' de café. O lugar mais apropriado seria uma loja de rua, à beira da estrada, como existem nos Estados Unidos ou em muitas capitais Europeias. O café americano é mítico, o copo de plástico onde é servido figura na maioria dos filmes e séries americanas, não é particularmente saboroso, é um pouco mais fraco que o tradicional café lusitano. Também há quem diga que a Starbucks é uma maneira pretensiosa (ou não fosse norte-americana) de servir um mau café. Também não garanto que o Patrick Dempsey vá beber o seu Starbucks ao Alegro, mas... não deixa de ser uma experiência curiosa e diferente.
Publicado por
Carmina Burana
| Livro de Exclamações:
Há 12 comentários no livro de exclamações clique no titulo do Post para exclamar ou ver
Escova de dentes elétrica
A escova de dentes elétrica é a melhor opção para lavar os dentinhos aos mais pequeninos. Escovar dentes tão pequenos em crianças com bichos carpinteiros na hora da higiene é uma tarefa difícil, a escovagem elétrica é mais fácil, mais rápida, mais eficaz e é divertida, e a cabeça das escovas (mesmo as nossas, elétricas) são do tamanho ideal.
Publicado por
Carmina Burana
| Livro de Exclamações:
Há 8 comentários no livro de exclamações clique no titulo do Post para exclamar ou ver
7.11.08
Quando chegares para jantar
Abro os braços, com os puxadores de ambas as portas do guarda-fatos dentro das minhas mãos.
Ficou apenas um sobretudo, preto, entre os restantes cabides nus, a oscilar num quadrado oco, pendurado como um enforcado, de mangas inertes, os bolsos vazios, a lapela degolada a emoldurar um quadro que já lá não está.
Lembro-me vagamente da tua relação com um vestido Azul. Azul? Sim, azul, azul cor de petróleo. Lembro-me de te ver pendurado no bengaleiro do teatro, do café da livraria Antunes, do hall da casa da Ema, éramos felizes, somos felizes, só não sabia que um dia iria abrir os braços, com os puxadores de ambas as portas do guarda-fatos e só existires tu, entre os restantes cabides nus, a oscilar num quadrado oco.
Ficou apenas um sobretudo, preto, entre os restantes cabides nus, a oscilar num quadrado oco, pendurado como um enforcado, de mangas inertes, os bolsos vazios, a lapela degolada a emoldurar um quadro que já lá não está.
Lembro-me vagamente da tua relação com um vestido Azul. Azul? Sim, azul, azul cor de petróleo. Lembro-me de te ver pendurado no bengaleiro do teatro, do café da livraria Antunes, do hall da casa da Ema, éramos felizes, somos felizes, só não sabia que um dia iria abrir os braços, com os puxadores de ambas as portas do guarda-fatos e só existires tu, entre os restantes cabides nus, a oscilar num quadrado oco.
O vestido azul fica-te a matar miúda. Enviar mensagem? Ok.
Espero que não estranhes, uma sms, nunca te mandei nenhuma. Nunca te disse que o sobretudo te caía como uma luva. Nem que o vestido azul te ficava a matar.
Eu pousava o casaco nos teus ombros e disfarçava. Fazia com que parecesse uma coisa natural, dizia: "- Veste-te que está a arrefecer." Eu reparava nos teus ombros frios, na tua pele arrepiada, na magreza sensual dos teus braços, mas disfarçava...
E se pensas que não via o nosso álbum de fotos, via. Sempre que tu não estavas eu via e o sobretudo está naquele retrato quando ganhaste o teu primeiro prémio literário e está no retrato onde o nosso filho andou pela primeira vez de carrocel, não se vê a tua cara e só se vê um bocado do sobretudo, mas dá para ver que é o sobretudo que eu nunca te disse, mas assenta-te como uma luva.
E se pensas que não via o nosso álbum de fotos, via. Sempre que tu não estavas eu via e o sobretudo está naquele retrato quando ganhaste o teu primeiro prémio literário e está no retrato onde o nosso filho andou pela primeira vez de carrocel, não se vê a tua cara e só se vê um bocado do sobretudo, mas dá para ver que é o sobretudo que eu nunca te disse, mas assenta-te como uma luva.
Ontem disseram-me que já estavas a viver noutra cidade, que eras feliz com aquele homem que sempre achei que não olhava para ti duas vezes.
Ontem disseram-me que estavas mais bonita. Sabes como é a vizinhança, gostam muito de falar da vida dos outros. Virei costas e vim para casa fazer-te o jantar.
Afundo os dedos nos bolsos do casaco, não encontro nada que te incrimine. Não sei dizer se alguma vez trouxe o sobretudo algo que te incriminasse, um bilhetinho, um convite, um poema, as pessoas falam, os amigos comentam, há a internet, mas sabes como são os outros, gostam muito de falar da vida alheia, não dou ouvidos. Éramos felizes, somos felizes. Ás vezes encontrava um talão da caixa do supermercado com o nome da operadora e a hora em que tinhas lá estado e isso chegava para mim.
Afundo os dedos nos bolsos do casaco, não encontro nada que te incrimine. Não sei dizer se alguma vez trouxe o sobretudo algo que te incriminasse, um bilhetinho, um convite, um poema, as pessoas falam, os amigos comentam, há a internet, mas sabes como são os outros, gostam muito de falar da vida alheia, não dou ouvidos. Éramos felizes, somos felizes. Ás vezes encontrava um talão da caixa do supermercado com o nome da operadora e a hora em que tinhas lá estado e isso chegava para mim.
Ouvi dizer que a semana passada tinhas ido visitar os teus pais, tu e o homem que eu achava que não olhava para ti duas vezes e não tira os olhos de ti (disseram-me que ele não tira os olhos de ti), sabes como é a vizinhança...
Só não sabia que um dia iria abrir as portas do guarda-fatos e só tu existires, e contemplar-te, e falar contigo, um sobretudo, pendurado como um enforcado, de mangas inertes, de bolsos vazios, ...
"- Ainda estás em tempo de combinar com um lindo vestido azul. Azul? Sim, azul. Azul cor de petróleo, vermelho, lilás, todas as cores ainda te ficam bem. Ainda estás em tempo de fazer inveja em qualquer bengaleiro. O quê? Velhos são o quê? Ora, não dês ouvidos a quem fala assim! "
Fecho as portas do guarda-fatos e os braços. Estás atrasada. É o trânsito. Deve ser o trânsito.
Pego no guarda-chuva e vou para a rua esperar-te. Oito, oito e meia, nove, dez, é melhor voltar para casa, ligar a televisão no noticiário, deve ter havido algum acidente, deves ter o telemóvel desligado, as pessoas passam por mim e falam, dizem que ele não tira os olhos de ti, o homem que eu achava que não olhava para ti duas vezes, disseram-me que ele não tira os olhos de ti, não ligo, onze, onze e meia, entro em casa com a ultima chuva nos olhos, volto a remexer nos talheres, substituo os guardanapos, nunca devíamos ter vindo morar para aqui, tem muito trânsito e comemos sempre a comida fria. Abro os braços com as portas do guarda-fatos e espanto-me: todos os cabides estão vazios... Todos.
Fecho as portas do guarda-fatos e os braços. Estás atrasada. É o trânsito. Deve ser o trânsito.
Pego no guarda-chuva e vou para a rua esperar-te. Oito, oito e meia, nove, dez, é melhor voltar para casa, ligar a televisão no noticiário, deve ter havido algum acidente, deves ter o telemóvel desligado, as pessoas passam por mim e falam, dizem que ele não tira os olhos de ti, o homem que eu achava que não olhava para ti duas vezes, disseram-me que ele não tira os olhos de ti, não ligo, onze, onze e meia, entro em casa com a ultima chuva nos olhos, volto a remexer nos talheres, substituo os guardanapos, nunca devíamos ter vindo morar para aqui, tem muito trânsito e comemos sempre a comida fria. Abro os braços com as portas do guarda-fatos e espanto-me: todos os cabides estão vazios... Todos.
A comida está fria, vamos jantar fora? Enviar mensagem? Ok.
Éramos felizes, somos felizes, quando chegares para jantar (é o trânsito) seremos felizes porque já não uso roupa interior de outra cor, é tudo preto. Gostas de preto e tenho slips de cor preta. A roupa interior de homem preta, faz milagres.
Todos os cabides estão vazios. - Velhos? Os trapos? Sorrio vagamente.
Éramos felizes, somos felizes, quando chegares para jantar (é o trânsito) seremos felizes porque já não uso roupa interior de outra cor, é tudo preto. Gostas de preto e tenho slips de cor preta. A roupa interior de homem preta, faz milagres.
Todos os cabides estão vazios. - Velhos? Os trapos? Sorrio vagamente.
Subscrever:
Mensagens (Atom)







