oreinabarriga

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28.5.08

Ainda a propósito do selo do carro...

e dos autocolantes pirosos (eu também tenho um, também sou dada a piroseiras, o que é que pensam? o meu é a da chicco e diz bebé a bordo ou coisa parecida), que meio mundo tem colado ao vidro de trás do carro. Há um muito vulgar "O meu outro carro é mais potente", sabiam que quem coloca este autocolante é do signo Carneiro? Se fosse Touro o autocolante dizia assim:
" O meu outro carro ainda é mais que o teu ó!"
Gémeos:
"O meu outro carro tem um Kit Bomber 4 Peças Quadriaxiais originais Player Sony Xplod Cdx Gt617ux Triaxial, completo da Selenium para Corsa hatch (4 pç/ 220W) tem cd, dvd mp3, subwoofer para som automotivo equipamentos de ... bem, aquilo manda um ganda som!"
Caranguejo:
"O meu outro carro é uma carrinha, familiar." (Alice)
Leão:
"O meu outro carro é um mercedes descapotável" (para quem é este autocolante para quem é?)"
Virgem:
"O meu outro carro também está limpinho" (rainhareles)
Balança:
"O meu outro carro é mais elegante e tem sensores" (Becas)
Escorpião:
"O meu outro carro é, espera lá... para que é que queres saber pá?"
Sagitário:
"O meu outro carro é um todo terreno"
Capricórnio:
"O meu outro carro é um táxi" (Ricardo, está-se mesmo a ver)
Aquário:
" o meu outro carro é mais ori... olhem! Já repararam que está lua cheia?"
Peixes:
"O meu outro carro está na oficina, tive mais um embate acidental" (João Ayres e aquela mania de não ver letreiros (proibido fumar) nem placas (car pool), nem nada, não bateu ainda porque Deus ao menino e o ao borracho...

Ainda a propósito do Post "Fui para a Copophonia"

Quer dizer, eu saio à noite e é só chungas, eu vou aos comentários dos Post's e é só "Elitistas" e "Estilizados", mas já não há gente normal?

27.5.08

Noite de Copophonia

Sexta-feira passada fui para a Copophonia, cheguei a casa às três da manhã, ou seja, consegui deitar-me mais cedo que quando não vou a lado nenhum, o que só por si, já é um feito merecedor dum Post. Não, não estou velha para a Copophonia e continuo a ser das poucas espécies noctívagas que aguenta toda a noite praticamente sem alcool nenhum, mantendo a noite e o riso à base de pastilhas de canela. Mas estou ultrapassada. Desusada. Demodé. Que é um facto que demorei a aceitar pelo que saí na sexta-feira e só hoje (três dias depois) estou capaz de falar disso.

As raparigas já não se emperiquitam para sair à noite, vestem umas calças de Pano de Prato (que é um tecido 50% viscose, 50% poliéster, latex e agente fungicida), uma fita larga elástica no cabelo que sempre me faz lembrar as cabeças partidas envoltas numa ligadura, os rapazes apreciam as sandálias em tudo iguais às dos Freis Franciscanos, não tomam banhinho o que lhes confere um ar rural? E vestem bolsos que de lado têm umas calças ou calções. Não usam briefs, muito menos dkny ou calvin klein nem suspensórios e depois andam com o cú à mostra que é uma coisa que se ainda fosse moda no bairro (os briefs eu ainda assim, fazia noitadas mais vezes) agora boxer's com figuras de baralho de cartas ou imagens de tema de desktop do windows... sinto-me no bairro como a "Oliva" antiquíssima que a minha mãe de vez em quando desencanta do esconderijo dela e põe a costurar. Ponho-me a observar aqueles seres de outra espécie, que povoam a noite (extra-terrestres, ovnis) da mesma maneira que a Oliva se põe a olhar para o 50% viscose, 50% poliester, látex e agente fungicida antes de se atirar à picada. A única coisa que me parece familiar (objecto identificado) no meio disto tudo, são umas garrafinhas de Sagres que eles apertam entre os tentáculos. Algumas pessoas mudaram as suas convicções na sequência destes encontros. Foi o meu caso.

E o cheirinho a enxofre, enxofre? Sim, enxofre, como se as naves estivessem a aterrar (em hora de ponta) perto dali.

Mas a próxima vez que for para a Copophonia (não pensem que pus de parte esta nova experiência ao jeito de twilight zone ou que me vou isolar num qualquer Jezebel, 3º Piso do Lux, BBC ou Kapital), vou transparente e cheia de purpurinas (pó fluorescente que brilha no escuro), ou envolta em gaze, é conforme me der na veneta, para os enganar com o efeito. Não ponho "First" da Van Cleef & Arpels para não fazer nenhum deles espirrar e se me perguntarem se tenho Blogue, respondo:

- Então não tenho! (com antena digital e tudo mais) aponta aí no teu chip: éxefiles.blogspot.com

Que é para eles pensarem que também vim do além.



26.5.08

"Infidelidade virtual"

Ex-marido teve que pagar 20 mil Reais por cometer “infidelidade virtual”. Acabei de ler no iol.


"A 2ª Vara Cível de Brasília condenou um ex-marido a pagar indemnização por danos morais no valor de R$ 20 mil por manter relacionamento com outra
mulher, comprovado por meio de e-mail's trocados entre o acusado e sua amante.
Para o juiz, o adultério foi demonstrado pela troca de fantasias eróticas,
“sexo virtual”, entre o casal."

Ainda bem que nós só fazemos sexo tântrico e yôga, olha se fizéssemos destas cenas? Ainda bem que nós pomos tudo no Blogue (qual e-mail qual carapuça) e nunca, jamais, apagamos os comentários aos Post's (quem não deve não teme).
Qual era o marido ou esposa que se lembraria de vir bisbilhotar práqui? Com tanta factura detalhada para analisar, extractos bancários, anúncios de detectives particulares para fazer círculos à volta com caneta de feltro vermelha? Qual era o Juiz ou elemento da PJ, que se lembraria de vir práqui recolher elementos de prova? Para um lugar tão... destapado?
Que mulher na suspeita que o seu namorado a trai com uma espécie de escritora romancista ao estilo da Barbara Cartland, mesmo possuída pelo espírito da Mata Hari se lembraria deste Blogue para fazer espionagem? Nem o melhor advogado do mundo conseguiria provar que "essa miúda..." (Jorge Palma) e uma Aurora Boreal são fantasias eróticas!
É muito lirismo...
Está bem, era bom, concordo, não digo que não (gostaria). Uma fantasia sexual é um luxo, é voar mais alto, é uma composição metafórica muito mais elaborada, mas 20 mil Reais, assim, do pé para mão também não tinha.

Problema de expressão

"Só pra dizer que te Amo,
Nem sempre encontro o melhor termo,
Nem sempre escolho o melhor modo.
Devia ser como no cinema,
A língua inglesa fica sempre bem
E nunca atraiçoa ninguém.
O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.
Só pra dizer que te Amo
Não sei porquê este embaraço
Que mais parece que só te estimo.
E até nos momentos em que digo que não quero
E o que sinto por ti são coisas confusas
E até parece que estou a mentir,
As palavras custam a sair,
Não digo o que estou a sentir,
Digo o contrário do que estou a sentir.
O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.
E é tão difícil dizer amor,
É bem melhor dizê-lo a cantar.
Por isso esta noite, fiz esta canção,
Para resolver o meu problema de expressão,
Pra ficar mais perto, bem mais de perto."

Clã, "Problema de Expressão"
P.S.: Não é especialmente dedicada a ninguém, escusam de inventar, digo, comentar.

25.5.08

Romantismos

Era mais romântico escrever-te com uma pena sobre o papiro. Era mais romântico desenhar letra a letra, à luz de um fio de azeite ou das brasas candentes postas numa lareira. Acho que vou mandar-te rosas secas dentro de uma carta lacrada (pena que só tenha na jarra uns malme-queres já velhos. Murchos). Pego numa garrafa e envio enroladas as folhas que te escrevi. Coloco uma rolha bem metida e lanço-a ao mar na esperança que... ao mar?! Corri para a janela da sala e pendurei-me no parapeito a olhar lá para baixo. A garrafa tinha acertado num peão. Veio gente de toda a parte que ficou com os olhos postos nas janelinhas do meu prédio a tentar detectar-me. Escondi-me atrás das cortinas a roer as unhas. Nisto tocou o telefone. Deve ser da esquadra. É melhor ignorar que está a tocar. Não sou capaz.
- Ah, és tu amor...
E ele do outro lado:
- Alugamos um filme ou quê?
- Pode ser. Pode ser o Cyrano de Bérgerac?
E ele claro, a dizer que é lá isso! vai alugar o “O exterminador vinga tudo”. É sempre do contra. Salvo seja quando eu sou do contra, nesse caso, ele é a favor. "Ó amor tira-me uma foto" Re: "Lá mais à frente, lá mais à frente, isto aqui não tem graça nenhuma."
"Gostas das minhas sandálias?" Re: "Gostava mais das outras."
"Mas tu nunca gostaste das outras!" Re: " Ah... Até nem são feias de todo."
"Podes mudar para o canal dois?" Re: "Não." E consegues percorrer todos os canais da parabólica sem atingir o canal dois. Só para contrariar...
... Ponho a tocar um disco de 78 rotações que ainda não vendes-te na Feira na Ladra porque estou farta de te dizer que detesto o disco, não o posso ouvir, para além disso é de vinil, é de 78 rotações, já não se usa, está riscado e é remédio santo, tens vendido todas as minhas coisas mas o vinil ainda não.
Fumo um cigarro (cá em casa não se fuma. Tu não fumas. Se eu não fumasse, fumavas, só para me atirares o fumo à cara quando encontrasses tudo perfeito). O fumo parece que dança a valsa triste de Sibelius. Comecei a sonhar que estava nos braços de um cavaleiro andante, entre a espada e o coração. Devo ter adormecido. Ouvia por vezes uma orquestra de violinos e fazíamos amor num palco de Shakespeare. Caía o orvalho de todas as folhas e de todas as flores, sobre mim e sobre ti. Molhados e entre beijos, corremos pelos campos a fora onde a terra cheirava a mirra e a madeiras orientais. Não. Não eram madeiras orientais... Eram madeiras queimadas! A beata tinha tido tempo de apagá-la mas o castiçal tombou com a força do vento que arrombou a janela. Abafei as chamas com uma manta, mas elas vingaram-se. A luta ainda demorou até que as cortinas esfarrapadas parecessem vigílias de um castelo assombrado. A campainha da porta insistia, é o exterminador vinga tudo, era só o que me faltava, fui atender.

- Vi o fogo da minha janela. Julguei-a morta.
- Não foi nada. Tem lume?
- Como diz?
- Deixei apagar-se o fogo todo e agora não tenho como acender este cigarro.

Admirei-lhe a figura magra. Os olhos da cor da cinza que estava no chão. As mãos bonitas a aproximarem-se da minha boca, com dedos longos (de pianista?). Longos e sensuais a terminarem num fósforo insistentemente aceso. Beijei-o. Com a intensidade de deixar de sentir os pés no chão. Só o coração. Nem cavaleiro andante, nem espada, só o coração. Shakespeare já não sei quem era e um violino é uma orquestra rara. O orvalho caiu de um palco e eu sobre ti, molhados e entre beijos, corremos pelos campos a fora até tu cheirares a mirra e eu a madeiras orientais.
Abracei o meu príncipe não fosse ele encantado. Senti-lhe uma elevação anormal à altura da nuca. Um alto. Um 'galo' e ele riu-se.

- Foi uma maluca que atirou pela janela cartas de amor dentro de uma garrafa!

24.5.08

Agora em Português

Ou Quei...

Agora em Português... sei que a nossa língua te amolece...



Eu renunciava a eternidade só para te tocar
Porque eu sei que tu me sentes, de alguma maneira
Tu és a coisa mais próxima do paraíso onde eu algum dia hei-de chegar
E eu não quero ir para casa agora
E tudo o que eu posso provar é este momento
E tudo o que eu consigo respirar é a tua vida
Porque mais tarde ou mais cedo, vem o fim
Eu só não quero perder-te esta noite


Eu não quero que o mundo me veja
Porque não creio que eles pudessem compreender
Quando tudo é feito para se partir
Eu apenas quero que saibas quem sou

E não podes lutar contra as lágrimas que estão para vir
Ou contra o momento da verdade que está nas tuas mentiras
Quando tudo se sente como nos filmes, Ah!
Tu sangras só para saber que estás viva!

Eu não quero que o mundo me veja
Porque não creio que eles pudessem compreender
Quando tudo é feito para se partir
Eu apenas quero que saibas quem sou
Eu apenas quero que saibas quem sou
Eu apenas quero que saibas quem sou



Tradução de Carmina b.
Iris - Goo Goo Dolls" Banda Sonora do filme "City of Angels" 1998


Eu costumo ser fiel (nas traduções e tudo), mas às vezes…
Se encontrarem algum defeito, não se envergonhem e sugiram uma tradução melhor)

City of Angels (letra da música)

And I'd give up forever to touch you
Cause I know that you feel me somehow
You're the closest to heaven
that I'll ever be
And I don't want to go home right now
And all I can taste is this moment
And all I can breathe is your life
Cause sooner or later it's over
I just don't want to miss you tonight
And I don't want the world to see me
Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am
And you can not fight the tears that ain't coming
Or the moment of truth in your lies
When everything feels like the movies
Yeah you bleed just to know you're alive
And I don't want the world to see me
Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am
And I don't want the world to see me
Cause I don't think they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am
And I don't want the world to see me
Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am
"Iris - Goo Goo Dolls" Banda Sonora do filme "City of Angels" 1998


(Nem tudo é fugaz, irreal, impossível ou sem sentido. Nem tudo é passageiro, nem tudo tem um fim, às vezes nem um começo. Há tantas coisas que se fecharmos os olhos nos tocam e no entanto não são matéria. Esta música é uma delas... os Anjos existem ora experimentem lá, fechar os olhos... mas têm que ser humanos, demasiados humanos, se não, não dá)




Conseguiram?

23.5.08

06:53


"Honestly, what would become of
me?

Don't like reality, it's way too clear for me
Really, life is dandy, we are what we don't see
We miss everything daydreaming

Flames to dust, lovers to friends
Why do all good things come to an end?
Flames to dust, lovers to friends
Why do all good things come to an end?"

All Good Things (Come to an end)
Nelly Furtado

Corpos celestiais, Marcha nupcial

Frases célebres sobre isso (que eu sou meramente, uma aprendiz... )

CORPOS CELESTIAIS

"O amor é uma coisa ideal, casamento uma coisa real; uma confusão entre o
ideal e o real nunca acaba impune."

(Goethe)

"O casamento se assemelha a uma tesoura; lâminas tão presas entre si
que dificilmente podem ser separadas, se movendo geralmente em direcções opostas
e, no entanto, sempre ferindo qualquer um que se coloque entre elas."

(Sydney Smith)

"As mulheres começam por resistir aos avanços de um homem e terminam por
bloquear a sua retirada."

(Oscar Wilde)

MARCHA NUPCIAL

"Se os homens agissem depois do casamento da maneira como agem durante o
namoro, haveria menos divórcios – e mais falências."

(Frances Rodman)

"O casamento é um livro cujo primeiro capítulo é escrito em verso e os
demais, em prosa."

(Beverly Nichols)

"O pavor da solidão é maior que o medo da escravidão: assim, nos casamos."

(Cyril Connolly)

"Não importa com quem você se case, sempre acorda casado com outra pessoa."

(Marlon Brando)

Casamento é realmente algo difícil; você tem que lidar com sentimentos e advogados."

(Richard Pryor)

"Um marido é o que sobra de um amante depois que o nervo é extraído."

(Helen Rowland)

"O casamento deve combater incessantemente um monstro que devora tudo:
o hábito."

(Honoré de Balzac)

"O homem deve manter os olhos bem
abertos antes do casamento e semicerrados depois".

(Benjamim Franklin)

22.5.08

Aurora Boreal


É a aurora mais bonita que eu sei fazer. Mas que isto não se repita. Eu não posso andar a fazer auroras a uma hora destas (é meia-noite!) e se sou apanhada a atirar electrões e protões aos átomos, antes do amanhecer? A ASAE fecha-me o blogue e lá tenho eu que voltar a escrever em guardanapos de papel. E depois não só não te encostas a mim, como não me vês mais.
Fiz-te um Post e tu ficas assim? Cheio de mimo? Afinal o que é te falta? Nada. Não te falta nada. Estamos todos aqui. Até o Jorge Palma.

21.5.08

"Casa de Bonecas"

Nora vive um casamento sufocante dentro de uma "casa de bonecas" não menos sufocante. E guarda um segredo que por ser segredo, não vou contar.
A linguagem tem que ser natural e o modo de expressão tem que ser diferente de personagem para personagem por ser característico de cada uma das pessoas na vida real, a partir daqui, nesta peça, já não há personagens, nem actores. "... from now on there are no actors or characters, there are real people".

Ninguém se expressa da mesma maneira. Durante os ensaios tudo o que não soa a natural e espontâneo, é corrigido tantas e tantas vezes, e de todas elas com uma espécie de raiva, até as falas atingirem credibilidade e realismo. De vez em quando o professor perde a veia (só para descontrair, até porque há quem chore a ache que não é capaz)
- I'm sorry you don't do anything to seduce me! How is that possible? I' m so easy…
Para laura (Nora):
- The public is sitting there and listening what happens in real life. No person is expressed in the same way, can you forget who you are? Where do you live?
- In Lakewood, in a 3 rd floor
- Here you live in a house of dolls, whit a pressure.

Há falas que já sei de cor. Gosto de Ibsen (pouco mais que Peer Gynt, mas gosto), gosto de teatro (não sabes tu outra coisa), gosto muito mais de ti. Que posso dizer mais (aqui?). Que cada vez que olho para o vídeo tenho uma vontade enorme de entrar por ele a dentro e interromper uma aula tua? Para te dizer que tenho orgulho (temos todos), tu transpiras talento e força, és exuberante, e dominas (tudo), inteiramente e que aqui é apenas o lugar mais bonito que tu conheces.

Henrik Ibsen - "Casa de Bonecas" - Cena Final

HELMER - Que estás para aí a dizer?
NORA - Deixa-me estar só, para me avaliar a mim e a tudo o que
me rodeia. Não posso continuar a viver contigo! Esta noite fico em casa da
Kristina.
HELMER – Proíbo-te! Mas tu estás louca?
NORA - De agora em diante não me proíbes mais nada. Levo tudo
o que me pertence. De ti não quero nada, nada, nem agora, nem nunca mais.
HELMER – Mas o que é te deu?
NORA - Amanhã parto para
casa... quer dizer, para o lugar onde nasci... lá encontrarei mais facilmente um
trabalho.
HELMER – Criatura cega e inexperiente.
NORA - Tenho que fazer o possível para adquirir
experiência.
HELMER – Abandonar o lar, o marido, os teus filhos! Não
pensas naquilo que vão dizer as pessoas?
NORA - Não posso pensar nisso. Sei unicamente que para mim,
isto, é indispensável.
HELMER – Serias capaz de negar a tal ponto os teus deveres
mais sagrados?
NORA - E quais são meus deveres mais sagrados, no teu
parecer?
HELMER – Não serão os que tens para com o teu marido, os teus
filhos?
NORA - Tenho outros tão sagrados como esses.
HELMER – E quais poderão ser?
NORA - Os meus, para comigo mesma.
HELMER – Antes de mais nada és esposa e és mãe!
NORA - Já não creio nisso. Creio que antes de mais nada sou
um ser humano, tanto quanto tu... ou pelo menos, devo tentar vir a sê-lo. Sei que
a maioria te dará razão. Torvald. E que essas ideias também estão impressas nos
livros. Eu porém já não posso pensar pelo que diz a maioria nem pelo que se
imprime nos livros. Preciso reflectir sobre as coisas por mim mesma e tentar
compreendê-las.
HELMER – Pareces uma criança a falar. Não percebes nada da
sociedade em que vivemos!
NORA - Não, nada. Mas quero chegar a entender e certificar-me
de qual de nós tem razão: se a sociedade ou eu.
HELMER – Estás doente! Convenço-me que perdes-te o
juízo.
NORA - Sinto-me esta noite mais lúcida e mais segura de mim
do que jamais me senti.
..
(A Doll's House foi escrita pelo dramaturgo Norueguês em 1897 Ibsen mostra o que pode estar por de trás de belas fachadas: duplicidade moral, isolamento, obediência, traição e uma constante insegurança. 1897 (parece que foi ontem não parece?)

20.5.08

"Humano, demasiado humano"

As mulheres podem tornar-se facilmente amigas de um homem; mas, para
manter essa amizade, torna-se indispensável o concurso de uma pequena antipatia
física.

Friedrich Nietzsche, "Humano, demasiado humano."

Actor (de teatro)

"Actor (no feminino actriz) é uma pessoa que representa uma
personagem criada pelo dramaturgo. Intervém no decurso da representação, através da sua
sensibilidade e inteligência.
Ao longo dos tempos a relação actor/ personagem
vai-se modificando.
Tradicionalmente o actor fazia-se coincidir totalmente
com a personagem, por forma a haver uma fusão total entre a realidade e a
ficção. Mais modernamente alguns dramaturgos (autor) entre eles Bertolt Brecht, recusam
proporcionar essa identificação. O actor deve adquirir uma técnica de forma a
levar o espectador a não confundir o real com o imaginário."
Extraído integralmente de Dicionário para o
Estudo do Português, ASA Editores
Henrik Ibsen foi o fundador da dramaturgia moderna. Agora percebo porque não gostas de encenar Ibsen e cálculo que também não gostes de Bertolt Brecht (a tua arte está em fundir totalmente a realidade e a ficção).
Calculo que gostes de dramaturgia Francesa: Jean Paul Sartre; Moliére: O Avarento, O Tartufo (são os meus preferidos);Victor Hugo: Os Miseráveis, O Corcunda de Notre Dame; Cromwell, depois talvez os Norte Americanos Tennessee Williams: Um eléctrico Chamado Desejo; Arthur Miller: Morte de Um Caixeiro Viajante... (já me pedis-te para ler, "Lê se não leste, é lindo, o mundo irreal que ele tenta mostrar aos filhos")
Já só me falta perceber porque é que não gostas de comida Italiana.

19.5.08

Rosa-dos-ventos

1 café... 2 cafés... uma noite mal dormida e a minha Rosa-dos-ventos ficou logo incoerente. Alguém sabe alinhar pontos cardeais?
Urgente.

17.5.08

Pavarotti "Vesti La Giubba" I Pagliacci de Leoncavallo

Desculpem

Isto poe-me fora de mim...

Este país está cheio de cobardes de merda

No mesmo Jornal Nacional, uma notícia vergonhosa, daquelas que me tiram do sério, me tiram a fome, o sono, a tesão, tudo. Uma enfermeira proprietária de um lar para idosos em Pedrouços põe os utentes a dormir numa cave a partir das 5 da tarde (hora que acabam as visitas dos familiares – quando as há).
As assistentes Sociais que deviam aparecer nos lares de surpresa, aparecem à hora da visita com certeza e os psicólogos e restante equipa médica tapam os olhos ao que se passa debaixo dos seus próprios narizes.
O dinheiro não é tudo *******!
Como é que vocês são capazes de receber dinheiro, remuneração, de serem cúmplices de um comportamento indigno, desumano, vergonhoso, horrível! Como é possível?
Os Brasileiros que trabalham no lar como auxiliares, coitados, pensavam eles que iam emigrar da pobreza... Nem os brasileiros nem qualquer outro povo do mundo trata tão mal os idosos como os Portugueses!
A doença (a Alzheimer, a esclerose múltipla, a idade - chamada velhice) não escolhe idades, estratos sociais, é aleatória, a-le-a-tó-ri-a! Isso não vos passa pela cabeça? Será que não param para pensar? Será que os homens e mulheres que carregam à noite para uma cave para dormirem amontoados como mercearias estragadas não vos faz lembrar os vossos pais? Vocês próprios velhos e doentes, amanhã? Daqui a 20 anos?
Quem me dera que espécie de gente como vós fosse imediatamente exonerada da profissão, banida da sociedade e dos telejornais. Me deixassem jantar, dormir, fo*** em paz!
Mas este país está cheio de cobardes de merda e ninguém faz nada??

14.5.08

Blindness para a Palma D' ouro


Paris, Festival de Cannes, paparazzis (Who's that small aboriginal beside the teacher? Qui est cette jeune femme Inde à coté du Professeur?), passadeira vermelha, le Grand Théâtre Lumière, Julian Moore e Mark Ruffalo (lindinho na tela, lindinho no lugar ao lado, é tentador). Ainda estive vai não vai para aceitar, para ir pedir à Professora Manuela Rozeira que me levasse ali num instantinho ao atelier do José Alves (e do José Manuel Gonçalves) que eles de uma blusa faziam-me um vestidinho, do pé para a mão, sapatos tenho os Hermes (comprados no Chiado em 2005) que levei ao casamento do meu primo (não menos ilustre que os meus sapatos) Jorge.
Ao menos não me confundiam com ninguém, não andava para lá a dar autógrafos como se fosse a Gwenet Paltrow nem ouvia dizer que tinha trocado o vocalista dos Cold Play por um mais giro. Quando muito andavam os paparazzis atrás de mim para descobrir de que tribo é que eu tenha saído.
Mai enfin, c'est la vie! Dá no Canal Sat e no +, logo vou dar a volta ao satélite, perdão, à parabólica. Flashes his good wishes ... mas a minha vida não é isto. É apenas algo parecido.