Gosto de ouvir as crianças na sua voz de balão.
Lá em casa, quando falamos do Miguel, é com voz de balão, como se tivessemos engolido uma porção de hélio.
Um dia o nosso filho vai falar com voz de balão.
Gosto de ouvir as crianças, na sua infantil e inocente voz de balão.
Porque falamos assim se engolirmos hélio d'um balão?
Porque o gás hélio é menos denso que o ar, logo, menos densidade, maior velocidade. Se o tragarmos e depois libertarmos dizendo algumas palavras, a foz sai fininha, sobe mais depressa que o ar a que estamos habituados. É por isso. Mas, porque falamos assim, com voz de balão, voz infantil e inocente, quando falamos do Miguel? Do nosso filhinho Miguel?
Eu juro que nem temos andado a engolir gás de balões...
oreinabarriga
este blogue tem Livro de Exclamações
21.6.05
Voz de balão
Bichinho de contas
O meu filho é um bichinho de contas. Retrai-se quando lhe tocamos, finge que não está quando pressente que é com ele mesmo que falamos. Quando a minha barriga soluça eu trato de avisar o pai, mas mal a mão dele se aproxima, tal como o bichinho de contas, enrola-se bem quietinho e poe-se à escuta e já não damos mais por ele até nos apanhar distraídos outra vez com outra coisa qualquer.
Hoje começou o Verão.
O meu filho Miguel vai nascer no Verão.
E sob o signo de caranguejo.
Este ano quase não choveu, mas o calor tardou em chegar.
Calculei que o meu filho ía nascer num dia de chuva, em pleno Verão. Mas o calor veio, abrasador, é como se a crosta do mundo fosse feita de zinco, praticamente.
O avôzinho João é caranguejo, a tia Alice também... e a Ritinha da escola...
Não precisas enrolar-te filho, fingir que não estás aí, que és um bichinho de contas, nasce à vontade, és de um signo bom, o verão começa hoje, tens toda a luz do sol, toda a energia, não te parece que agora, está tudo à tua espera?
15.6.05
Braço engessado
Fui hoje pela primeira vez ao Hospital Fernando Fonseca onde o meu filho irá nascer dentro em breve, a uma consulta de referência. Se o Miguel não quizer nascer antes, no dia 1 de Julho volto lá.
Tive que repetir o CTG porque o meu filho adormeceu no primeiro! Entretanto fui examinada e foram-me extraídas umas humidades para analisar possíveis infecções, num exame que não doeu absolutamente nada apesar da posição incomoda a que ficamos sujeitas, com a parte de dentro dos joelhos encaixada naqueles ferros pouco ou nada simpáticos que existem para o efeito à uma quantidade de anos.
No segundo CTG o gráfico estava mais composto e ficaram devidamente registados os movimentos do meu filho. É um exame muito bom de se fazer porque a Sr.ª enfermeira trata de nos deitar cómodamente num sofá, ligar um aparelho com uma sonda à nossa barriga e ficamos ali 10, 15 minutos a ouvir o coraçãozinho do nosso filho a tocar...
De contracções uterinas não houve registo, dilatação zero e continua tudo a correr às mil maravilhas. O avôzinho João ficou a dar voltas pelo Hospital e foi saber para onde é que eu vou quando rebentarem as águas e a avózinha Ana ficou a "crochetar" na sala de espera.
O pai também foi ao Hospital, mas foi ao de St.ª Maria por causa da queda que deu a jogar à bola e veio de lá com o braço engessado.
É verdade, o pai está de braço direito engessado.
Mas mesmo assim, vai querer receber-te de braços abertos! E vai querer de certo ficar com a tua mãozinha, com o teu pézinho marcados no gesso, ou com a data do teu nascimento.
Agora que eu precisava dos braços do pai, para dar descanso aos meus...
Mas ainda nos vamos rir quando for para mudar a fralda.
Simulação do periodo de expulsão
Devia treinar todos os exercícios que aprendi todos os dias porque só com muito treino se conseguem aplicar quando chegar a hora. Aprendi vários tipos de respiração, aprendi a fazer força quando tem de ser e como deve ser, aprendi os sinais de parto e os de alerta e a descontrair também. A verdade é que salto muitos dias, por estar cansada, mas tanta coisa se retem e se tivesse procurado, de certo não tinha encontrado uma Professora melhor.
Gosto muito das aulinhas da Prof.ª Lola e dela também, vou ter saudades quando o Miguel nascer. Vou perguntar à Prof.ª Lola, se ela dá aulas de ginástica para bebés...
30.5.05
O quadro do circo
Nas sobras do tempo pintei mais um quadro para o quarto do meu filho.
Inspirei-me nos desenhos do Circo da BebéConfort que vão aconchegar o Miguel dentro em breve. Não ficou mal pois não? E cá está a barra com uns bonecos muito engraçados prontos para irem para a caminha que a mamã e o papá colaram na parede.
Gosto do quartinho do meu filho. Ainda bem que lá que vou ficar a dormir também...
Voltar atrás
Volto atrás aos primeiros Post's do Blog, escolhi Tenho o rei na barriga como título para o primeiro Post. Tinha a intuição que esperava por um filho. Por um rapazinho. Quando era pequena nunca soube escolher entre querer um mano ou uma mana, na minha gravidez nunca soube dizer se queria ter um filho ou uma filha 8os filhos não têm sexo) apenas não tive que mudar o nome ao blog, nem substituir meu filho por minha filha e fiquei tão feliz!
A minha barriga de três meses de grávida, uma meia lua, um satélite pequeno, tão pouco saliente e eu por essa altura já a exibia como faço hoje que parece que engoli o plutão. A ansiedade que eu sentia a fazer o calendário andar para trás, "há vinte dias que não passa uma semana" desabafava eu para o papelinho colado na porta do frigorífico com a data da ecografia, "se podemos comprar um frigorífico porque não se vendem máquinas de ultra sons?"
A Euforia do Euro 2004 realizado em Portugal, a nossa selecção de futebol na final, guardarei na memória para sempre que todas as janelas de todas as ruas e todos os carros e em todos os lugares havia uma bandeira de Portugal! Somos um país envergonhado, complexado, cheio de chicos-espertos, pouco mais que um país envergonhado, complexado, com a mania da pequenez, com a melancolia do fado atrás, mas a terra tremeu de certo com os pulos que demos aqui no quarteirão. É pena esta euforia toda, este orgulho de ser, este patriotismo só se manisfestar quando se trata de bola, mas enfim, isso é outra história.
Depois a tragédia do Tsunami que me custou horrores assistir, principalmente porque tinha medo de perder o meu filho e tantas mães perderam os seus filhos...
Na passagem d' Ano no Hard Rock Café em Lisboa pulei e dancei toda a noite até de madrugada e senti-me sempre muito bem, não tomamos a opção mais tranquila mas ainda hoje creio que o meu filho curtiu a passagem do ano 2004 para 2005 tanto como eu. Quem disse que uma grávida não pode dançar e pular, divertir-se, cometer alguns excessos? Uma gravidez normal é uma dádiva, há que aproveitá-la e deitar para trás das costas alguns comentários e livrarmo-nos das preocupações constantes.
À medida que os dias do calendário iam ficando efectivamente para trás e as ecografias se juntavam uma à outra, a primeira cambalhota do meu filho que eu senti e as outras todas que se seguiram, eu ia finalmente atingindo a segurança tão desejada. A fase mais tranquila da minha gravidez começou sem dúvida por volta das 27 semanas porque comecei a sentir vivamente os movimentos do meu filho. Quando queria saber dele, esperava, e se um pontapézinho tardava eu esticava-me no sofá de papo para o ar e não demorava nada, estávamos os dois a brincar juntos outra vez! Já não precisava barafustar com as folhas do calendário, esperar pela próxima ecografia e pelas consultas no posto médico para ouvir o coraçãozinho do meu filho a bater, e é assim hoje, carregá-lo é quase como tê-lo no colo, só faltam os sons, o choro, a risada, o palrar, só falta um bocadinho mais de grávida para poder olhar para ele, contemplar cada pedacinho de bochecha, de pezinho... cá fora temos tanto para brincar e descobrir juntos! Vou ter tanto para escrever, para blogar!
Aproxima-se a hora do parto. A hora de todas as dores. Vou chorar cada uma delas, vou chorar quando te vir pela primeira vez mais do que nas dores, vou dar-te o meu peito, os meus braços a minha vida e o futuro. Vou trazer-te para casa, vais abrir os olhos e os quadros que pintei para ti são sombras ou nem isso e os brinquedos podiam não existir, vais depender de mim e eu de ti.
Vamos conseguir sobreviver? Tu muito indefeso, eu muito aselha? Podemos sempre contar com a ajuda do pai, aquele que passa a vida a encostar-se à minha barriga e fala lá para dentro como se isto fosse um altifalante: É o pai! É o pai!
Vou aproveitar para apertar a mão dele (do pai) com força, talvez consiga dar-lhe até uma dentada e vingar-me das eco-grafias onde ele não esteve, mas de certo estará nos momentos em que realmente precisar-mos dele. Bem sei que a maior dor há-de ser sempre a da mãe, o maior esforço, a maior culpa, a cobrança de permanente disponibilidade (nunca uma mãe poderá ficar ausente, nunca lhe será perdoado o facto de pensar em outra coisa qualquer primeiro, como a profissão, um compromisso, uma conversa com uma amiga, qualquer coisa que não seja o seu filho), se um pai não muda uma fralda ou se esquece de dar um biberon pode até em conversa, ser um episódio com graça, se uma mãe cometer o mesmo esquecimento é logo apelidada de má mãe, cabe à mãe a maior das responsabilidades, a maior força de braços e a passada mais comprida, mas se a felicidade tiver tamanho, caberá à mãe a parte maior? Parecia-me justo...
P.S.: Toda a gratidão pelos bons momentos sobretudo a imensa felicidade que trouxe à minha vida a minha gravidez, vai para o meu pai e para a minha mãe. É impressionante como as mãos dos dois me embalam e me seguram todos os dias, até mesmo naqueles em que não estamos juntos. Até hoje nunca amei ninguém como amo incondicionalmente o meu pai e a minha mãe. Com a vinda do meu filho Miguel o meu coração (re) partiu-se em mais um. Graças a Deus...
25.5.05
A Última ecografia?
Estou com 35 semanas de gestação e 41 cm' s de bebézinho! Fui bem examinada mas às pressas, talvez porque o corredor lá fora estava apinhado de grávidas e de outras barrigas cheias de água mineral, qual balões prestes a rebentar se a espera demorar mais um nadinha que seja, ou talvez porque os médicos e enfermeiros estiveram a ler as mesmas notícias que eu e ficaram cheios de stress. Muito embora o governo tenha mudado à pouco tempo da direita mais para a esquerda, a verdade é que vão haver cortes no orçamento para a saúde (cortes, tem piada, mais um corte milimétrico e ía jurar que deixa de ser possível substituir as lâmpadas fundidas nos hospitais); os impostos vão aumentar assim como a prestação para a segurança social (tudo em nome do défice) e outras notícias da mesma espécie para as quais tenho aplicado os exercícios de respiração mais adequados que me tem ensinado a Professora Lurdes.
O meu filho está bem e já deu a volta, ou seja, está de cabeça para baixo, a fazer o pino como deve de ser, prontinho para nascer e isto é o que me deixa aliviada e ligeiramente adormecida, lembro-me das notícias mas se calhar li o jornal de outro país qualquer igualmente moribundo... O que realmente importa é o meu filho.
Já fora da clínica é que me passou pela cabeça que atrás de mim outras mães vêm e estiveram tal como eu uma eternidade de calendário e depois de salinha de espera a aguardar por uma ecografia para ouvirem dizer que está tudo bem, sentirem a saborosa anestesia das frases mágicas que eu também pude ouvir: percentil 50, boa vitalidade fetal, posição cefálica... a realidade é que somos atendidas às pressas, representamos para o estado um número de beneficiário com uma senha na mão com o número da nossa vez, mas deveríamos ser atendidas e atendidos como os que fogem às contribuições e são atendidas(os) no privado: como reis e como raínhas! Com pompa e circunstância, porque afinal, somos nós, os utentes da segurança social, os miseráveis do costume que vamos mais uma vez salvar Portugal do défice, da lama, da cauda da Europa e nas próximas eleições estaremos lá, esperançosos, com o perdão na mão e a esferográfica na outra para votarmos outra vez no mesmo partido!
O avôzinho João, depois de amanhã que é feriado, vai voltar à clinica para buscar o relatório da ecografia... não sei quanto pesa o meu filho ao certo e o peso do meu filho é que me importa. Mais que tudo, devia até ser notícia de abertura de telejornal. Pelo menos...
23.5.05
A Mobilia chegou!
Este fim de semana arrumei uma mão cheia de afazeres. Ufa... o que vale é que conto com a ajuda deles (do avôzinho e da avózinha) todas as horas e com o próximo fim de semana também.
20.5.05
Mudanças
Já não tenho a ansiedade dos primeiros meses porque sinto todos os movimentos e chega a ser visivel o agitar das águas dentro da minha barriga quando ele se mexe. Nesses momentos, fico a comtemplar as formas dele às voltas por baixo da minha pele. É tudo tão mágico. E tranquilizante... se ele se mexe é porque está bem, é porque está lá... é porque o coraçãozinho dele bate, naturalmente.
Tenho o rei na barriga e toda a vaidade. Não engordei mais do que o peso do meu filho e seus meios aquáticos. Não visto roupa de grávida (os uniformes!), estou uma uma grávida bonita! Não enjoo comidas, nem cheiros nem ambientes, não tenho azia (continuo sem saber o que é esse desconforto na garganta), não tenho mais nem menos apetite que antes de engravidar e o cansaço que sinto é porque já não há posições confortáveis para eu me aninhar, durmo mal e porque todo o tempo é pouco para todas as tarefas que me cabem.
A ansiedade do tempo a esgotar-se tem tomado conta de mim apesar das mil maravilhas que tenho passado.
Não sei se o pai já compreendeu que não quero sair cá de casa, não me apetece ir para a Sertã, nem para lugar nenhum. Trabalho muito e todos os dias, apetece-me ficar de molho aos fins de semana e nos feriados que por esta altura estão todos no calendário só para eu ter que me chatear com o pai que está claustrofóbico, este ano não vai de férias para lado nenhum por causa do bebézinho e está farto de passar os fins-de-semana em casa!
De vez em quando choro uma lágrima cá para mim, que deslisa sem incomodar ninguém. Preciso urgentemente que entendam isto: Neste fim de semana que está para chegar, no próximo estúpido feriado que vier eu não estou para ninguém! Deixem-me descansar sózinha mais o meu filho, não quero sair daqui, não quero ir para lado nenhum, não quero fazer outra mala que não seja a que hei-de levar à maternidade. Não tenho muito tempo e quero criar o mundo do meu filho, pintar, blogar, engomar as últimas roupinhas, pintar o varão dos cortinados, isto não são horas de contrariar uma pessoa grávida!
Ás vezes sinto um medo breve que logo espanto, uma solidão que logo afasto (as grávidas nunca estão sózinhas). Sinto uma fragilidade como se estivesse a vergar-me porque não posso com o mundo todo em cima dos ombros.
Felismente a caminha e a cómoda vão chegar já na segunda-feira!
Hoje, quando chegar a casa vou pintar o varão dos cortinados. Hoje é que é.
Quando o meu filho nascer será igualmente assim: um intenso cansaço e uma imensa felicidade!
Que turbilhão!! São as mudanças... Mudanças no quarto do meu filho e por dentro de mim.
12.5.05
Os alinhavos
Já comprei "O Circo" da Bebé Confort para decorar o berço, é cinzento, tem bordados animais do circo e o véu que cobre o berço tem tantas cores!
A mobília está para chegar. Já comprei telas e tinta não tóxica a condizer para eu mesma pintar os quadros. Vou desenhar numa delas, um caracol. Pensei em desenhar e pintar euzinha os animais do circo numa barra à volta da parede do quarto mas a ideia (genial!) não agradou nem um bocadinho ao pai... Paciência... Acho que vamos deixar as paredes em branco ou talvez colar uma barra de papel de parede.
Sei as cores do caracol, mas ainda não sei de que cor pinto o fundo porque ainda não sei de que cor vai ficar o mundo. Estou nos alinhavos.
10.5.05
O Milagre da Maternidade

Como é possível agarrar uma mãozinha que ainda está dentro da barriga como se fosse uma grande borbulha?
Será um pézinho? Ou um cotovelo?
A mim, pareceu-me uma mãozinha fechada. Agarrei-a por uns segundos, posso dizer que segurei na mão do meu filho e ele ainda está na minha barriga!
Ao mesmo tempo faz impressão ter ali um alto, uma bola saltitante e também faz impressão tentar agarrá-la. O pai diz que parece que tenho um "Alien" na barriga.
Liguei o rádio do carro e no primeiro semáforo contorci-me no banco como o corpo se contorce quando sente cócegas. Olhei para baixo, vi a mão fechada do meu filho ao lado direito a empurrar a minha pele como se o punho acompanha-se um veemente discurso. Foi numa dessas investidas que consegui agarrar a grande borbulha e segurá-la uns breves segundos... ninguém buzinou atrás de mim e uma gota de água salgada pingou a minha blusa verde...
É isto e uns pózinhos mais, o começo do milagre da Maternidade...

8.5.05
Todo o tempo que me resta parece pouco
O meu filho explora a gruta uterina durante a noite, de vez em quando enfia os pés pelas mãos, acordo e todos os meus pensamentos vão para ele: a hora do nascimento, as dores, a mala da maternidade, os primeiros dias. É verdade que todas as mães estão preparadas para serem mães sem o saberem? Estou nisto até voltar a adormecer, durmo até que o meu filho me voltar a despertar.
Ontem o avôzinho João e a avózinha Ana compraram a caminha de grades e a cómoda para o quarto do Miguel. Eu e o pai gostamos da mobilia do cãozinho http://moveisgaspares.pt desde a primeira vez que a vimos no site. Quando a mobília chegar daremos os primeiros passos na decoração do pequeno mundo do nosso filho.
Está quase tudo ainda na minha cabeça. Daqui vejo a alça da mala que hei-de levar para a maternidade: está a meio... e todo o tempo que me resta parece pouco...
24.4.05
21.4.05
Homenagem
Aos que cospem para o chão
Aos que cospem para o ar
Aos que retiram cocós das fossas nasais
Aos fala - barato
Aos que não são para aqui chamados
Aos que seguram uma beata acesa contra a palma da mão
Aos que deixam crescer a unha do dedo mindinho
Aos que limpam o ouvido com ela
Aos condutores impacientes
Aos donos de cães danados
Aos que puxam o elevador antes de mim
Aos que andam em bicos dos pés
Muito Obrigada
20.4.05
O Papa Bento XVI
Eu sinceramente, tinha esperança que fosse eleito ou o nosso Cardeal José Policarpo, ou o José Mourinho (ex. treinador do FêCêPê e actual treinador do Chelsea), mas não, parece que D. José Policarpo não foi eleito por fumar dois maços de SG por dia, alias, foi por causa do vício, que não havia maneira de sair fumo branco da chaminé da Capela Sistina no Vaticano. Milhares de pessoas na praça de São Pedro de olhos postos na tal chaminé, durante 3 dias e nem sinais da decisão do Conclave, apenas fumo negro e um intenso cheiro a tabaco. Foi chato, realmente foi. O segundo, o José Mourinho, parece que não aceitou. Não é que ele não fosse capaz de treinar os 114 Cardeais, mesmo equipados com vestido comprido, que isso para José Mourinho não tenho dúvidas que era canja, mas acredito que tenha sido o facto do calendário dos jogos não coincidir com o calendário da celebração das missas e também para não criar qualquer confrangimento à Igreja no caso de uma equipa de futebol de Roma vir a perder com o Chelsea de Londres. Apesar de um nadinha desapontada com o sucessor de João Paulo II, estou finalmente prestes a viver melhores dias. Não é que me faça diferença que o novo Papa seja o Ratzinger ou outro qualquer, é que já tenho saudades de chegar a casa e ligar o rádio ou a televisão e ouvir música, notícias! Cumprimentar o vizinho no elevador e falar do tempo. Tenho saudades de discutir futebol com os colegas, de não se ouvir falar em Papa. Só isso.
19.4.05
A solução para os nossos problemas
A solução para os nossos problemas está no supermercado. Num supermercado qualquer e na prateleira do frio. Chama-se Iogurte.
Ele há Iogurtes com Esteróis Vegetais para baixar o colesterol e para baixar a tensão arterial, com Bifidus Activo para regular a flora intestinal, com Lactobacillus Casei para nos proteger como um escudo das doenças e com Aloé Vera que já toda a gente sabe, serve para tudo.
No caso do seu organismo não tolerar iogurtes de leite, não desanime que os fabricantes destas garrafinhas milagrosas também já pensaram nisso e inventaram os iogurtes de soja.
Basta uma garrafinha por dia para resolver o seu problema, seja ele de que dificuldade for.
Eu própria mandei substituir as prateleiras do frigorífico lá de casa de modo a poder enfiar as garrafinhas nos orifícios onde antes colocava os ovos, e as paletes de data de validade mais prolongada estão devidamente acondicionados na gaveta dos vegetais. A carne e o peixe também já foram abolidos da minha dieta, o pão idem.
Para além das garrafinhas já só tomo os comprimidos para a memória com um nadinha de água da torneira. E de há 14 dias para cá tenho-me sentido muito melhor. Da memória. Qualquer dia estou capaz de me lembrar para que é que servem os iogurtes naturais, aqueles com cálcio e assim.
18.4.05
A aulinha da Prof.ª Lola
O posto médico prometeu as aulas de ginástica e de preparação para o parto, mas não cumpriu. No Hospital Fernando Fonseca (Hosp. Amadora/ Sintra) onde irá nascer o meu bebé, só dão aulas às funcionárias, o que está certo, mas e as utentes? As que contribuem obrigatóriamente para o regime da Segurança Social?
Uma vez que o Hospital a que sou afecta bem como o centro de saúde da minha área de residência, não prestam este serviço, contactei a Maternidade Alfredo da Costa e outras Instituições do Estado, mas todas correram comigo e apesar de ser um direito de todas as grávidas, não restou outro desfecho que ter aulas particulares.
Hoje, tive a primeira, na casa da Prof.ª Lurdes Henriques, que conheço da escola onde trabalho e descobri que para além de ser Prof.ª de ginástica também está habilitada e dá aulas de ginástica a grávidas e de p.p.p..
Não seria melhor para o Estado que a grávida fosse melhor preparada para o parto? Facilitando o trabalho da equipa médica e de enfermagem, encurtando o tempo dispendido com as parturientes e minimizando-lhes o sofrimento?
12.4.05
Coisas de Bebé
2 Malas
Para enfiar o que vem a seguir. Uma para as coisas da mãe outra para as do bebé
Bolsa com documentos da mãe e do bebé
Nao esquecer os exames efectuados durante a gravidez
Telemóvel (com câmara fotográfica para as primeiras fotos do recém nascido, mais tarde serão consideradas as mais valiosas)
Radio portatil pequeno com auscultadores
MUSTELA Fisio-Bebé
Para a higiene do bebé. Não é preciso enxaguar
Algodões
Para utilizar o Fisio-bebé
Cotonetes
BEPANTENE (farmácias)
Para evitar e tratar as assaduras do rabinho do bebé. Para colocar nos mamilos depois das mamadas
Discos de amamentação
Toalhitas (embalagens grandes)
As HUGGIES são as melhores
Fraldas DODOT Recém-nascido (3 a 6Kg)
Compressas
Para desinfectar o umbigo nos 1ºs dias com álcool a 70 graus
Álcool a 70 graus
Soro fisiológico
Escova de cabelo
Tesoura de unhas
Com pontas redondas para não haverem acidentes
Chuchas para recém-nascido
Biberões mais pequenos (chamados biberões de água)
Para o caso da mãe não ter leite ou ter que dar suplemento.
12 pares de cuecas descartáveis
É o melhor e mais prático
Pensos higiénicos
Para incontinentes são os melhores.
Sacos para a roupa suja
Fraldas de pano
(Multi usos)
2 Soutiens de amamentação
Cinta pós parto (opcional)
Camisas e/ou pijamas abertos à frente
Para facilitar as mamadas. Convém que sejam bonitos para ficarmos bem nas 1ªs fotografias
Chinelos de plástico
Para usar no banho
Roupão
Mola ou elástico para o cabelo
É essencial sobretudo na altura do parto
3 mudas de roupa tamanho 0/1
Na última eco já dá para prever o tamanho do bebé quando ele nascer. O Hospital pode ter a roupinha para o recém-nascido mas mais vale prevenir... A roupinha deve ir em conjuntos separada em saquinhos de plástico com os dizeres: dia 1, dia 2, etc., para facilitar sobretudo o trabalho das enfermeiras na hora de vestir o bebé. Não esquecer o conjunto para o dia da saída.
1 muda de roupa para a mãe sair da maternidade
Não esquecer que a medida continua a ser "large"
Bolsa de comésticos com:
Espelho; hidratante; escova e pasta de dentes; escova de cabelo; champô e amaciador, gel de banho e luva; loção pós-parto; mola para prender o cabelo; perfume; toalhas… enfim, salvo as toalhas, a bolsa de ir de férias serve perfeitamente.
Coisas de Bebé para ter no quartinho - "Hardware" e “Software”
Carrinho de passeio e baby coque
Os trio são uma boa opção. Carrinho+ baby coque+ alcofa. Carrinho e baby coque são imprescindíveis, a alcofa será muito útil para as sestas e as noitadas na casa dos avós.
Berço
Para que desde cedo se habituem à caminha
Cómoda
Para guardar as coisas do bebé utilizadas no dia à dia e tê-las todas num sítio só e sempre à mão
Fraldário
Por cima da cómoda para evitar as dores nas costas
Banheira
De pernas altas para ficar por cima do bidé é uma boa opção
Enxoval de roupinhas
Enxoval de roupa de cama e de alcofa (roupa de cama mais pequena)
Toalhas para depois do banho
Com capuz
Marsupial
Bolsa dorsal ou ventral (ou 2 em 1) para transportar o bebé. Opcional. Ao contrário do baby coque deixa as mãos livres...
Almofadas anti - asfixia e de apoio, para o berço
As de apoio evitam que o bebé se vire no berço. A melhor posição para ele dormir é de barriga para cima
Protecções para o colchão (alcofa também)
Para evitar que o bebé molhe as roupas da cama e o colchão sobretudo
Fraldas descartáveis
Fraldas de pano
Termómetro para o banho
Termómetro digital
Champô para recém-nascido
Liquido de banho
Esponja natural
Livros e bonecos à prova de água
Para colorir o banho
Óleo de massagem
Quem não gosta de massagens?
Toalhetes
BEPANTENE
Cotonetes
Soro fisiológico
Para desentupir o nariz do bebé por exemplo
Compressas e álcool a 70 graus
Óleo de amêndoas doces
Para pôr na cabeça do bebé e depois lavar no banho para saírem as crostas
AERO OM
Para as cólicas
BEBÉ GEL
Para os cocós
Tesoura de unhas
Com pontas redondas
BEN-U-RON infantil
É dos poucos alívios que se pode tomar enquanto se amamenta
Discos de amamentação e toalhetes
Intercomunicadores
1ºs brinquedos
Liquido esterilizador a frio
Prático para esterilizar chuchas, brinquedos, etc.
Esterilizador para biberões
Chuchas
Várias para que o bebé não se habitue a uma só
Biberões de água e/ ou de leite
São aconselhados os de vidro e da AVENT
Bomba de tirar leite da AVENT
Parece que as outras magoam…
Escova de cabelo
(...)
Ufa!!! As coisas que um bebé precisa! Uma coisa tão pequenina…
Nunca digas a uma grávida:

Nunca digas a uma grávida que:
- Não é assim que se faz.
- Dá cá que eu faço para veres como é.
- Nota-se que és mesmo inexperiente...
Nunca, mas nunca:
- A deixes carregar as compras do supermercado
- Lhe telefones depois das 1o (da noite). Ela já está a dormir...
- Digas nada que a enerve ou a deprima. As suas hormonas já trataram disso
Nunca te esqueças que:
- Todas as grávidas têm instinto maternal. Cada uma tem e terá com o seu filho uma relação pessoal e única.
- Todas as grávidas choram. Por tudo e por nada.
- Todas as grávidas são bonitas.
E a cima de tudo:
- Perto de uma grávida nunca te ponhas em bicos dos pés.
8.4.05
O primeiro bólide do meu filho
Fizemos as primeiras comprinhas para o nosso rebento no El Corte Inglés: dois biberons de água, dois biberons de leite, o "marsupial" da bébéconfort, escova para o cabelo, tesoura, discos de amamentação... só não compramos o berço e a cómoda com o fraldário e a cadeira auto porque achamos por bem deixar o "Hard Ware" para as próximas aquisições.
O Miguel acaba de xutar a minha bexiga. Tudo o que estorva no meu organismo, ele xuta para o lado: rins, bexiga e essas inutilidades que, claro, com 27 semanas de gestação ainda não compreende que me fazem imensa falta no sítio onde estão. Lá vou eu pela enésima vez à casa de banho, esta é parte pior...
... tirando as flexões a toda a vez e hora é um gasto medonho em papél higiénico. Mas são os pézinhos do meu filho a mexer, a minha barriga aos tremeliques, o coraçãozinho a bater junto com o meu no mesmo mundinho a minha maior alegria! Se eu pudesse pôr tamanha felicidade em letrinhas... O carrinho montado na sala, a alcofa com peluches dentro, o pijaminha azul no estendal, a cómoda do nosso quarto cheia de roupinhas de bébé, o berço que havemos de comprar com o meu filho dentro nos meus sonhos... se eu pudesse por este sentimento em letrinhas...
Eu não sou muito religiosa, sou um pouco ou nada religiosa. Tenho as minhas convicções, acredito no meu Deus, tenho cá a minha fé, mas neste momento só me lembro das letrinhas do título de um livrinho de poemas do José Régio que o meu pai me ofereceu, e na falta de outras letrinhas, estas, servem na perfeição: "Mas Deus é grande!"
6.4.05
Grávida assim assim.
Tenho aprendido últimamente que existem as mulheres grávidas, as grávidas de facto, ou seja, muitíssimo grávidas e as grávidas assim-assim. Isto porque a minha gravidez tem sido observada e comentada por inúmeras mulheres. Há as da qualidade que ainda não tiveram filhos mas gostariam, estas apreciam a minha barriga como uma jóia da Pierre Cardin e como se estivessem a admirar a montra da relejoaria, quando se afastam, prometem a si próprias que um dia terão uma barriga de grávida também. Há as da qualidade que já foram mães e relatam as suas experiências, confortam e mostram-se disponíveis para emprestar utilidades. E há as que sabem tudo (mas é que sabem mesmo tudo!). Na minha opinião devería existir um horário para que estas últimas pudessem saír à rua. Estando eu informada desse periodo de tempo, poderia recolher-me em casa ou numa casa de banho pública, trancar a porta, permanecer no mais quieto silêncio e aguardar que se esgotesse o tempo. As mulheres da qualidade que sabem tudo constituem uma praga maior que os vendedores de enciclopédias e de aspiradores porta a porta. Não vale a pena encolher a barriga, mudar de passeio, fingir que estou muito ocupada porque as que sabem tudo acham que eu não sei absolutamente nada e cria-se ali uma incompatibilidade sem necessidade nenhuma.
Eu só não publico a temática destas enciclopédias da maternidade ambulantes porque já me vejo à rasca para gravar os meus post's uma vez que o blog já é considerado do tipo large e o sistema diz-me This may take a few minutes if you have a large blog... e depois estou para aqui uma eternidade para republishar.
Estou a tentar agrupá-las. Às diferentes qualidades de mulheres.
Já enfiei algumas no grupo das solidárias, outras no grupo das conselheiras mas a maioria tenho mesmo que pô-las no grupo das idiotas. São de certa forma parecidas com as que sabem tudo, mas considerei que pelas suas particularidades mereciam ser enfiadas num grupo distinto.
As idiotas após observarem os meus modos e a minha aparência, disgnosticam que estou grávida assim-assim.
Como fazem o diagnóstico? Com um raio X.
Mandaram instalar o aparelho numa daquelas lojas do sul de Espanha, à beirinha da praia (eu própria mandei instalar o meu piercing no umbigo vai para três anos numa dessas lojas) e apesar daquilo tornar uma pessoa fisicamente para o quadrado elas não se importam nada com isso, vêm direitinhas a mim, o raio X dispara e sai a ficha. As idiotas que ainda não instalaram o raio X no Sul de Espanha, ou porque são umas pindéricas ou porque foram apanhadas pela GNR a circular com o raio X sem o autocolante de perigo de radiações, aquele amarelo e ficaram sem carta de utilização, recorrem a métodos mais comuns, como por exemplo achar-me o mínimo múltiplo comum, a raíz quadrada, trinta por uma linha, etc. Qual é o diagnóstico? Muito pouco grávida ou grávida assim-assim, pelo que passam à fase seguinte: o receituário. E o receituário manda-me mudar de calçado e não cruzar as pernas. Ficar bordando o enxoval do miúdo durante a hora do almoço. Nunca vestir de preto nem usar cinto (incluíndo o de segurança). Mini saia não é apropriado. Decotes profundos também não. Fumar é claro, é considerado comportamento altamente promíscuo, dependendo das miligramas de nicotina pode até dar-se o caso de vir a ser excomungada e se me apanham internam-me numa sacristia, mandam vir um padre exorcista e uma garrafinha de água benta.
O que me chateia é que por mais que eu diga que me deito todos os dias às 8 da noite, as do tipo idiotas chamam-me vadia. E se digo que não gosto de bordar é porque o meu filho vai nascer sem enxoval e se eu digo que compro tudo já bordado é como falar para o boneco. Quem teria bordado o enxoval do menino Jesus? Será que as idiotas já se preocuparam alguma vez com isso?
O meu filho, acreditem ou não, tem muito mais de enxoval que o menino Jesus, tem burro, tem vaquinha, palhas não tem mas tem o trio da Chicco (porque agora existem normas que obrigam as crianças a serem transportadas neste tipo de recipientes) e o resto compramos tudo no El Corte Inglés. Havia lá El Corte Inglés quando o menino Jesus nasceu! Nem Pão de Açucar com certeza. E alguma vez as idiotas se ralaram com isso? E disseram coitadinho daquele anjinho, pobrezinho, sem enxoval, sem nada? Só sabem dizer que a mãe dele era virgem, era virgem. Isto é que me chateia!
Em suma, uma grávida para lhe ser diagnosticada e aprovada uma gravidez como deve de ser tem que vestir o chamado uniforme, o dito do camiseiro, da jardineira e das saias para elefantes com elásticos laterais. Também as cintas e cuecas tamanho pára-quedas fazem parte do uniforme, bem como as chanatas. Se eu saio de casa assim encaixotada dentro deste pacote, a parecer-me com uma saca de ração, não sinto nada que estou mais grávida que o costume, mas as idiotas vêm de lá com o aparelho de raio X apontado e é ouvi-las: Hoje sim, pareces uma grávida! Assim-sim és uma menina bonita, e tunga. Cai a ficha: temporariamente muitíssimo grávida.
Uma grávida não deve rir, apenas sorrir e para não ser alvo de tentações prejudiciais ao anjinho que há-de vir, deve bordar, bordar, bordar, bordar e rezar, rezar, rezar, rezar...
Enfim... É por causa destas e doutras que sempre que me cruzo com este grupo fico arrasada. Convencida que sou uma má mãe, uma péssima progenitora, uma madrasta, uma irresponsabilidade ambulante, um desastre, um cruzes credo, um horror, mas sobretudo fico convencida que só duas modalidades de mulheres podem engravidar: as idiotas e as freiras.
Ainda só não apanhei uma depressão por causa disto da minha gravidez ser constantemente assunto de destaque, porque o papa João Paulo II faleceu a semana passada, de modo que desde então, não se tem falado de outra coisa. É que não se tem falado mesmo de outra coisa. Chiça!
21.3.05
Folhas em branco
É assim que tudo começa. Folhas e mais folhas em branco.
Foi assim em pequena, quando o meu pai me ofereceu um livro todo em branco.
Eu, pequena, devia ter calculado que um livro em branco é um presente sem qualquer utilidade, mas não. Devia ter calculado que um livro todo em branco é algo que não se leva a passear, não se mostra às amigas da escola, nem às inimigas tão pouco. As primeiras não achariam graça nenhuma e as segundas porque achariam muita graça e diriam que era bem feito.
É uma coisa à qual não se brinca, pronto.
Podia ter questionado o meu pai. Pai: para que quero eu um livro em branco? Não havia com bonecos?
Podia ter desenhado os bonecos.
Podia ter preservado o livro assim, em branco. Era o melhor que tinha feito e ainda hoje o dito livro podia existir, em branco, neste caso, limpo. Mas não. O livro já não existe porque eu escrevi nele uma mão cheia de disparates. O meu pai ainda hoje sente uma certa dose de culpa porque se me tivesse oferecido um Karaoque, talvez eu me tivesse feito gente.
Culpa ou não, a verdade é que nunca mais me ofereceu um livro em branco.
Nem uma folha em branco, nem o canto de uma folheca não fosse eu escrever alguma coisa.
Já mais crescida e muito provavelmente para me vingar das pessoas que gostam de ler coisas que não fui eu que escrevi, como as crónicas do António Lobo Antunes e do Miguel Esteves Cardoso, poemas do José Régio e do Ary dos Santos e coisas assim, embrulhei dois escritos meus em formato de romance em pacotes dos correios e enviei para umas poucas de umas editoras. Graças a Deus que nenhuma delas me deu troco. Naturalmente nem passaram do primeiro capítulo antes de mandar dizer que sim senhor, já cá apanhamos bem pior, não está mal de todo, a menina continue, gostamos, mas, não temos tempo.
Fiquei um nadinha surpreendida. Confesso que tinha uma esperança pouca que uma qualquer editora viesse a publicar os meus escritos uma vez que presentemente quem escreve crónicas e romances e assim, não são os escritores, são os políticos, as mulheres dos políticos e as amantes dos políticos, são os jogadores de futebol, as mulheres e as amantes deles e os treinadores de futebol, que devem depois vir a explicar a táctica tintim por tintim porque esses livros que escrevem têm realmente muita saída.
Vamos agora a uma livraria e é uma dificuldade encontrar um romance que tenha sido escrito por um tal de escritor. Nem sei se a profissão ainda existe. Escritor… Escritora…. (?)
E é precisamente esta a razão de eu ter ficado um nadinha surpreendida.
Mas ainda bem que assim aconteceu, não fosse eu hoje andar para aí a escrever livros! Que vergonha!
Já experimentei cantar, dar umas piruetas, cantar e dar umas piruetas ao mesmo tempo, jogar à bola. Amante de jogador de futebol é que nunca! Nunca experimentei, digo. Nunca calhou, só por isso. Mas nestas actividades é como a escrever, não valho a ponta de um chavelho, de modo que escrevo só para chatear. Para chatear o meu pai, eu própria e algum incauto que inadvertidamente pegou nisto sem querer em vez de pegar na colher da sopa ou do comando da televisão.
Tem piada. Eu encontro piada.
O senhor (ou a senhora) a ler isto… a senhora sua avó, as crianças, o passageiro do seu lado a ler isto também e eu aqui a rir-me.
A achar piada de não saber escrever.
20.3.05
Olá Pai!


Hoje à noitinha o nosso filho resolveu comemorar o dia do pai com uma grande festa. Enquanto assistiamos a um filme ele manteve-se em grande actividade e quando o pai mexeu na barriga, sentiu uns pontapésinhos na palma da mão pela primeira vez.
Ficamos a contemplar a barriga a soluçar, com uns sorrisos patetas postos na cara e só os nossos olhos seriam capazes de explicar aquele momento.
As palavras que faltam neste post, faltam em todos os dicionários.
Na linguagem dos olhos, o nosso filho disse pela primeira vez: Olá Pai!
11.3.05
O significado de MIGUEL
Miguel e pronto
O meu filho vai chamar-se Miguel.
Miguel quê? Miguel e pronto.
Gosto de dizer o teu nome... olho para as tuas fotografias da cor do planeta saturno e acho que tens carinha de Miguel. Ou seja, de arcanjo.
Hoje de madrugada acordei contigo a fazer ginástica. Sorri e virei-me na cama. Segurei a minha barriga e então senti um pontapézinho contra a palma da minha mão!
Fiquei embevecida... embevecida a olhar para o tecto do quarto que ainda mal se distinguia, com a mão em cima da barriga à espera de outro toque. Estaría a sonhar? E depressa senti o segundo xuto!
Não, não estava a sonhar. Ainda não desci da lua. Quero cá ficar.
No dia 11 de Março de 2005, acordei porque o meu filho Miguel queria brincar comigo... agora escrevo os meus Post' s da lua. Quando encontrar um marco do correio (serão vermelhos?) prometo que vos envio este Post.
9.3.05
O Gatuno e o Pisa-Papéis
O Gatuno passava pelas brasas em cima das notícias de sexta-feira. Mais precisamente, em cima de um soldado Israelita na faixa de Gaza.
Tenho que lhe mudar os jornais da alcofa...
Já o Pisa-Papéis é pouco dado a actualidades. Raramente o vejo metido na guerra Israel-o-Árabe ou a comer os biscoitos em cima do orçamento rectificativo. Não dorme na Assembleia da República o que por si só faz deste gato uma espécie rara. De modo que fazendo jus ao nome que lhe pusemos fui encontrá-lo em cima da escrivaninha a remexer com as patas os meu talões do multibanco e as minhas facturas do gás e da electricidade.
- Pisa-Papéis, sai já daí!
Ao que o gato levantou a cabeça e me fixou com olhos de contabilista depois de ter avaliado as minhas contas, como que a dizer que por este andar, vamos acabar por ter que dividir a malga do leite e dos biscoitos em cima das notícias da semana passada e andarmos por aí à noite, de gatas, para poupar luz eléctrica.
- De qualquer modo, se eu não te tivesse dado uma pilada naquele dia que me espetei com a bicicleta contra os caixotes do lixo, ainda hoje andavas aos papéis! E mais, quem é que forra a tua parte da alcofa com papel desportivo? Quem é? Quem é tolerante e amigo quando vai para calçar os chinelos e não sabe de que lado é que o pé entra no chinelo? Quem é que noutro dia comprou paté de caviar quando se armou em VIC (leia-se very important cat) e enjoou as sardinhas? Ai o menino... saia já daí de cima, já disse!
Nisto, entra-me a minha sogra pela porta a dentro. A minha querida sogra que está-se nas tintas de me entrar pela porta a dentro e eu em cuecas à vontade. Mete a chave na ranhura e lá vai ela direitinha ao nosso quarto, às nossas mesinhas de cabeceira, fazer a prova dos naprons.
- O que é que achas destes Alberto, com bilros? Ai filho, estás tão magrinho! Ficam aqui bem, não ficam? Devias era mudar de candeeiros que isto já não se usa.
- O quê, os naprons?
- Não filho, estes candeeiros. Onde está o Gatuno?
- A última vez que o vi estava na Cisjordânia.
- Trouxe-lhe aqui umas espinhas de bacalhau, aquilo dele roubar as visitas, coitadinho, não faz por mal...
- É. Nós até estamos a pensar em mudar-lhe o nome.
- Ah, sim?
- Cleptomaníaco.
- Eu sempre achei Xaneco um nome muito bonito, ou então Marco Paulo que é um nome distinto. Mas vocês é que sabem.
E lá vai ela agora para a sala de estar, com as chanatas a sapatear pelo mosaico a fora, a sacola dos naprons e dos crochés a vazar por fora.
- Não me digas que o Pisa-Papéis voltou a roer o napron que estava em cima da televisão!? E as almofadas que ainda a semana passada as cosi, não me digas!?
- Não minha sogra, isso, fui eu que roí tudo!
- Estás sempre na brincadeira...
Fui para mudar os jornais à alcofa do Gatuno e do Pisa-Papéis, enquanto os naprons eram substituidos e as almofadas entravam dentro da sacola para serem cozidas, mas apaguei-me.
- Vai à tua vida, filho. Tu não te empates por minha causa. Anda que eu mesma faço um cházinho. Que ervas são estas aqui por cima dos pickles? Pode ser que com um cházinho se me vá esta azia. Já não me ouve, querem ver... Oregãos? Tens a certeza? bem, talvez não me faça mal...
E adormeci ali mesmo, dentro da alcofa.
- Môr? Levanta-te daí que temos que ir ao El Corte Inglés comprar os cortinados para a marquise!
Ao que a velha responde:
- Deixa estar o teu marido Dora e vamos nós as duas. Não é que ele bebeu o leite todo, comeu as espinhas de bacalhau e adormeceu em cima da primeira liga do campeonato!? Devia estar exausto, coitadinho...
E isto contaram-me, porque eu já não dei por mais nada.
















