oreinabarriga
este blogue tem Livro de Exclamações
7.4.07
3.4.07
Todos os que caem
"A primeira impressão que chega ao olhar dos espectadores é a da
poeira que parece pairar no ar envolvendo todo o cenário - um estúdio de rádio.
A segunda impressão advém da presença esmagadora da personagem central, Mrs
Rooney, figura desconcertante, amarga, irónica, comovente, trágica, gorda -
gordíssima -, magistralmente interpretada por Maria do Céu Guerra. A peça
chama-se "Todos os que caem" e é nada mais nada menos do que a primeira incursão
pelo teatro radiofónico de Samuel Beckett, que a escreveu em 1956. A encenação
que se pode ver na Comuna Teatro Pesquisa, em Lisboa, é assinada por João Mota,
que deste modo se estreia com um texto de Beckett. Um sonho antigo agora tornado
realidade como forma de assinalar o centenário do dramaturgo irlandês que terá
lugar no próximo dia 2 de Abril. Nesta data, "Todos os que caem", cujos ensaios
para a gravação podem ser vistos na Comuna, terá transmissão numa emissora de
rádio portuguesa."Esta é uma peça de grande rigor que prima pela excelência da
palavra. O teatro é isto", diz João Mota no final de mais um ensaio, a fórmula
encontrada para tornear a proibição de Beckett que impede que o texto conheça
qualquer outro tipo de adaptação cénica que não a de se destinar à radiodifusão.
Assim, na Comuna, foi erguido um esboço de um estúdio de rádio e cada
representação é de facto gravada. "No fundo, o que se pretende é que o público
assista àquilo que podem ser os ensaios para a gravação. O ambiente sonoro -
vozes de animais, o som da chuva e do vento - são criados com a ajuda dos mais
diversos utensílios, desde passadores domésticos de legumes, trituradoras
manuais , sacos de plástico, palhinhas". Além da dupla Maria do Céu Guerra e
Carlos Paulo, a peça conta com interpretações de Álvaro Correia, Alexandre
Lopes, Ana Lúcia Palminha, João Tempera, Miguel Sermão, Sara Cipriano, Hugo
Franco e Victor Soares."Todos os que caem", que remete para um salmo do Antigo
Testamento - O Senhor ampara todos os que caem e ajuda a erguer todos aqueles
que Ele determinou que se curvassem - , "é uma peça que retrata as misérias da
condição humana com um humor patético e cúmplice".A história desenrola-se a
partir de um casal de idosos, o cego Mr Rooney (interpretado por Carlos Paulo) e
a sua mulher, Maddy (Maria do Céu Guerra), que o vai esperar à estação de
comboios. Aliás, como sublinha João Mota, "esta é uma peça purgatorial sobre o
declínio e a queda, onde o tema da espera, já anteriormente assumido por
Beckett, com a peça de Godot, assume aqui uma forma mais activa". O encenador
lembra que "Todos os que caem" não é uma das peças mais conhecidas do autor de
"À espera de Godot". E isto porque Beckett nunca permitiu que a mesma conhecesse
outras formas de encenação que não fossem as destinadas a radiodifusão. A única
excepção em vida do autor foi a da realização televisiva francesa da peça em
1963, mas esta experiência cavou ainda mais fundo o cepticismo de Beckett que
não permitiu mais interferências cénicas e chegou a ponto de recusar uma
proposta feita pessoalmente pela dupla Laurence Olivier/Joan Plowright. Este
ensaio levado à cena na Comuna é também marcado pelo facto de Maria do Céu
Guerra, da companhia A Barraca, trabalhar pela primeira vez com o encenador João
Mota."
25.3.07
O Principezinho
23.3.07
Senhora do meu nariz
Hoje acordei senhora do meu nariz.
Se há coisa em mim que em nada me abona, é precisamente, o meu nariz. Penca, Narigão, Nariz, é favor. Acordar, portanto, senhora do meu nariz, devería querer dizer, acordar indisposta, de mau humor, de mal com o mundo, mas nada disso.
Nunca tive complexos em relação ao meu nariz porque nem sempre tive nariz de Júlio Isidro. Nasci praticamente sem nariz. Fiz a primária de nariz pequeno e aperfeiçoado. Fui para o ciclo e nos dois anos que lá andei o nariz portou-se lindamente e só quando fui para o Liceu é que se começou a indignar-se e muito embora as minhas mentiras fossem daquelas mentirinhas da cáca (e diga-se era sempre apanhada) certo que o nariz explodiu cara a fora e toda eu era nariz. Tive sorte, porque no Liceu, os rapazes olhavam mas era para as minhas saliências e para o meu rabo e pouco reparavam que a minha cara toda ela era nariz. Quando reparavam eu sorria e parecendo que não, disfarçava.
Apesar da minha penca, sempre me deram emprego.E ainda consegui namorar com dois dos rapazes dos meus sonhos.
As crianças são muito cruéis como se sabe, umas com a outras, de modo que se o meu nariz se tivesse manisfestado na minha infância, estaria a fazer tratamentos num qualquer consultório de psicologia. Mas não, a coisa passou-se assim, tal e qual como a descrevi e hoje em dia até me dou ao luxo, de me levantar de manhã e sentir-me Dona do meu nariz! O que é bom. Há coisas melhores, é certo. Mas é bom.
18.3.07
Pode chamar-se Rui Veloso, mas mais correcto é ser o fim.
”Foi nesse dia que percebi
Nada mais por nós havia a fazer
A minha paixão por ti era um lume
Esse dia foi hoje. O que já só eram brasas, agora é um quarto escuro, foi num quarto escuro onde tudo começou e acabou, mas já sem ninguém.
Tenho o coração cheio, os meus pais ocupavam quase todo o espaço, chegou o meu filho e apertadinho, cabemos todos dentro dele, as memórias empurram-se para o lado, outras por força das circunstâncias vazei-as fora. As brasas apagaram-se, o coração sangra um nadinha porque rebentou de cheio, entretanto.
Fui ver uma casa que podia bem ser a casa dos meus sonhos. Podia ter sido uma canção e não ter sido uma casa. Podia ter sido a nossa viagem de férias e não ter sido uma casa, podia ter sido um quadro, uns sapatos… Mas enfim era uma casa. Uma casa que não tinha janelas, tinha portas e varandas. Uma casa grande daquelas que giram em torno do sol. Lá do último andar avistavam-se outras casas e outras varandas todas arrumadinhas e limpas e árvores, muitas árvores salpicadas num prado verde.
A casa tinha todas as comodidades. Mas eu muito embora aprecie todas as comodidades, não é por aí. Eu não sonho obviamente com estores eléctricos, quem me conhece bem sabe que gosto de abrir os braços com as janelas e empurrá-las para a luz do dia, e à noitinha, gosto de fechar os braços com as janelas.
Eu não sonho com uma garagem, o meu carro dorme sossegado lá fora ao luar como cão no quintal, era engraçado abrir o portão em dias de chuva para os amigos entrarem na minha garagem, sobretudo os que têm filhos, mas não, não sonhei com a garagem para quatro. Pus-me a sonhar que abria as portas e as varandas daquela casa, que ela começava o seu percurso de translação e as crianças brincavam alegremente, o que não quer dizer que estivessem todas aos gritos.
Sonhei com o chão de madeira que torna acolhedora todas as casas.
Sonhei que estava sossegada à varanda a fumar o meu cigarro e que as pessoas vazavam o lixo nos contentores apropriados. Sonhei que à noitinha dava uma volta pelas lojas e pelos cafés, de mão dada com o meu filho, ambos de cabeça levantada porque o chão está limpo, ambos sem medo porque as ruas estão iluminadas.
O Centro Comercial ser mesmo ali ao lado também não é factor relevante, pois fiquei sem saber a que posto médico recorreria, a que repartição de finanças pertenceria, a que hospital… isso sim é relevante. Mas é uma coisa simpática. O F.N., os restaurantes, as lojas para comprar presentes… Sou urbana. Estilo citadina com pinceladas de romântica aqui e ali…
Podia ter sido um quadro e não tinha ninguém a quem o mostrar. Podia ter sido uma viagem de férias e não tinha com quem ir. Em vez de uma casa podia ter sido uma canção…
“Mas tu não ficaste nem meia-hora
O meu coração continua cheio. Os meus pais cabem mais à vontade, talvez sobre mais espaço para eles e para aquilo que é verdadeiramente importante, o meu filho brinca pelo meu coração inteiro a correr alegremente. As brasas vou vazá-las como às memórias que já só ocupavam espaço.
Era uma casa. Não era Saturno. Era uma viagem de percurso curto não íamos passar a fronteira nem precisava-mos ir de avião, era logo ali… Mais à frente dos olhos, um bocadinho… Era um sonho como outro qualquer e no fim, nem por agrado, nem por eu ser mãe, nem por eu trabalhar tanto, nem pela lealdade (que às vezes custa mais a cumprir que a interromper, ninguém aqui é de ferro), nem pelo prazer de partilhar os sonhos bonitos. “Sim também quero ir lá ver, também estou curioso para saber afinal, como é a casa dos teus sonhos!” Em vez de “Se ganhares o euromilhões, pode ser que eu vá lá ver a tal da casa.”
(esta desilusão de resposta merecia um saquinho daqueles que há nos aviões para a gente vomitar quando se vê em aflição. É que estamos à espera de certas palavras e depois dizem-nos outras que, meu Deus, ninguém conhece ninguém essa é a pura da verdade.)
“Tu eras aquela que eu mais queria
Quando as brasas se apagam faz um nadinha de frio. Mas vou para cama agora. Sossegada, aliviada, já não preciso de andar a ver carros sem me apetecer só para ser agradável, nem ter que gramar almoços de família e tardes a ver a TVI sem me apetecer mesmo nada, só para não fazer desfeita a quem tanto gosta de mim. Vou sonhar se Deus quizer, assim, aliviada, por já não ter que sentir nada. Não é amor, não é respeito, não é lealdade, já não é nada. Posso dizer até que enfim! Finalmente não
Tu eras aquela que eu mais queria
Ai o que eu passei
Mesmo sabendo que não gostavas
Era só a ti que eu mais queria
Mas tu não ficaste
Mesmo sabendo que não gostavas
Foi nesse dia que percebi
Carlos Tê: letra
16.3.07
Carnaval 2007
Ele era excursões atrás de nós no Fun Center: Olha o Nemo! Houve até quem tirasse fotos ao peixinho!
Enquanto o pai decidia se comprava carro novo ou não, o Miguel entretinha-se a ver uma revista.
15.3.07
A gravidez da Vivaldina
19.2.07
Ganhou o SIM
Felizes daqueles funcionários do estado, que já não têm que enfiar os processos de denuncias de mulheres e parteiras por baixo de todos para que sejam os pedófilos, os violadores e os corruptos a serem condenados primeiro. Felizes dos PSP que não têm que algemar mulheres que podiam ser as irmãs, as filhas ou amigas, porque todos temos irmãs, filhas ou amigas.
Levante-se a Objecção de Consciência por parte dos médicos, mas limpe-se o País por baixo do tapete!
17.2.07
Clique para saber a Lei
Para saber a Lei actual que vigora nos outros países da UE em relação à IVG, abra e depois clique em A lei na União Eupeia...
http://www.rtp.pt/referendo/
7.2.07
Referendo sobre a Despenalização do Aborto
... Apesar da minha primeira gravidez ter sido um descuido da minha parte pois
andava a tomar a pílula e medicamentos para a gripe, ou seja, não estava para aí virada, apesar da PC Gás estar na altura a ir à falência, depressa superei todas essas contrariedades porque estar grávida é absolutamente maravilhoso!
Não julgo as mulheres que abortam. A mulher sofre para ter os seus filhos, a mulher tem menstruação, a mulher é que os traz na barriga durante toda a gravidez e seus receios, a mulher é que quando tem que ser se sujeita a um aborto, é justo condená-la? Mandá-la para a prisão? É? Pois não é, definitivamente. (Excluo sempre as que fazem abortos sucessivos, essas mulheres para mim não merecem entrar neste debate da despenalização do aborto, mas noutro debate qualquer, para o qual nem me ocorre um nome minimamente digno.)
O Ricardo deu pulos de contente no instante em que
o teste caseiro deu positivo, apoiou-me como só um verdadeiro homem o faz! Eu chorei bastante, depois já ria de alegria,
estou a alongar-me com esta história para chegar à altura em que fui fazer a primeira eco e não se via nada. NADA. O filho
que eu esperava era um vazio. Foi o vazio maior de toda a minha vida, (eu compreendo bem a dor de fazer um aborto, de perder um "filho", porque no fundo é um filho que se perde, eu senti naquela hora, as mulheres que abortam, sentem provavelmente quando acordam, essa perda, embora a mim tenha sido uma injustiça o que aconteceu, porque eu desejava o meu filho, penso que algumas mulheres sentem a mesma dor ou algo muito semelhante)
O embrião ficou retido no útero, eu fui mandada
para casa uma e outra vez sempre na esperança (minha e do médico) que o organismo o expulsa-se. O excelente médico (e excelente ser humano que me assistiu) achava a raspagem do útero (prática do aborto voluntário) uma violência para a mulher a evitar a todo o custo (sobretudo para mim, primeira gravidez, relativamente jovem), mas não havia maneira de a natureza nos ajudar, de modo que à terceira vez o médico receitou-me então o CITOTEC de que tanto se fala na televisão que eu apliquei para provocar o
aborto. (Para provocar o aborto aplicam-se os comprimidos, não se tomam com água, introduzem-se à entrada da vagina).
O Dr. R. disse-me que a única maneira de saber a causa da morte do
embrião seria o exame histológico, mas para isso, eu teria que conseguir
guardar o embrião logo que ele fosse expulso, tinha que ter muita coragem para "aparar aquele passarinho nas mãos" e eu respondi que teria essa coragem, que preferia assim que mandar o passarinho fora como se fosse um “aquilo”, mandar “aquilo” fora...
A melhor maneira que encontrei para expressar o meu SIM, foi contar esta minha história.
Assim, aconteceu um “mini-parto”, rompeu-se o rolhão mucoso, comecei a ter contracções fortes (aquele medicamento dá umas contracções horríveis) e então saíu aquele 'passarinho' tal como havia o médico descrito. Com 7 semanas é semelhante a um passarinho ou ratinho que cabe na concha da palma da mão, tem olhos pretos do tamanho de cabeças de alfinete, tem a pele transparente e só não sei dizer se é visível o coração e outros órgãos (que já os tem em formação) porque está envolto em sangue e as minhas mãos e os meus olhos e o meu coração tremiam demais. Sabem que achei grande? Sabem que pensei: Meu Deus, é tão perfeitinho, como é que alguém pode fazer mal a uma coisinha destas? Pensava também que fosse uma bola de sangue, uma coisa do tamanho de um feijão, mas é algo mais, é o que descrevo, friamente, mas de lágrimas nos olhos.
Não me venham dizer que aquilo sofre, não é por aí, um embrião não tem sentimentos, sentimentos tem a mãe! E o feto. E não se sabe mesmo assim, ao certo, a partir de que semana de gestação, é preciso ter sistema nervoso, capacidade de registar/ memorizar a dor para sofrer, estarei certa? Acredito que sim. Eu perguntei ao médico, depois de feita a histologia, se o meu embrião tinha sofrido e ele respondeu que o coração parou e por isso não houve tempo para qualquer reacção mas que se tivesse ocorrido asfixia por exemplo, sim, “…teria-se debatido à sua medida, instintivamente, talvez, era um ser vivo, aqui não temos dúvidas".
Acho coerente o prazo das 10 semanas. Algum prazo tinham “eles” que estipular não é verdade? Não discutam por favor mais vez nenhuma se ao 11º dia já não se pode, se à meia-noite do décimo dia já não é legal, não sejam ridículos(as) algum prazo tinha que ser estipulado bolas!
Mas não vale a pena pensar assim, para já, um passo de cada vez.
Há que mudar as mentalidades e vamos a isso, a oportunidade que nos dão de votar neste referendo é de suma importância. Estivemos muito tempo calados(as) à sombra de uma Lei tão estúpida, tão estúpida que em tantos anos só meia dúzia de casos foram julgados e de certeza devem ter sido aqueles que a justiça não pode mesmo fechar os olhos de maneira nenhuma, fechar os olhos não se diz não é? É prescrever. Pres-cre-ver.
Não concordo com a clandestinidade, com aquilo que não é possível contabilizar, com mercados e serviços paralelos. Não ando com os olhos vendados. Não há meias verdades. A realidade é sempre só uma.
Não gosto de chulos, mas das prostitutas sou capaz de gostar. Os toxicodependentes, os drogados, (eu gosto mais da palavra drogados) comovem-me, quase sempre, os barões da droga revoltam-me, metem-me nojo! Que sejam eles os condenados!
O SIM é uma bofetada naqueles que cobram por um aborto clandestino o preço de um parto numa clínica de luxo.
O SIM é retirar o aborto da competência da Justiça e levá-lo para a competência da Saúde que é onde ele deve ser discutido.
E se ganhar o Não, meu Deus, se ganhar o não (e num país agarrado a uma religião ainda obscura e sem querer ofender aqui os que a praticam e distribuem com fé e dignidade, demagoga e hipócrita, que está constantemente a apregoar a defesa da vida e a levantar a bandeira do NÃO mas pratica-se o mesmo crime que condenam dentro da sua própria comunidade, o crime do Padre Amaro, porque o problema existe!, num país povoado de gente cheia de falsos pudores e portanto, não ficava admirada) então nesse caso, façam o favor de condenar os homens que praticam o aborto, sim, que praticam o aborto, repito, porque se a mulher é que faz a raspagem do útero muitos são os homens que o provocam. E nunca se fala disso!
cartaz
No caminho para a escola deparei-me com um cartaz que me chamou a atenção porque dizia assim: Ainda está a tempo de salvar muitas vidas! E eu pensei ó pá, isto interessa-me. Deixa-me cá ver como, e não é que afinal era para votar Não no referendo? Não percebi... Podem explicar-me melhor, senhores que fizeram o cartaz? É que se eu votar Não, as coisas ficam como estão e como estão eu nunca consegui salvar nenhuma até hoje. Juro que não percebi. É falta de imaginação vossa?
6.2.07
As melhoras
As melhoras vêm aí. O apetite voltou. Amanhã já vou trabalhar e o Miguel vai para a vóvó Nhanhá e para o vôvô! (vôvô tem sempre um ponto de exclamação na linguagem do Miguel) que estão cheios de saudades do pequeninosinho e da normalidade dos dias... sem constipações.
O Corte de Cabelo
A mamã acha que o Miguel agora vê melhor. Quanto ao corte de cabelo... O cabelo cresce. É o que eu sempre digo...
5.2.07
Baixa
O Miguel passou a noite quase sempre ao meu colo a chorar. A espectoração era cada vez mais a ponto de se engasgar por causa dela e vomitar o pouco ou nada que havia comido, ou simplesmente a espectoração, que não havia maneira de saír se não assim. A última refeição que tomou foi uma tijela de sopa na casa da avó Dília, no Domingo. Decidimos que era melhor ir com ele ao Hospital. O Miguel estava a ficar fraco, visivelmente, e cada vez mais cansado. Estava muito frio. Eram quase 7 da manhã. Bem agasalhado, apertei-o contra mim do carro até às urgências. Quando entramos na sala de espera riu-se para mesa e para os banquinhos coloridos, sorriu e apertou a mão ao segurança, era uma novidade estar ali! Apesar de doente, nunca deixou de sorrir até a tosse, os vómitos e depois as lágrimas nos atraiçoarem. A médica, a cumprir a vigésima quarta hora de trabalho (seguida!) claro que auscultou o Miguel às pressas e tratou de esclarecer que estava diante de um bebé constipado e de uma mãe que via o filho doente pela primeira vez.
- De qualquer modo, tem que ficar em casa com ele de outra forma vai demorar para recuperar ou ficar pior, ele está de facto fraquinho, precisa da mamã. Mas vá para casa sossegada, ele tem os bronquios limpinhos, é um bebé saudável. É apenas uma constipação. Não come porque está doente e quando estamos doentes todos perdemos o apetite, ele tem as suas reservas, quando ficar bem, vai comer este mundo e o outro!
Vim para casa mais descansada apesar de a médica não ter receitado vitaminas, nem suplemento alimentar e pode ser tudo muito normal, mas para uma mãe o filho não comer é uma tragédia muito grande, é uma dor de alma que nunca mais abala nem nos deixa dormir ou pensar em mais nada que não seja a última vez que o meu filho comeu foi à 4 dias!
No dia seguinte levei-o comigo à Dr.ª Manuela, fomos buscar a baixa para eu poder ficar em casa uns dias e a Dr.ª Manuela inspeccionou-o minuciosamente, viu os ouvidos, a garganta, os dentes, a barriga, auscultou-o e mais segura que a médica do Hospital, por ter feito isto tudo, disse-me que de facto ele não podia continuar sem comer mas que estava bem e bem disposto e de certo ía melhorar em breve.
E assim foi. Hoje é segunda-feira, o Miguel está quase limpinho de espectoração (aspiro o nariz do Miguel com o Narinhel e com Rinhomer até à exaustão), já come meias-doses, tem dormido cada vez mais e mais tranquilo, aprendeu a assoar-se e já não chora... pois não, o meu filho já não chora e isso é tão importante que continuo de coração apertado à guarda de um filho que recupera... de colo prontinho, sempre feito, porque a mamã cura tudo. (eu sei que sim)
29.1.07
Vem aí uma constipação
17.1.07
O pequeno Dicionário
16.1.07
Bebé Nestlé
1.1.07
Passagem do ano
30.12.06
28.12.06
E as fotos, hein? Quando é que chegam as fotos?
11.12.06
Medo do berbequim
O Miguel tem medo do ruído de um berbequim. O fim-de-semana passado o pai e o avô Vitor precisaram ligar o berbequim para instalar um aquecedor na casa de banho e o Miguel fugiu para o meu colo como um coelhinho assustado, fez beicinho e não parou de tremer enquanto o ruído do berbequim se fez ouvir atrás da porta.
Ainda tentei uma aproximação entre os dois. Ainda tentei explicar-lhe que era só muito barulho, não havia mal nenhum num berbequim a trabalhar (a não ser buracos nas paredes) mas o Miguel tremeu de medo e o beicinho era uma ameaça permanente de choro.
20.11.06
Uma nova palavra
9.11.06
Poema Temperamental
Ó cara...! Ó cara...! Quem abateu estas aves? Quem é que sabe?
Quem é que inventou a pasmaceira?
Que puta de bebedeira é esta que em nós se vem já desde o ventre da mãe
e que tem a nossa idade?
Ó car...! Ó car...! Isto de a gente sorrir com os dentes cariados
esta coisa de gritar sem ter nada na goela faz-nos abrir a janela.
Faz doer a solidão.
Faz das tripas coração.
Ó car...! Ó cara...! Porque não vem o diabo dizer que somos um povo de heróicos analfabetos?
Na cama fazemos netos porque os filhos não são nossos,
são produtos do acaso desde o sangue até aos ossos.
Ó c...! Ó c...! Um homem mede-se aos palmos se não há outra medida e põe-se o dedo na ferida se o dedo lá for preciso.
Não temos que ter juízo o que é urgente é ser louco
quer se seja muito ou pouco.
Ó c...! Ó c...!Porque é que os poemas dizem o que os poetas não querem?
Porque é que as palavras ferem como facas aguçadas cravadas por toda a parte?
Porque é que se diz que a arte é para certas camadas?
Ó c...! Ó c...!Estes fatos por medida que vestimos ao domingo tiram-nos dias de vida
fazem guardar-nos segredos e tornam-nos tão cruéis
que para comprar anéis
vendemos os próprios dedos.
Ó c...! Ó c...! Falta mudar tanta coisa.
Falta mudar isto tudo!Ser-se cego surdo e mudo entre gente sem cabeça não é desgraça completa.
É como ser-se poeta sem que a poesia aconteça.
Ó c...! Ó c....! Nunca ninguém diz o nome do silêncio que nos mata e andamos mortos de fome(mesmo os que trazem gravata)
com um nó junto à garganta.
O mal é que a gente canta quando nos põem a pata.
Ó c...! Ó c...! O melhor era fingir que não é nada connosco.
O melhor era dizer que nunca mais há remédio para a sífilis. Para o tédio.
Para o ócio e a pobreza. Era melhor. Concerteza.
Ó c...! Ó c...! Tudo são contas antigas. Tudo são palavras velhas. Faz-se um telhado sem telhas para que chova lá dentro e afogam-se os moribundos dentro do guarda-vestidos entre vaias e gemidos.
Ó c...! Ó c...!Há gente que não faz nada nem sequer coçar as pernas.
Há gente que não se importa de viver feita aos bocados
com uma alma tão morta que os mortos berram à porta dos vivos que estão calados.
Ó c...! Ó c...! Já é tempo de aprender quanto custa a vida inteira a comer e a beber e a viver dessa maneira.
Já é tempo de dizer que a fome tem outro nome.
Que viver já é ter fome.
Ó c...! Ó c...!Ó c...!
Joaquim Pessoa
Vem aí o Natal
Palhaço rico, palhaço pobre...
1.11.06
O Mê Éme do Miguel!
O Miguel percorre kilometros no seu Mê Éme pela casa! (carrinho da chicco que os padrinhos lhe ofereceram no 1º aniversário) E grita enquanto anda: mãmãmããããããm! (Os mê émes têm este defeito: motor muito ruidoso, mais a mais quando conduzidos por miniaturas com idade nenhuma para guiar)
23.10.06
O Baptizado da Carolina
20.10.06
A Constipação
Felismente só teve febre no 1º dia. Mesmo doente, esteve sempre feliz e brincalhão, só perdeu o apetite, mas a Dr.ª Manuela disse que nesta fase do crescimento do nosso filho é normal ele comer menos quantidade e não ter tanto apetite.
Quanto ao desenvolvimento o Miguel está o máximo: muito esperto, comprido, simpático, só lhe falta falar! E ficar melhor da constipação.
8.10.06
Os pesadelos
25.9.06
Belas Artes
Isto é um cartão que antes acondicionava um monitor (quem diria?) e que em vez de ir para o eco ponto azul junto com a caixa de papelão, está em cima da mesa da sala e já pintei metade com gesso acrílico. Achei que o relevo do papelão se assemelhava a uma máscara, imaginei um quadro de inspiração Afro. O Ricardo já me disse: Queres pintar o cartão tudo bem mas depois não quero essa coisa feia com' a m... pendurada na parede hã! 23.9.06
Sinto falta (cada vez mais)...
O Sr. da bomba não está lá, tenho que sair do carro, perder um bocado de tempo a acertar os mostradores da bomba para os 20 Euros, depois puxar pela mangueira, enfiar aquilo no depósito, olhar distraídamente para o lado (distraídamente, mas cá no fundo com a esperança de o voltar a ver. Ao Sr. da bomba) depois aquilo não escorre, desaperta, volta a enfiar, aperta, distraídamente a olhar para o lado ou à procura do Sr. da bomba lá vou resmungando que acertei na bomba avariada, é o mais certo, e a D. Irene? A D. Irene agora é um supermercado e sou eu mesma, a cliente (que paga a conta, eu mesma), quem vai buscar a fruta, a hortaliça, as bolachinhas e quando não chego à prateleira onde está precisamente o frasco que eu necessito, aonde é que está o Sr. Julião marido da D. Irene? Para ir buscar o escadote? Para me apanhar o frasquinho lá de cima? Tenho tantas saudades de dizer: Deixe estar Sr. Julião, eu levo este aqui, não se dê ao trabalho, olhe que ainda cai... - E tenho saudades da D. Irene: Ora essa! O escadote está cá é para isso mesmo e o Julião a mesma coisa."
..

13.9.06
Novidades
8.8.06
os primeiros passos do meu filho
Hoje fiz anos. 34. E recebi a prenda mais valiosa de todas as prendas de aniversário que recebi em 34 anos: o meu filho deu os primeiros passinhos. Acredito que a minha mãe e o meu pai tenham treinado o Miguel para fazer esta gracinha nos anos da mãe, mas de qualquer forma, se ele não tivesse perdido o medo de vir direitinho aos nossos braços abertos, pelo seu próprio pé, nada disto tinha acontecido.Ainda estou de lágrima no olho. E de braços abertos também...
26.7.06
A Terra
Na “terra” vestimos o que já não se usa, calçamos sapatos velhos, usamos chapéus e bonés ridículos, toda a gente se veste de trapos, comemos com talheres velhos, dormimos em lençóis desusados. Se vamos ao super mercado, trazemos o champô mais barato, o sabão que serve para o corpo e para a roupa velha, o detergente mais económico e o dizer é sempre assim: “leva-se este mais barato que para a terra serve muito bem".
A água canalizada é suja mas não faz mal, para água da terra é apenas um pouco turva.
O que não serve nas nossas casas, o que está roto, o que é velho, o tingido, o que já não se usa, guarda-se e leva-se para a “terra”, obrigatoriamente. Quem tem uma "terra" não deita nada fora. Qualquer guarda-chuva desmanchado, frigideira sem pega, frasco, saco, mesa ou cadeira, rádio, televisão, chinelo, pente, tábua, ferro, coisa sem utilidade nenhuma, leva-se para a “terra”. Na “terra” os restos de comida vão para os animais, os restos de água vão para a regueira.
Tudo se aproveita. Tudo presta. Até os velhotes e as velhotas na "terra" prestam para alguma coisa. Prestam para regar, para sachar uma horta, para levar o lixo, para levar o cão, para fazer queijos, para guardar ovelhas (os velhos na cidade realmente, não lhes vejo utilidade nenhuma).
É engraçado que até a máquina de lavar roupa da “terra” não precisa ser boa como a da nossa casa, na cidade. A loiça não precisa de ser bem lavada, nem o chão. A televisão pode dar imagem aos chuviscos que é tudo normal na terra. Ninguém reclama cheiros, sujidades, buracos na roupa, cabelos eriçados, óculos fundo de garrafão com hastes presas com fita-cola, na terra só se reclamam as melgas e as moscas.
Para toda a vida não, mas para escapar da urbe e de termos que andar limpinhos, a cheirar a Carolina Herrera, vestidos à semelhança dos modelitos das revistas e das montras de roupa de marca, com as unhas arranjadas e o cabelo também. Para toda a vida não, mas para descansar da TV cabo, ir para a cama com um pijama qualquer sem problemas de parecer um trambolho, não olhar para a qualidade dos talheres, para a perna que falta ao banco, para os cortinados fora de moda, para o sofá rompido, para o espelho salpicado de não sei o quê. Para toda a vida não, mas os estereótipos e os clichés fadigam uma pessoa. Os cabelos pintados também. As gavetas com as peúgas e as cuecas como novas, a banheira a brilhar, o espelho também. Se há um dia que andamos por casa mal vestidos, nem vamos à varanda, na “terra” vamos a todo o lado assim, mal vestidos, despenteados, conscientes que não lavamos os pés, vamos ao café, ao supermercado, só não vamos ao cinema porque já fechou o cinema.
Para toda a vida não, mas para sermos nós próprios durante uns dias sim, devíamos ir à terra com alguma frequência. Lá, na “terra” só nos falta um bocadinho de nada para sermos absolutamente nós. Talvez embrulhar o nosso corpo na terra e ficar 15 dias seguidos sem tomar banho, não pintar a cara nem o cabelo para nos vermos como somos ao natural, andarmos com a roupa velha, enjeitada e larga e sentirmos que nos mexemos completamente à vontade, simplesmente. Enfim, todas as coisas que todos temos vontade de fazer, mas só na “terra” é que podemos efectivamente fazer (pelo menos sem que ninguém se espante e nos exclua logo do rebanho)
14.7.06
Os legos
8.7.06
A visita ao oceanário



Hoje fomos visitar o Oceanário de Lisboa, decidimos portanto, mandar o Miguel aos peixinhos!
Acho que o Miguel vai sonhar com um aquário gigante povoado de tubarões e um peixe-lua. Ir ao oceanário não é um programa barato, embora os pequeninos até aos 3 anos não paguem bilhete, as entradas custam Euros 10.50 por adulto, mas entende-se que não possa ser de outra maneira tratando-se de um recinto privado, gerido unicamente pelas receitas das bilheteiras e das actividades que o Pavilhão tem criado como o célebre "Dormindo com os tubarões" ou festas da "Música para bebés". Não deve ser nada fácil dar comida a tantas espécies de peixes e não só, limpar um aquário gigante, recifes de corais, pagar os vencimentos dos biólogos e dos funcionários (que são muito simpáticos apesar de discretos e estão sempre atentos à passagem de mamãs e papás que transportam crianças e deficientes apontando o caminho para as melhores acessibilidades), pagar as contas da renda, da água, da luz no fim do mês...
A próxima vez que eu e o pai quizermos mandar o Miguel aos peixinhos vamos ao Aquário Vasco da Gama que é um Museu que já visitamos (eu diversas x), de uma importância e conteúdo nada abalada pela criação deste novo Oceanário de Lisboa. É diferente, simplesmente, menos apelativo para um bebé de apenas 1 ano, mas igualmente capaz de marcar o imaginário, os sonhos e o conhecimento.














