oreinabarriga

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este blogue tem Livro de Exclamações

23.5.07

O Primeiro beijo

Hoje foi o dia do 1º beijo que o meu filho me deu.
Depois de termos dado uma turra durante as nossas brincadeiras, o meu filho pousou os lábios na minha cabeça e deu-me um beijinho! Nem que a turra me tivesse doído...
Um beijo agora do meu filho, amaina tudo...
E seguiram-se outros beijos sempre que lhos pedi...

Madelaine

A menina britânica de três anos foi raptada enquanto dormia num quarto de um complexo turístico na praia da Luz em Lagos, no Algarve. No mesmo apartamento, a dormir também, estavam os dois irmãos gémeos de dois anos. Os pais jantavam fora, com amigos, num restaurante a cerca de 50 metros do apartamento e dizem, de 15 em 15 minutos íam verificar se os filhos estavam bem.
O único arguido neste processo, passados 20 dias do desaparecimento da menina é o britânico Robert Murat que não confessou o crime, pois não, mas se a PJ tivesse usado dos mesmos métodos que usou para a Leonor Cipriano mãe da Joana, ter confessado que esquartejou a filha e escondeu o corpo, talvez estivesse o inglês atrás das grades, mas como o Robert Murat nem é Português nem nada...
Que o método foi medieval, foi, pouco-ortodoxo, também foi, mas foi bem feita para a mãe da Joana ter ficado com a cara feita num bolo ao menos, ao menos isso, a cara feita num bolo. E depois a PJ a descartar-se da culpa com esta máxima: caíu mas foi das escadas. Tenho pena é que a Polícia não possa ter alegado: Também tenho uma filha porra! Quem é que se consegue controlar?

Fátima Letícia

[A bebé de Viseu internada no Hospital Pediátrico de Coimbra, vítima de maus tratos, "registou ligeiras melhoras", segundo o boletim clínico divulgado ontem. A menina "está mais desperta, mais reactiva, menos queixosa à manipulação, já mamou pelo biberão". Os médicos dizem ainda que a bebé "não repetiu convulsões", mantendo-se, contudo, o "prognóstico reservado do ponto de vista neurológico e da visão". Com cerca de sete semanas, a bebé está internada no HPC desde sábado e já tem um longo historial de internamentos e visitas à urgência. A primeira vez que deu entrada no serviço de pediatria do Hospital de Viseu, logo aos 14 dias, apresentava falta de peso e higiene. Segundo a equipa médica, Fátima Letícia ficará com sequelas, devido à gravidade dos traumatismos. A menina sofreu uma fractura craniana, lesões no ânus e outras partes do corpo e ainda num dos olhos (provavelmente ficará parcialmente cega). ]
Diário de Notícias 17 de maio de 2005.
Como é que é possível que o pai e a mãe possam agredir e abusar sexualmente da sua própra filha? A Fátima Letícia tinha pouco mais de um mês de vida! Era uma bebé com 50 dias. Cinquenta dias! Deixaram-na em estado de coma, com convulsões, fracturas cranianas, lesões por todo o corpo e quase cega!
Pai e mãe estão presos. O pai da Fátima Letícia foi para o estabelecimento prisional de Viseu e a mãe para a cadeia de Castelo Branco. Ou seja, perante crime tão monstruoso, não lhes aconteceu nada, nada, de mau. Continuam a respirar bem, a alimentar-se convenientemente, a dormir numa cama, a passear num jardim, a poder ver a luz, as cores e as coisas. A Fátima Letícia não...

21.5.07

Um pardal... Que silêncio

Quando o meu pai era pequeno, ia para o campo espantar pardais munido de um caldeiro e de um graveto para o efeito. Depois batia com o graveto no caldeiro…
Não consigo imaginar o meu pai a afugentar passarinhos e por causa disso, não consigo contar o resto da história... talvez um dia, quando os pardais se calarem...

25 de Fevereiro de 2005 (ainda o nosso menino não era nascido)

O meu pai sempre foi apardalado. Às vezes chamamos pelo meu pai e ele parece que não nos ouve.
Onde está o meu pai quando chamamos por ele?
O graveto a bater no caldeiro deve fazer tanto barulho, deve ser por isso que ele não nos ouve. Esperamos. Ele há-de voltar do campo. Esperamos. Ele há-de voltar da infância e vir para o pé de nós e voltar a ouvir-nos.
Às vezes falo com o meu pai e ele parece que não me ouve. Onde está o meu pai quando falo com ele e ele parece que não me ouve?
São homens que estão a bater à porta da taberna do Valente, e o meu pai não me ouve quando os bidões (atrás da porta) abanam como se a terra tremesse a ponto de o meu pai não me ouvir quando falo com ele. Eu espero. O meu pai (o meu pai estará com 14 anos por esta altura em que não me ouve), há-de abrir-lhes a porta e eles calam-se. E o meu pai volta para o pé de mim para me escutar.
Um dia enfiaram o meu pai dentro de um navio (com infância e tudo, tudo para dentro de um navio, pardais, graveto, caldeiros, uma camioneta de lata, Sr. Valente e tudo, chamava-se Moçambique o navio) e mandaram o navio para África, para Angola mais precisamente. Com o meu pai e tudo, com a infância e tudo. Alguma Pátria falará mais alto do que eu, lá em África e o pai não me consegue ouvir.
Espero.
Eu quando é assim, espero.
Ele há-de embarcar de regresso no navio paquete Vera Cruz quando forem vinte e cinco de Outubro de mil novecentos e sessenta e três e desembarcar em Lisboa a quatro de Novembro, eu própria vou buscar o meu pai, nesse dia, quatro de Novembro.
A estúpida Pátria cala-se finalmente assim que o meu pai põe os pés em terra (eu própria vou buscar o meu pai, não sei se ele no meio daquela confusão se deu alguma vez conta de que estou lá, à espera dele…) A Pátria cala-se finalmente assim que o meu pai põe os pés em terra e ele já me pode ouvir, mas é preciso esperar.
Antes disso, na tropa, deram ao meu pai um livrinho, ao meu pai que sempre foi apardalado deram um livrinho. Um bom condutor do exército: “Traz sempre a sua viatura limpa, lubrificada e todos os parafusos bem apertados” Ponto 6.”Verifica o óleo, a água, o combustível, os pneus, a bateria, a busina, as luzes e os limpa vidros, antes de qualquer marcha.” Ponto 2. “Não fuma quando conduz.” Ponto 10 e outros mandamentos que tais… E não aventa com a viatura ribanceira a baixo para depois ficar vinte e três dias em cativeiro sem absolutamente necessidade nenhuma. De estar ali a ver passar os ratos nas barbas e um prato que é sempre o mesmo naturalmente, com comida regurgitada, sem, como já disse, absolutamente necessidade nenhuma, eles avisam logo lá no exército que as viaturas não se aventam ribanceira a baixo, só não ouve quem não quer, ou está apardalado porque eles avisam, estou capaz de jurar, não está no livrinho que eu já li o livrinho todo, letras miúdas e tudo, mas avisam com certeza, que as viaturas não se aventam riban… já matar o inimigo é coisa de valente. Valentão. É coisa de valente. De valentão. De valentaço. Ninguém vai vinte e três dias preso por matar um inimigo. Ou dois. Ou duas dúzias deles.
Estúpida Pátria…
E foi digno de registo. “Registo criminal disciplinar: Crime ou infracção: Segundo artigo 188 por no dia 28 de Fevereiro do corrente ano aproximadamente às 18 horas ao fazer uma curva com a viatura militar que conduzia em serviço na estrada Abrantes - Entroncamento, perto da Ponte da Pedra, não ter usado das cautelas devidas e necessárias, prococando um acidente de que resultaram danos na viatura e carga que conduzia, avaliada em 4 mil 699 Escudos, que não pagou, infringiu o dever N.º 5 do art. 4º do R. D. M. Pena imposta: 23 (vinte e três) dias de prisão disciplinar. Tribunal ou autoridade: Sua Ex.ª o General Comandante da 2ª R. M. Dia: 29. Mês: Março. Ano: 1961. Pena cumprida em Torres Novas. "
Era a estúpida Pátria que regurgitava a comida que vinha dentro do prato. Os soldados apardalados que não ouviam as advertências dos valentes, (dos valentões, dos valentaços) e aventavam com as viaturas ribanceira a baixo, para mais com mercadoria e tudo, eram obrigados a comer o regurgitado da Pátria, como se fosse bem feito.

Estúpida Pátria…

Estúpida Pátria que fala sempre mais alto do que eu e não deixa o meu pai ouvir-me. Castigo era se os homens do Sr. Valente fossem todos os dias bater na porta da Pátria de madrugada, todos os dias de madrugada, dias domingo e tudo, até ela ensurdecer. A Pátria. Castigo era haver soldados muninos de caldeiros e de gravetos e mandados para o campo (de batalha) bater com os gravetos nos caldeiros para espantar a Pátria até ela desistir.
A Pátria, isto é o que eu acho, é um sargento. Não sei se é. Digo que deve ser um sargento, mas não sei. Para falar assim tão alto… a pontos do meu pai não me ouvir...
Que é estúpida, é. Se não fosse estúpida não se calava só aos dias quatro de Novembro e assim que o meu pai põe os pés na terra (eu própria vou buscar o meu pai).

“O GENERAL COMANDANTE DA R.M.A. Despede-se do soldado João Domingos dos Santos Viana, Dest. Manutenção de Material 202 atestando-lhe o seu apreço pelo brio e valentia com que se bateu pela Pátria em terras de Angola.”

Isto devia ter uma errata assim: Onde se diz "soldado", devia ler-se apardalado. Onde se lê “…com que se bateu pela Pátria…” Devia ler-se Com que se bateu pelos ratos. O material 202 a que se refere o general comandante, esse é que foi todo ribanceira a baixo, camioneta e tudo, foi tudo por ali a baixo. Pena que só tenha sido perdoado o acto, nestas breves linhas.

Esta história podia chamar-se bloco de notas 50/59. E só o meu pai saberia dizer porquê. Chama-se “Um pardal reticências que silêncio”. Ficava melhor bloco de notas cinquenta barra cinquenta e nove, pois ficava, mesmo que ninguém lá chegasse. Mas é que eu achei um pardal reticências que silêncio, um nome muito mais digno. E foi mesmo só por isso.

Da tua filha

(se não estiveres a ouvir-me pai, eu espero, leva o tempo que precisares. Eu espero. Se acaso achar que é urgente, vou-te buscar. Não sei se alguma vez reparas-te em mim pai, mas fui-te buscar, todos os dias 4 de Novembro.)

7.4.07

Portugal dos Pequenitos










































3.4.07


Todos os que caem


"A primeira impressão que chega ao olhar dos espectadores é a da
poeira que parece pairar no ar envolvendo todo o cenário - um estúdio de rádio.
A segunda impressão advém da presença esmagadora da personagem central, Mrs
Rooney, figura desconcertante, amarga, irónica, comovente, trágica, gorda -
gordíssima -, magistralmente interpretada por Maria do Céu Guerra. A peça
chama-se "Todos os que caem" e é nada mais nada menos do que a primeira incursão
pelo teatro radiofónico de Samuel Beckett, que a escreveu em 1956. A encenação
que se pode ver na Comuna Teatro Pesquisa, em Lisboa, é assinada por João Mota,
que deste modo se estreia com um texto de Beckett. Um sonho antigo agora tornado
realidade como forma de assinalar o centenário do dramaturgo irlandês que terá
lugar no próximo dia 2 de Abril. Nesta data, "Todos os que caem", cujos ensaios
para a gravação podem ser vistos na Comuna, terá transmissão numa emissora de
rádio portuguesa."Esta é uma peça de grande rigor que prima pela excelência da
palavra. O teatro é isto", diz João Mota no final de mais um ensaio, a fórmula
encontrada para tornear a proibição de Beckett que impede que o texto conheça
qualquer outro tipo de adaptação cénica que não a de se destinar à radiodifusão.
Assim, na Comuna, foi erguido um esboço de um estúdio de rádio e cada
representação é de facto gravada. "No fundo, o que se pretende é que o público
assista àquilo que podem ser os ensaios para a gravação. O ambiente sonoro -
vozes de animais, o som da chuva e do vento - são criados com a ajuda dos mais
diversos utensílios, desde passadores domésticos de legumes, trituradoras
manuais , sacos de plástico, palhinhas". Além da dupla Maria do Céu Guerra e
Carlos Paulo, a peça conta com interpretações de Álvaro Correia, Alexandre
Lopes, Ana Lúcia Palminha, João Tempera, Miguel Sermão, Sara Cipriano, Hugo
Franco e Victor Soares."Todos os que caem", que remete para um salmo do Antigo
Testamento - O Senhor ampara todos os que caem e ajuda a erguer todos aqueles
que Ele determinou que se curvassem - , "é uma peça que retrata as misérias da
condição humana com um humor patético e cúmplice".A história desenrola-se a
partir de um casal de idosos, o cego Mr Rooney (interpretado por Carlos Paulo) e
a sua mulher, Maddy (Maria do Céu Guerra), que o vai esperar à estação de
comboios. Aliás, como sublinha João Mota, "esta é uma peça purgatorial sobre o
declínio e a queda, onde o tema da espera, já anteriormente assumido por
Beckett, com a peça de Godot, assume aqui uma forma mais activa". O encenador
lembra que "Todos os que caem" não é uma das peças mais conhecidas do autor de
"À espera de Godot". E isto porque Beckett nunca permitiu que a mesma conhecesse
outras formas de encenação que não fossem as destinadas a radiodifusão. A única
excepção em vida do autor foi a da realização televisiva francesa da peça em
1963, mas esta experiência cavou ainda mais fundo o cepticismo de Beckett que
não permitiu mais interferências cénicas e chegou a ponto de recusar uma
proposta feita pessoalmente pela dupla Laurence Olivier/Joan Plowright. Este
ensaio levado à cena na Comuna é também marcado pelo facto de Maria do Céu
Guerra, da companhia A Barraca, trabalhar pela primeira vez com o encenador João
Mota."
Não fui eu que escrevi esta sinopse, está bom de ver, foi extraída integralmente da página do Jornal de Notícias e transcrevia para aqui porque diz tudo (tudo o que eu gostava de ter dito/ escrito sobre a peça claro).
"Todos os que Caem" ficou a habitar em mim. Ao pé das memórias dos livros que mais gostei e das outras peças de teatro que também me marcaram. Existem em mim prateleiras cheias de livros e caixas cheias de peças. Gavetas com filmes e papeis e fotografias soltos e soltas por todo o lado, agora povoam também o meu interior sentimental, as fotografias do meu filho e outras tantas páginas soltas dedicadas só a ele, ao maior acontecimento da minha vida, ao melhor lugar reservado só para as coisas do meu filho, um lugar tipo, aqueles da despensa, mais resguardados da luz e do calor, das formigas e do pó, a prateleira mais alta, mais forte, mais difícil de qualquer um lá chegar assim, sem mais nem menos. Eu sou pequena, até de largura sou pequena, mas armazeno para aqui coisas dentro de mim, que não calculam, às vezes ando cheia, empanturrada, volta e não volta faço uma arrumação a isto, mas como tenho dificuldade em mandar coisas fora, antiguidades e coisas de grande valor que depois mandava fora e ninguém apreciava ou reaproveitava, de modo que vou empurrando para os lados e não devo ter alma pequena, não senhor, porque isto apertadinho cabe cá tudo. E quando me sinto cheia apetece-me sempre dizer: Graças a Deus.

25.3.07

O Principezinho




Dia 25 de Março de 2007. Domingo, 16 Horas. O Principezinho de Antoine Saint Exupéry. Politeama. Lisboa. A Primeira vez que o Miguel foi ao Teatro...
Se guardou lembranças não sei. Que viu a primeira parte da peça toda viu, alegremente e ía apontando para o palco soltando exclamações àquilo que lhe era familiar: um menino, um avião, estrelas... Na segunda parte adormeceu ao meu colo, como um verdadeiro Principezinho... Gosto daquela frase: "És responsável por tudo aquilo que cativas..."

23.3.07

Senhora do meu nariz

Hoje acordei senhora do meu nariz.
Se há coisa em mim que em nada me abona, é precisamente, o meu nariz. Penca, Narigão, Nariz, é favor. Acordar, portanto, senhora do meu nariz, devería querer dizer, acordar indisposta, de mau humor, de mal com o mundo, mas nada disso.
Nunca tive complexos em relação ao meu nariz porque nem sempre tive nariz de Júlio Isidro. Nasci praticamente sem nariz. Fiz a primária de nariz pequeno e aperfeiçoado. Fui para o ciclo e nos dois anos que lá andei o nariz portou-se lindamente e só quando fui para o Liceu é que se começou a indignar-se e muito embora as minhas mentiras fossem daquelas mentirinhas da cáca (e diga-se era sempre apanhada) certo que o nariz explodiu cara a fora e toda eu era nariz. Tive sorte, porque no Liceu, os rapazes olhavam mas era para as minhas saliências e para o meu rabo e pouco reparavam que a minha cara toda ela era nariz. Quando reparavam eu sorria e parecendo que não, disfarçava.
Apesar da minha penca, sempre me deram emprego.E ainda consegui namorar com dois dos rapazes dos meus sonhos.
As crianças são muito cruéis como se sabe, umas com a outras, de modo que se o meu nariz se tivesse manisfestado na minha infância, estaria a fazer tratamentos num qualquer consultório de psicologia. Mas não, a coisa passou-se assim, tal e qual como a descrevi e hoje em dia até me dou ao luxo, de me levantar de manhã e sentir-me Dona do meu nariz! O que é bom. Há coisas melhores, é certo. Mas é bom.

18.3.07

Pode chamar-se Rui Veloso, mas mais correcto é ser o fim.

”Foi nesse dia que percebi
Nada mais por nós havia a fazer
A minha paixão por ti era um lume

Que não tinha mais lenha por onde arder…”

Esse dia foi hoje. O que já só eram brasas, agora é um quarto escuro, foi num quarto escuro onde tudo começou e acabou, mas já sem ninguém.

Tenho o coração cheio, os meus pais ocupavam quase todo o espaço, chegou o meu filho e apertadinho, cabemos todos dentro dele, as memórias empurram-se para o lado, outras por força das circunstâncias vazei-as fora. As brasas apagaram-se, o coração sangra um nadinha porque rebentou de cheio, entretanto.

Fui ver uma casa que podia bem ser a casa dos meus sonhos. Podia ter sido uma canção e não ter sido uma casa. Podia ter sido a nossa viagem de férias e não ter sido uma casa, podia ter sido um quadro, uns sapatos… Mas enfim era uma casa. Uma casa que não tinha janelas, tinha portas e varandas. Uma casa grande daquelas que giram em torno do sol. Lá do último andar avistavam-se outras casas e outras varandas todas arrumadinhas e limpas e árvores, muitas árvores salpicadas num prado verde.
A casa tinha todas as comodidades. Mas eu muito embora aprecie todas as comodidades, não é por aí. Eu não sonho obviamente com estores eléctricos, quem me conhece bem sabe que gosto de abrir os braços com as janelas e empurrá-las para a luz do dia, e à noitinha, gosto de fechar os braços com as janelas.
Eu não sonho com uma garagem, o meu carro dorme sossegado lá fora ao luar como cão no quintal, era engraçado abrir o portão em dias de chuva para os amigos entrarem na minha garagem, sobretudo os que têm filhos, mas não, não sonhei com a garagem para quatro. Pus-me a sonhar que abria as portas e as varandas daquela casa, que ela começava o seu percurso de translação e as crianças brincavam alegremente, o que não quer dizer que estivessem todas aos gritos.
Sonhei com o chão de madeira que torna acolhedora todas as casas.
Sonhei que estava sossegada à varanda a fumar o meu cigarro e que as pessoas vazavam o lixo nos contentores apropriados. Sonhei que à noitinha dava uma volta pelas lojas e pelos cafés, de mão dada com o meu filho, ambos de cabeça levantada porque o chão está limpo, ambos sem medo porque as ruas estão iluminadas.
O Centro Comercial ser mesmo ali ao lado também não é factor relevante, pois fiquei sem saber a que posto médico recorreria, a que repartição de finanças pertenceria, a que hospital… isso sim é relevante. Mas é uma coisa simpática. O F.N., os restaurantes, as lojas para comprar presentes… Sou urbana. Estilo citadina com pinceladas de romântica aqui e ali…
Podia ter sido um quadro e não tinha ninguém a quem o mostrar. Podia ter sido uma viagem de férias e não tinha com quem ir. Em vez de uma casa podia ter sido uma canção…

“Mas tu não ficaste nem meia-hora
Não fizeste um esforço p'ra gostar e foste embora
Contigo aprendi uma grande lição
Não se ama alguém que não ouve a mesma canção”

O meu coração continua cheio. Os meus pais cabem mais à vontade, talvez sobre mais espaço para eles e para aquilo que é verdadeiramente importante, o meu filho brinca pelo meu coração inteiro a correr alegremente. As brasas vou vazá-las como às memórias que já só ocupavam espaço.

Era uma casa. Não era Saturno. Era uma viagem de percurso curto não íamos passar a fronteira nem precisava-mos ir de avião, era logo ali… Mais à frente dos olhos, um bocadinho… Era um sonho como outro qualquer e no fim, nem por agrado, nem por eu ser mãe, nem por eu trabalhar tanto, nem pela lealdade (que às vezes custa mais a cumprir que a interromper, ninguém aqui é de ferro), nem pelo prazer de partilhar os sonhos bonitos. “Sim também quero ir lá ver, também estou curioso para saber afinal, como é a casa dos teus sonhos!” Em vez de “Se ganhares o euromilhões, pode ser que eu vá lá ver a tal da casa.”

(esta desilusão de resposta merecia um saquinho daqueles que há nos aviões para a gente vomitar quando se vê em aflição. É que estamos à espera de certas palavras e depois dizem-nos outras que, meu Deus, ninguém conhece ninguém essa é a pura da verdade.)

“Tu eras aquela que eu mais queria
P'ra me dar algum conforto e companhia
Era só contigo que eu sonhava andar
P'ra todo o lado e até quem sabe?
Talvez casar
Ai o que eu passei, só por te amar
A saliva que eu gastei para te mudar
Mas esse teu mundo era mais forte do que eu
E nem com a força da música ele se moveu”

Quando as brasas se apagam faz um nadinha de frio. Mas vou para cama agora. Sossegada, aliviada, já não preciso de andar a ver carros sem me apetecer só para ser agradável, nem ter que gramar almoços de família e tardes a ver a TVI sem me apetecer mesmo nada, só para não fazer desfeita a quem tanto gosta de mim. Vou sonhar se Deus quizer, assim, aliviada, por já não ter que sentir nada. Não é amor, não é respeito, não é lealdade, já não é nada. Posso dizer até que enfim! Finalmente não
tenho que sentir mais nada!

Tu eras aquela que eu mais queria
para me dar algum conforto e companhia
era só contigo que eu sonhava andar
para todo o lado e até quem sabe ?
Talvez casar

Ai o que eu passei
só por te amar
a saliva que eu gastei
para te mudar
mas esse teu mundo era mais forte do que eu
e nem com a força da música
ele se moveu

Mesmo sabendo que não gostavas
empenhei o meu anel
de rubi
para te levar ao concerto
que havia no Rivoli

Era só a ti que eu mais queria
ao meu lado no concerto nesse dia
juntos no escuro
de mão dada a ouvir
aquela música maluca sempre a subir

Mas tu não ficaste
nem meia-hora
não fizeste um esforço para gostar
e foste embora
contigo aprendi uma grande lição
não se ama alguém que não ouve a mesma canção

Mesmo sabendo que não gostavas
empenhei o meu anel
de rubi
para te levar ao concerto
que havia no Rivoli

Foi nesse dia que percebi
nada mais por nós havia a fazer
a minha paixão por ti era um lume
que não tinha mais lenha por onde arder

Carlos Tê: letra
Rui Veloso: música

16.3.07

Carnaval 2007

Desta vez foi de peixe.
Ele era excursões atrás de nós no Fun Center: Olha o Nemo! Houve até quem tirasse fotos ao peixinho!
Enquanto o pai decidia se comprava carro novo ou não, o Miguel entretinha-se a ver uma revista.
"Gostavas que o papá comprasse um SEAT Altea filho?"
"Eu preferia que o papá comprasse o táxi do Noddy mamã."
O papá deixou crescer a barbicha, também é digno de registo...















15.3.07

A gravidez da Vivaldina

A Vivaldina (que é a nossa árvore da borracha, isto para quem não se lembra) está grávida. Toda ela está grávida! Cheia de rebentos pelo caule a fora, uma delícia!

19.2.07

Ganhou o SIM

A ver vamos agora, sem tapete, para onde sacodem as mulheres que quiserem fazer um aborto.
Felizes daqueles funcionários do estado, que já não têm que enfiar os processos de denuncias de mulheres e parteiras por baixo de todos para que sejam os pedófilos, os violadores e os corruptos a serem condenados primeiro. Felizes dos PSP que não têm que algemar mulheres que podiam ser as irmãs, as filhas ou amigas, porque todos temos irmãs, filhas ou amigas.
Levante-se a Objecção de Consciência por parte dos médicos, mas limpe-se o País por baixo do tapete!

17.2.07

Clique para saber a Lei

Para saber a Lei actual que vigora nos outros países da UE em relação à IVG, abra e depois clique em A lei na União Eupeia...

http://www.rtp.pt/referendo/

7.2.07

Referendo sobre a Despenalização do Aborto


Este Domingo vou votar no...

... Apesar da minha primeira gravidez ter sido um descuido da minha parte pois
andava a tomar a pílula e medicamentos para a gripe, ou seja, não estava para aí virada, apesar da PC Gás estar na altura a ir à falência, depressa superei todas essas contrariedades porque estar grávida é absolutamente maravilhoso!
Não julgo as mulheres que abortam. A mulher sofre para ter os seus filhos, a mulher tem menstruação, a mulher é que os traz na barriga durante toda a gravidez e seus receios, a mulher é que quando tem que ser se sujeita a um aborto, é justo condená-la? Mandá-la para a prisão? É? Pois não é, definitivamente. (Excluo sempre as que fazem abortos sucessivos, essas mulheres para mim não merecem entrar neste debate da despenalização do aborto, mas noutro debate qualquer, para o qual nem me ocorre um nome minimamente digno.)
O Ricardo deu pulos de contente no instante em que
o teste caseiro deu positivo, apoiou-me como só um verdadeiro homem o faz! Eu chorei bastante, depois já ria de alegria,
estou a alongar-me com esta história para chegar à altura em que fui fazer a primeira eco e não se via nada. NADA. O filho
que eu esperava era um vazio. Foi o vazio maior de toda a minha vida, (eu compreendo bem a dor de fazer um aborto, de perder um "filho", porque no fundo é um filho que se perde, eu senti naquela hora, as mulheres que abortam, sentem provavelmente quando acordam, essa perda, embora a mim tenha sido uma injustiça o que aconteceu, porque eu desejava o meu filho, penso que algumas mulheres sentem a mesma dor ou algo muito semelhante)
Na maternidade descobrimos que o embrião tinha morrido às 7 semanas de gestação.
O embrião ficou retido no útero, eu fui mandada
para casa uma e outra vez sempre na esperança (minha e do médico) que o organismo o expulsa-se. O excelente médico (e excelente ser humano que me assistiu) achava a raspagem do útero (prática do aborto voluntário) uma violência para a mulher a evitar a todo o custo (sobretudo para mim, primeira gravidez, relativamente jovem), mas não havia maneira de a natureza nos ajudar, de modo que à terceira vez o médico receitou-me então o CITOTEC de que tanto se fala na televisão que eu apliquei para provocar o
aborto. (Para provocar o aborto aplicam-se os comprimidos, não se tomam com água, introduzem-se à entrada da vagina).
O Dr. R. disse-me que a única maneira de saber a causa da morte do
embrião seria o exame histológico, mas para isso, eu teria que conseguir
guardar o embrião logo que ele fosse expulso, tinha que ter muita coragem para "aparar aquele passarinho nas mãos" e eu respondi que teria essa coragem, que preferia assim que mandar o passarinho fora como se fosse um “aquilo”, mandar “aquilo” fora...
A melhor maneira que encontrei para expressar o meu SIM, foi contar esta minha história.
Assim, aconteceu um “mini-parto”, rompeu-se o rolhão mucoso, comecei a ter contracções fortes (aquele medicamento dá umas contracções horríveis) e então saíu aquele 'passarinho' tal como havia o médico descrito. Com 7 semanas é semelhante a um passarinho ou ratinho que cabe na concha da palma da mão, tem olhos pretos do tamanho de cabeças de alfinete, tem a pele transparente e só não sei dizer se é visível o coração e outros órgãos (que já os tem em formação) porque está envolto em sangue e as minhas mãos e os meus olhos e o meu coração tremiam demais. Sabem que achei grande? Sabem que pensei: Meu Deus, é tão perfeitinho, como é que alguém pode fazer mal a uma coisinha destas? Pensava também que fosse uma bola de sangue, uma coisa do tamanho de um feijão, mas é algo mais, é o que descrevo, friamente, mas de lágrimas nos olhos.
Não me venham dizer que aquilo sofre, não é por aí, um embrião não tem sentimentos, sentimentos tem a mãe! E o feto. E não se sabe mesmo assim, ao certo, a partir de que semana de gestação, é preciso ter sistema nervoso, capacidade de registar/ memorizar a dor para sofrer, estarei certa? Acredito que sim. Eu perguntei ao médico, depois de feita a histologia, se o meu embrião tinha sofrido e ele respondeu que o coração parou e por isso não houve tempo para qualquer reacção mas que se tivesse ocorrido asfixia por exemplo, sim, “…teria-se debatido à sua medida, instintivamente, talvez, era um ser vivo, aqui não temos dúvidas".
Acho coerente o prazo das 10 semanas. Algum prazo tinham “eles” que estipular não é verdade? Não discutam por favor mais vez nenhuma se ao 11º dia já não se pode, se à meia-noite do décimo dia já não é legal, não sejam ridículos(as) algum prazo tinha que ser estipulado bolas!
Eu sou contra a interrupção voluntária da gravidez. Eu nunca faria um aborto que estivesse fora das condições previstas na Lei actual, mas a pergunta do referendo, o texto que vai aparecer no boletim de voto, no próximo Domingo vai ser: «Concorda com a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez, se realizada, por opção da mulher nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?» Não me vão perguntar se concordo com a interrupção voluntária da gravidez. As minhas dúvidas não são o sim ou o não, porque para mim é SIM e pronto. As minhas dúvidas são outras. As mulheres não continuarão a fazer abortos clandestinos por terem vergonha de ficar "fichadas" como dizem os brasileiros e agora não me ocorre melhor termo? O que farão as “tias” e as filhas das “tias” das revistas cor-de-rosa? Abortos no Amadora Sintra? E as mulheres que acham que não podem contar a ninguém que estão grávidas? Outra dúvida: Será que os Hospitais conseguirão cumprir o prazo das 10 semanas? Não irá acontecer a uma centena de grávidas querer abortar às 5 e só passados 30 dias poder ser atendida? Terão os hospitais Portugueses condições, as tais dignas condições que os apologistas do SIM tanto apregoam? Huuummm

Mas não vale a pena pensar assim, para já, um passo de cada vez.
Há que mudar as mentalidades e vamos a isso, a oportunidade que nos dão de votar neste referendo é de suma importância. Estivemos muito tempo calados(as) à sombra de uma Lei tão estúpida, tão estúpida que em tantos anos só meia dúzia de casos foram julgados e de certeza devem ter sido aqueles que a justiça não pode mesmo fechar os olhos de maneira nenhuma, fechar os olhos não se diz não é? É prescrever. Pres-cre-ver.
Condenem mas é os pedófilos! As mães e os pais que maltratam os seus filhos e abusam deles sexualmente, laboralmente, as mães e os pais que matam os seus próprios filhos com 2, 3, 4, 5 anos! Matem-nos a eles também, esfolem-nos em praça pública a ver se eu me ralo, as mulheres que abortam é que não!

Não concordo com a clandestinidade, com aquilo que não é possível contabilizar, com mercados e serviços paralelos. Não ando com os olhos vendados. Não há meias verdades. A realidade é sempre só uma.
Não gosto de chulos, mas das prostitutas sou capaz de gostar. Os toxicodependentes, os drogados, (eu gosto mais da palavra drogados) comovem-me, quase sempre, os barões da droga revoltam-me, metem-me nojo! Que sejam eles os condenados!
O SIM é uma bofetada naqueles que cobram por um aborto clandestino o preço de um parto numa clínica de luxo.
O SIM é retirar o aborto da competência da Justiça e levá-lo para a competência da Saúde que é onde ele deve ser discutido.

E se ganhar o Não, meu Deus, se ganhar o não (e num país agarrado a uma religião ainda obscura e sem querer ofender aqui os que a praticam e distribuem com fé e dignidade, demagoga e hipócrita, que está constantemente a apregoar a defesa da vida e a levantar a bandeira do NÃO mas pratica-se o mesmo crime que condenam dentro da sua própria comunidade, o crime do Padre Amaro, porque o problema existe!, num país povoado de gente cheia de falsos pudores e portanto, não ficava admirada) então nesse caso, façam o favor de condenar os homens que praticam o aborto, sim, que praticam o aborto, repito, porque se a mulher é que faz a raspagem do útero muitos são os homens que o provocam. E nunca se fala disso!
Tomara eu que nenhuma mulher mais desmancha-se o seu filho, quebra-se o milagre da vida, mas tomara eu mais ainda, que nenhuma mulher tivesse um filho para logo de seguida o atirar para uma lixeira, dentro de um saco de plástico... sabendo que ele vai sofrer horrores até morrer. (Este último parágrafo foi escrito a pensar naqueles que gostam de julgar e condenar os outros. É só para dizer que têm muito por onde pegar e se a prática do aborto os choca, meus amigos, eu já vou mais adiante.)

cartaz

No caminho para a escola deparei-me com um cartaz que me chamou a atenção porque dizia assim: Ainda está a tempo de salvar muitas vidas! E eu pensei ó pá, isto interessa-me. Deixa-me cá ver como, e não é que afinal era para votar Não no referendo? Não percebi... Podem explicar-me melhor, senhores que fizeram o cartaz? É que se eu votar Não, as coisas ficam como estão e como estão eu nunca consegui salvar nenhuma até hoje. Juro que não percebi. É falta de imaginação vossa?

6.2.07

As melhoras

As melhoras vêm aí. O apetite voltou. Amanhã já vou trabalhar e o Miguel vai para a vóvó Nhanhá e para o vôvô! (vôvô tem sempre um ponto de exclamação na linguagem do Miguel) que estão cheios de saudades do pequeninosinho e da normalidade dos dias... sem constipações.


Hoje o banho foi mais demorado. Houve sessão fotográfica e tudo e depois seguiu-se um grande lanche. Se estes dias de baixa serviram para restabelecer a saúde do Miguel, agora bem podiam vir igual número de dias (seis) mas de férias para comemorar as melhoras. E dormir das 7 e meia às 9 com o Miguel na minha cama a cheirar a chucha e a empurrar a minha barriga com os pés como quando vivia dentro dela. Brincarmos no chão em cima de uma colcha fofinha toda coberta de brinquedos a qualquer hora ou ficarmos os dois a ver os bonecos dos livros, a mamã a inventar histórias e o Miguel a inventar palavras...

O Corte de Cabelo

Desta vez não foi a mamã que cortou o cabelinho do Miguel, foi a carla.
Olá carla, cortas-me esta franja? Antes que a mamã me ponha aquele ganchinho ridículo com um bambi vermelho?
A mamã acha que o Miguel agora vê melhor. Quanto ao corte de cabelo... O cabelo cresce. É o que eu sempre digo...

5.2.07

Baixa

Estou de baixa desde quinta-feira, primeiro dia de Fevereiro. Estou de baixa desde que levei o Miguel às urgências do Amadora/ Sintra pela primeira vez.
O Miguel passou a noite quase sempre ao meu colo a chorar. A espectoração era cada vez mais a ponto de se engasgar por causa dela e vomitar o pouco ou nada que havia comido, ou simplesmente a espectoração, que não havia maneira de saír se não assim. A última refeição que tomou foi uma tijela de sopa na casa da avó Dília, no Domingo. Decidimos que era melhor ir com ele ao Hospital. O Miguel estava a ficar fraco, visivelmente, e cada vez mais cansado. Estava muito frio. Eram quase 7 da manhã. Bem agasalhado, apertei-o contra mim do carro até às urgências. Quando entramos na sala de espera riu-se para mesa e para os banquinhos coloridos, sorriu e apertou a mão ao segurança, era uma novidade estar ali! Apesar de doente, nunca deixou de sorrir até a tosse, os vómitos e depois as lágrimas nos atraiçoarem. A médica, a cumprir a vigésima quarta hora de trabalho (seguida!) claro que auscultou o Miguel às pressas e tratou de esclarecer que estava diante de um bebé constipado e de uma mãe que via o filho doente pela primeira vez.
- De qualquer modo, tem que ficar em casa com ele de outra forma vai demorar para recuperar ou ficar pior, ele está de facto fraquinho, precisa da mamã. Mas vá para casa sossegada, ele tem os bronquios limpinhos, é um bebé saudável. É apenas uma constipação. Não come porque está doente e quando estamos doentes todos perdemos o apetite, ele tem as suas reservas, quando ficar bem, vai comer este mundo e o outro!
Vim para casa mais descansada apesar de a médica não ter receitado vitaminas, nem suplemento alimentar e pode ser tudo muito normal, mas para uma mãe o filho não comer é uma tragédia muito grande, é uma dor de alma que nunca mais abala nem nos deixa dormir ou pensar em mais nada que não seja a última vez que o meu filho comeu foi à 4 dias!
No dia seguinte levei-o comigo à Dr.ª Manuela, fomos buscar a baixa para eu poder ficar em casa uns dias e a Dr.ª Manuela inspeccionou-o minuciosamente, viu os ouvidos, a garganta, os dentes, a barriga, auscultou-o e mais segura que a médica do Hospital, por ter feito isto tudo, disse-me que de facto ele não podia continuar sem comer mas que estava bem e bem disposto e de certo ía melhorar em breve.
E assim foi. Hoje é segunda-feira, o Miguel está quase limpinho de espectoração (aspiro o nariz do Miguel com o Narinhel e com Rinhomer até à exaustão), já come meias-doses, tem dormido cada vez mais e mais tranquilo, aprendeu a assoar-se e já não chora... pois não, o meu filho já não chora e isso é tão importante que continuo de coração apertado à guarda de um filho que recupera... de colo prontinho, sempre feito, porque a mamã cura tudo. (eu sei que sim)

29.1.07

Vem aí uma constipação

Saem os ben-u-ron's da gaveta e o maxilase do armário. Pode ser que não seja nada, mas não não estou a gostar disto. Estavam melhor arrecadados, os remédios, isso estavam.

17.1.07

O pequeno Dicionário

O Miguel tem um pequeno dicionário. Os termos que compõem esse pequeno dicionário, que cada dia vai ficando mais cheio (como as nossas vidas) precisam ainda de tradução.
A mamã diz que não percebe nada (mas é a fingir que a mamã diz que não percebe nada) e repete a sílaba devidamente acompanhada do ponto de interrogação.
- Pê! Pê!
- Pê? A mãe não sabe. O Miguel não diz nada. É peixe filho?
- Pê! Pê!
- Peixe filho, é peixe.
E bê? E có? Peta e nhá nhá? ... A mamã finge que não percebe nada, mas a mamã entende tudo quanto o Miguel diz. E feliz, cheia que nem uma bola, de feliz, pega em cada sílaba que é nova e de orgulho do seu filho não saber dizer nada, guarda cuidadosamente a sílaba no pequeno dicionário.
bê: ovelha
bêeeee, bêeeeee... : é como faz a ovelha
pê: peixe (é sopa também)
peta: chuchinha (não vem de chupeta porque ninguém cá em casa diz chupeta, foi o Miguel que iventou)
vôvô: avô (está bom de ver)
nhánhá: avó (esta é que não está boa ver, mas é nhánhá e não há volta a dar)
mu: sumo
chave: começou por ser íave. Agora, o primeiro objecto que o Miguel disse já não precisa de tradução.
colo: é colo mesmo
mamã!: esta é facil...
papá: idem
pápa: Cerelac
Yá: água
nô: noddy
mãam, mãam: volante, carro.
ão: cão
hã... hã... : o que é fofinho
mô: sumo
dêdê: CD
17 Janeiro 2007, o Miguel tem 1 ano e meio.

16.1.07

Bebé Nestlé

A mamã decorou a árvore com embalagens vazias de produtos da Nestlé, caixas de iogolinos, de cerelac, de bebé go e sumos, a mamã fez um presépio com o burro a vaquinha e o Ursinho da Quintinha da Nestlé, vestiu o Miguel de Pai Natal e tirou fotos para o passatempo de Natal do Clube Bebé Nestlé.
O Miguel não foi um dos 6 vencedores, mas não faz mal nenhum, a ideia foi original, ninguém tinha uma árvore e um presépio como o nosso, e parabéns aos bebés vencedores e às mamãs que como eu se dedicaram a este passatempo.






















1.1.07

Passagem do ano

Ainda vais implorar à mamã para passar o ano fora! Em 2021. E a mamã vai pagar com a mesma moeda: Chinfrim!
(A mamã passou a meia-noite contigo, apertou-te muito e encheu-te de beijos, passar o ano juntinho a ti foi a melhor passagem d' Ano que eu podia ter. Mas a mamã sabe que ter-te connosco nesta noite foi um bocadinho egoísta de nossa parte, os bebézinhos não gostam de trocar a sua camazinha quentinha, as suas melopeias e os beijinhos a pousar às escuras nas bochechas por tanta gente aos gritos e aos pulinhos só porque mudou o Ano. Desculpa filho... para a próxima ficas com o vôvô e a vóvó e lá para 2021... logo se vê.)

30.12.06

25 de Dezembro de 2006






















28.12.06

E as fotos, hein? Quando é que chegam as fotos?


Dia 22 de Outubro. O Fotógrafo era um bom fotógrafo, mas um bocado despistado. Achou que era o Miguel a ser baptizado e vai de lhe tirar fotografias a comer yogurte, a entrar e a sair do carrinho, a atravessar a nave central, a apreciar os Santos do Mosteiro e a tentar enfiar o dedinho na ranhura da caixa de esmolas, ... O fotografo era um bom fotógrafo, mas um bocado esquecido. Ontem disse à mamã pelo telefone que enviava as fotos no dia 2. A ver.

11.12.06

Medo do berbequim



O Miguel tem medo do ruído de um berbequim. O fim-de-semana passado o pai e o avô Vitor precisaram ligar o berbequim para instalar um aquecedor na casa de banho e o Miguel fugiu para o meu colo como um coelhinho assustado, fez beicinho e não parou de tremer enquanto o ruído do berbequim se fez ouvir atrás da porta.

Ainda tentei uma aproximação entre os dois. Ainda tentei explicar-lhe que era só muito barulho, não havia mal nenhum num berbequim a trabalhar (a não ser buracos nas paredes) mas o Miguel tremeu de medo e o beicinho era uma ameaça permanente de choro.

20.11.06

Uma nova palavra

Não, uma silaba nova, assim é que é, por enquanto. Pê.
Pê é peixe! Foi a minha mãe que me disse que pê é peixe porque o Miguel fartou-se de repetir a sílaba mas eu não chegava lá.

9.11.06

Poema Temperamental

Ó cara...! Ó cara...! Quem abateu estas aves? Quem é que sabe?
Quem é que inventou a pasmaceira?
Que puta de bebedeira é esta que em nós se vem já desde o ventre da mãe
e que tem a nossa idade?
Ó car...! Ó car...! Isto de a gente sorrir com os dentes cariados
esta coisa de gritar sem ter nada na goela faz-nos abrir a janela.
Faz doer a solidão.
Faz das tripas coração.
Ó car...! Ó cara...! Porque não vem o diabo dizer que somos um povo de heróicos analfabetos?
Na cama fazemos netos porque os filhos não são nossos,
são produtos do acaso desde o sangue até aos ossos.
Ó c...! Ó c...! Um homem mede-se aos palmos se não há outra medida e põe-se o dedo na ferida se o dedo lá for preciso.
Não temos que ter juízo o que é urgente é ser louco
quer se seja muito ou pouco.
Ó c...! Ó c...!Porque é que os poemas dizem o que os poetas não querem?
Porque é que as palavras ferem como facas aguçadas cravadas por toda a parte?
Porque é que se diz que a arte é para certas camadas?
Ó c...! Ó c...!Estes fatos por medida que vestimos ao domingo tiram-nos dias de vida
fazem guardar-nos segredos e tornam-nos tão cruéis
que para comprar anéis
vendemos os próprios dedos.
Ó c...! Ó c...! Falta mudar tanta coisa.
Falta mudar isto tudo!Ser-se cego surdo e mudo entre gente sem cabeça não é desgraça completa.
É como ser-se poeta sem que a poesia aconteça.
Ó c...! Ó c....! Nunca ninguém diz o nome do silêncio que nos mata e andamos mortos de fome(mesmo os que trazem gravata)
com um nó junto à garganta.
O mal é que a gente canta quando nos põem a pata.
Ó c...! Ó c...! O melhor era fingir que não é nada connosco.
O melhor era dizer que nunca mais há remédio para a sífilis. Para o tédio.
Para o ócio e a pobreza. Era melhor. Concerteza.
Ó c...! Ó c...! Tudo são contas antigas. Tudo são palavras velhas. Faz-se um telhado sem telhas para que chova lá dentro e afogam-se os moribundos dentro do guarda-vestidos entre vaias e gemidos.
Ó c...! Ó c...!Há gente que não faz nada nem sequer coçar as pernas.
Há gente que não se importa de viver feita aos bocados
com uma alma tão morta que os mortos berram à porta dos vivos que estão calados.
Ó c...! Ó c...! Já é tempo de aprender quanto custa a vida inteira a comer e a beber e a viver dessa maneira.
Já é tempo de dizer que a fome tem outro nome.
Que viver já é ter fome.
Ó c...! Ó c...!Ó c...!


Joaquim Pessoa

Vem aí o Natal

Vem aí o natal e agora? Aonde é que eu me escondo?
Já vejo lâmpadas, milhares de lâmpadas à minha volta, acesas, sem ideias novas. E pessoas. Na minha imaginação levam um machado para cortar pinheiros, as que não levam um machado vão arrancá-los da terra ainda pequenos.
As lojas vão finalmente contratar meninas para ficarem de pé a fazer embrulhos e por lacinhos, meninas que não sabem se o semário sai à quarta ou à quinta, se o pão é de hoje, se há em azul, só sabem fazer embrulhos e por lacinhos e às vezes sabem sorrir.
Já vejo os pais natal do ano passado a subir por uma escada as varandas da minha rua, e os que são deste ano estão todos pendurados nas vitrines do Chinês a trepar por ali a cima até ao teto das lojas.
Vem aí mais um natal dos hospitais sem a prática da eutanásia estar devidamente legalizada.
A carta para pagar o seguro do carro deve estar na minha caixa do correio.
Alguém já me perguntou hoje o que é que eu quero para o natal? Já? Um funeral. Quero um funeral para o natal. E um burro, que eu quero por força ir de burro ao funeral do natal.

Palhaço rico, palhaço pobre...


Rico que come muito é Gourmet, pobre que come muito está esfomeado, rico que lê o jornal é intelectual, pobre que lê o jornal está desempregado, rico vestido de branco é médico, pobre vestido de branco é pai de Santo, rico a subir a ladeira faz rapel, pobre a subir a ladeira está de regresso a casa, rico de fato é empresário, pobre de fato é defunto, o rico na loja pergunta: Quanto custa? O pobre na loja responde Estou só a olhar...

1.11.06

O Mê Éme do Miguel!

O Miguel percorre kilometros no seu Mê Éme pela casa! (carrinho da chicco que os padrinhos lhe ofereceram no 1º aniversário) E grita enquanto anda: mãmãmããããããm! (Os mê émes têm este defeito: motor muito ruidoso, mais a mais quando conduzidos por miniaturas com idade nenhuma para guiar)

Tudo para ele é um volante: um prato, uma roda, a ventoínha do climatizador, a nora de brincar que está na banheira. Já diz papá, vô, vó, íave (chave), ó pá! ... agora diz muitas vezes ó pá! Quando cai, quando deixa cair alguma coisa, quando algo se desmancha... é muito engraçado. A íave (chave) é o seu objecto predilecto e quando lhe damos uma ele descobre fechaduras por todo o lado e tenta abrir todas as coisas.
Como se destapa constantemente durante a noite, anda constipado, pois claro. Hoje vamos experimentar enfiá-lo num saco cama quando ele adormecer. Pode ser que seja a solução para a constipação e para as "diretas" que a mamã tem feito (agora com esta idade) porque tem que tapar o piolho de todas as vezes que ele muda de posição.
O CD do Noddy continua a ser o meu grande aliado, quando preciso ir para o banho, ponho o Miguel a ver os 8 episódios do Noddy, ou quando tenho que arrumar a casa, ou almoçar, ou vir ao computador, ao Blog aos e-mail's, à net sem a miniatura atrás de mim com as mãozitas irrequietas a querer ligar e desligar o aparelho, a impressora, as colunas.
Temos que pedir ao Paulo urgentemente (pode ser que ele nos esteja a ler) mais CD's do Noddy porque eu já sei aquilo tudo de cor e salteado (as falas, as canções, preciso de variar!) e por falar em Noddy, o que é que a vó Dília vai oferecer ao Miguel no Natal? O que é? É segredo mas eu digo-vos, baixinho, aqui só para nós: é o comptuador do Noddy! Viva...

23.10.06

O Baptizado da Carolina

Ontem foi o dia do Baptizado da Carolina. Foi bom encontrar as amigas todas juntas no mesmo dia e conversar um bocado. Choveu a cântaros. Foi pena. Choveu mesmo muito. O Miguel portou-se sempre bem e atraíu a atenção e a simpatia de todos os convidados. Na altura da exposição das fotos não houve ninguém que não comenta-se: Este bebé é muito bonito e simpático! Tem uns olhos lindos... E eu quietinha, embevecida, encostada ao vidro a concordar com eles, claro, mas caladinha, com vontade de ir lá dizer que sou eu a mãe, sou euzinha, derretida de vaidade.
A minha "sobrinha" também está cada dia mais linda, rechonchuda e linda. Apesar de termos tirado umas fotos com a nossa máquina não resisti a comprar as fotos onde estão o Miguel e a Carolina. Não posso publicá-las, hão-de chegar, em papel de fotografia, pelos correios, mas acreditem: Os nossos filhos são fotogénicos por demais!

20.10.06

A Constipação

A semana passada o Miguel não pode levar as vacinas dos 15 meses porque andava constipado. Aspirei o narizito dele com o Narhinel e com uma grande dificuldade. A Dr.ª Manuela receitou um Xarope e o Miguel tomou-o durante 5 dias. Está melhor mas ainda tem muitas ranhocas para aspirar...
Felismente só teve febre no 1º dia. Mesmo doente, esteve sempre feliz e brincalhão, só perdeu o apetite, mas a Dr.ª Manuela disse que nesta fase do crescimento do nosso filho é normal ele comer menos quantidade e não ter tanto apetite.
Quanto ao desenvolvimento o Miguel está o máximo: muito esperto, comprido, simpático, só lhe falta falar! E ficar melhor da constipação.

8.10.06

Os pesadelos

O Miguel dorme numa caminha de grades emprestada sempre que vem à Sertã. Antes de haver a caminha de grades dormia comigo e era tão bom. Gosto do cheiro a borracha da chuchinha e das cócegas que fazem os cabelinhos fininhos no meu queixo. O meu filho é quentinho. Gosto dos pézinhos. De apalpar os pézinhos. Adormecer com um dos pézinhos do meu filho dentro da minha mão.
O Miguel teve pesadelos durante as noites que passamos na Sertã. Chegou a ter apneia do choro. Eu assustada mas a tentar manter a calma, cantava para ele e andava na cozinha de um lado para o outro com o pequenino no colo (a famíla toda a pé à nossa volta, estremunhados, despenteados, dentro de uns pijamas que os faziam parecer fantasmas como eu, a seguir os meus passos). Tivemos que ligar a televisão, as luzes e acordá-lo com pouca piedade (é que ele não queria abrir os olhos, só chorava e soluçava e prendia a respiração por uns segundos que nunca mais tinham fim numa grande aflição).
Depois do pesadedelo terminar adormeceu no meio de nós (de mim e do pai) até de manhã.
Na noite seguinte tudo se repetiu.

25.9.06

Belas Artes

Isto é um cartão que antes acondicionava um monitor (quem diria?) e que em vez de ir para o eco ponto azul junto com a caixa de papelão, está em cima da mesa da sala e já pintei metade com gesso acrílico. Achei que o relevo do papelão se assemelhava a uma máscara, imaginei um quadro de inspiração Afro. O Ricardo já me disse: Queres pintar o cartão tudo bem mas depois não quero essa coisa feia com' a m... pendurada na parede hã!
Aquilo é só uma distracção como outra qualquer, de vez em quando vou lá e dou umas pinceladas no cartanito, mas o Ricardo anda mesmo preocupado...
Depois de pintada a máscara, não sei é em que eco ponto deito aquilo... se calhar a minha inspiração Afro vai ter que ser cremada...

23.9.06

Sinto falta (cada vez mais)...

... do Sr. da bomba, da D. Irene, do Sr. Julião, da Sr.ª telefonista, de uma casa de móveis com empregado (daqueles que vão a casa,) sinto falta, preciso deles, aonde é que eles estão?
O Sr. da bomba não está lá, tenho que sair do carro, perder um bocado de tempo a acertar os mostradores da bomba para os 20 Euros, depois puxar pela mangueira, enfiar aquilo no depósito, olhar distraídamente para o lado (distraídamente, mas cá no fundo com a esperança de o voltar a ver. Ao Sr. da bomba) depois aquilo não escorre, desaperta, volta a enfiar, aperta, distraídamente a olhar para o lado ou à procura do Sr. da bomba lá vou resmungando que acertei na bomba avariada, é o mais certo, e a D. Irene? A D. Irene agora é um supermercado e sou eu mesma, a cliente (que paga a conta, eu mesma), quem vai buscar a fruta, a hortaliça, as bolachinhas e quando não chego à prateleira onde está precisamente o frasco que eu necessito, aonde é que está o Sr. Julião marido da D. Irene? Para ir buscar o escadote? Para me apanhar o frasquinho lá de cima? Tenho tantas saudades de dizer: Deixe estar Sr. Julião, eu levo este aqui, não se dê ao trabalho, olhe que ainda cai... - E tenho saudades da D. Irene: Ora essa! O escadote está cá é para isso mesmo e o Julião a mesma coisa."
E aonde é que está a telefonista? tragam-me a telefonista o quanto antes sff. Inventaram umas gravações (que dão com uma pessoa em doida) do outro lado dos telefones e quando ligamos para algum sítio estamos para mais de uma hora a carregar nas teclas todas do aparelho e depois volta tudo ao mesmo, às vezes lá vem uma telefonista é verdade, mas vem muito mal diposta connosco porque estivemos ali para cima de uma hora e não conseguimos carregar na tecla da função desejada. Uma inutilidade é o que nós somos! Já tenho pedido desculpa pela minha inaptidão, outras justifico que depois de tantas opções (marque 1 para facturas detalhadas, marque 2 para reclamações marque 3 para serviços técnicos, primo a tecla 3, marque 1 se estiver a chover, marque 2 se estiver de pijama, primo a tecla 2, marque 1 para digitar o seu número de telefone, marque 2 para outras opções) que, sinceramente, já não me lembro para que é que fiz a chamada.
Isto tudo para vos dizer (se não tinha dito já) que compramos a mesa da cozinha e as cadeiras no IKEA que é uma espécie de loja de móveis, em grande, onde os funcionários não querem saber da gente para coisíssima nehuma a não ser à saída, para facturar as compras e verificar se não roubámos nenhum daqueles sacos horriveis que eles lá têm. Nós, a clientela (clientela já não somos, agora somos funcionários da loja desde o momento em que lá pomos os pés) nós mesmos, portanto, é que fomos à procura da mesa e depois andamos aquilo tudo para achar as cadeiras e depois fomos ao armazém buscar a mercadoria (ah, antes disso anotei os códigos da mobília num cartãozinho que se vai buscar para o efeito) e depois pusemos a mobília no carrinho e depois de pagar (e de comprovar que não levávamos clandestinamente nenhum saco para casa) pusemos aquilo dentro do carro (não sei como) e viemos para casa acartar a mesa (o pior foi o vidro pesadíssimo) elevador a cima e baseados numa folheca de instruções montamos tudo como se vê na foto e parece simples (mas não é!).

..

A Vivaldina


13.9.06

Novidades

Fico na escolinha até 31 de Agosto de 2009, o meu contrato a termo foi renogado por mais 3 anos.
Milhões de árvores no mundo são plantadas acidentalmente por esquilos, que enterram nozes e não se lembram onde as esconderam. (Estava escrito num e-mail da minha amiga Sandra)
Vêem? Afinal, os distraídos como eu são capazes dos maiores feitos da humanidade!
A minha cozinha, modestia à parte, parece uma cozinha das revistas... Mais uns cortinados a condizer e um frigorífico metalizado e parecia um modelito de cozinha da Máxima Interiores. A mesa e cadeiras novas são do IKEA (Site da IKEA - Amadora), os tapetes da loja do Gato Preto (Loja do Gato Preto - Lisboa) e a Vivaldina, que para mim, é a mais importante, fui buscá-la ontem ao Continente (http://www.continente.pt/).
É uma planta da borracha alta e elegante, de um verde muito distinto (como diria o meu pai) e é o novo ser vivo lá de casa. Vi-a no Hipermercado e foi amor à 1ª vista, como não pude trazê-la nesse dia (porque estavamos com o carro do ricardo e a terra sujava-lhe os tapetes e não cabia em condições de irmos à vontade e também não íamos para casa, íamos lanchar a casa dos padrinhos do Miguel) pu-la de maneira que ninguém desse por ela, no meio de umas plantas farfalhudas que não eram da família (mas foi por uma boa causa). Prometi-lhe que a iría buscar logo que fosse possível. Entretanto pensei nela todo o fim de semana, como se se tratasse de uma criança à guarda de um orfanato. Na segunda foi feriado na Amadora, o Continente esteve fechado de tarde e só pude ir buscar a Vivaldina ontem. Atravessei o corredor um bocadinho ansiosa (palavra, nem me detive na bancada dos livros com desconto) a pensar que podiam ter levado a Vivaldina, mas felizmente ela lá estava no meio das farfalhudas, perfeitamente camuflada, à minha espera. Passei com ela na caixa e a funcionária entregou-me o certificado de adopção (ou o talão de compra, como queiram). Estava um bocadinho suja e seca, quando chegamos a casa tratei dela antes de vir trabalhar. Agora, o Miguel já lhe faz festinhas (é um ser vivo afectuoso, se não é, com o convívio passa a ser como nós) e já aponta direitinho o dedo para ela quando lhe perguntamos:
- Miguel, onde está a Vivaldina?

8.8.06

os primeiros passos do meu filho

Hoje fiz anos. 34. E recebi a prenda mais valiosa de todas as prendas de aniversário que recebi em 34 anos: o meu filho deu os primeiros passinhos. Acredito que a minha mãe e o meu pai tenham treinado o Miguel para fazer esta gracinha nos anos da mãe, mas de qualquer forma, se ele não tivesse perdido o medo de vir direitinho aos nossos braços abertos, pelo seu próprio pé, nada disto tinha acontecido.Ainda estou de lágrima no olho. E de braços abertos também...