
Toda a paz que sinto, quando a sinto, não é mais que desassossego. Esta é apenas uma das coisas que a vida e obra de Fernando Pessoa (mais que de seus heterónimos) me ajudou a compreender.
Fernando Pessoa está espalhado por este blogue, em citações, em poemas, há os excertos D' O desassossego (Bernardo Soares), está nos comentários evocado por diversas vezes, está no side bar: "Pedras no caminho? Guardo-as todas. Um dia vou construir um castelo."
Eu não sei escrever. Ainda bem que eu não sei escrever, sobra-me mais tempo para ler. Que seria de mim, eu, se os poetas não escrevessem por mim? E ficasse de repente, tudo tão claro?
Faz hoje 120 anos que nasceu Fernando Pessoa. Poeta, filósofo? Um poeta é um filósofo, o contrário é que já é mais difícil. Quando se descobriu que Fernando Pessoa tinha nascido, ele já tinha morrido. É sempre assim. Faz parte do ser Português. Não reconhecer ninguém, não dar por nada e assim que essa pessoa se passa para o outro lado, oh! Morreu caneco. E agora? O gajo até escrevia bem, a Mensagem era dele não era? E era tão bom vizinho e amigo de toda a gente ll
ll (Pause) carreguei no pause porque alguém tinha acabado de comentar no Post "O melhor momento", fui ver, alguém que também diz que não sabe escrever citou Inês Pedrosa (que seria de nós, se os poetas não escrevessem por nós? E ficasse de repente tudo tão claro?)
Depois fui buscar o Fazes-me falta, mais lido e relido, não para encontrar o fragmento deixado no meu Post porque ele agora pertence ao meu Post, ao meu blogue, mais do que à Inês Pedrosa (desculpe Inês, mas eu li aquilo e estremeci, no seu livro não estremeci à sua passagem como agora me aconteceu) porque de repente lembrei-me que tenho uma página, a 95, estou a olhar agora para ela, dobrada num canto porque diz assim:
"Tudo o que tocamos se desfaz. Depois fica-nos o vício da decomposição, o perfume intoxicante das coisas mortas. (...) amei com muito mais rigor os meus pais mortos, do que aqueles que tive na vida real durante catorze anos"
Antes da pausa ll era isto (precisamente) que eu queria dizer sobre Fernando Pessoa.